Andarilho da Noite

Data 05/08/2012 00:13:17 | Tópico: Sonetos



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Ao longe o uivo de um homem sem céu, sem terra,
rasga a noite, afugenta a luz ao chão.
Empunha um archote de frio e escuridão,
arrasta, aos ombros, destroços de guerra.

Traz lama no olhar, choro nos pés que enterra
a cada passo no arenoso caixão.
Penumbra-lhe o peito a negra solidão,
que em espasmos dolentes a voz lhe emperra.

E vaga sem norte, como o olhar de um ébrio,
como vela de moinho que, em fúria,
o vento raptou e desterrou pelos campos.

Cospe entre dentes as ossadas do opróbrio
e os pés nus não soluçam dor ou injúria,
varando a noite bordada de pirilampos.

(Luís R Santos)



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