
A alma dos olhos
Data 20/01/2009 15:37:43 | Tópico: Poemas
| O poeta desafina lindamente Um samba rouco na noite Que chega escurecendo os ares do bar. O poeta, o mesmo poeta Que sente não o perfume, Mas a dor da paixão retirada Dos recortes dos jornais, Das esquinas. O poeta que aprendeu apreciar Os odores das marés altas E o coquetel sintético que a vida Lhe enfiou pela garganta.
O poeta. É, o poeta! Tu poeta...
Não... Não se sinta mais só. Não se sinta mais triste, Nem mais alegre. Recorte teus sentimentos E cole com cuidado na mais pura ironia... Do destino?
Ah, poeta! Contigo nada se perde no mar! Nada se explode no ar!
E se na noite, como dizem, Existem pingos de choro Molhando o ar, Te digo meu amigo: Vi estrelas em comunhão Sarreando outro poeta De olhos marejados que, Guiado por um vaga-lume Quase sem energia, Tentava voltar ser moleque de calça curta... Equilibrando-se no mourão Que servira num tempo que não volta, De base para a moldura do seu verdadeiro mundo.
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