A Lágrima

Data 08/08/2012 09:21:32 | Tópico: Sonetos



***

Quando ela se anuncia, por tudo, por nada,
debruço-me ao peitoril pardo da lua,
rasgo o riso, desfolho a alma, quase nua,
e convido-a a rolar na face gelada.

E ela rola, um pouco fria, um pouco espada,
ignota às sedas, ao lábio que se amua,
e num curso sem retorno desagua
nos lagos transluzentes da madrugada.

Logo um astro se acende aqui, outro além,
e o céu constela-se em todo o seu esplendor,
como se refulge a face de uma mãe.

Para além da noite, para além do alvor,
dissolve-se a gota em mares de ninguém...
Mas vagam à tona vislumbres de amor.


(Luís R Santos)



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