Um dia de trabalho

Data 01/08/2009 18:56:52 | Tópico: Crónicas

O som do despertador tirou-a de um sono bom e de um sonho idem. Ainda que lhe fosse difícil deixar o conforto da cama e o calor dos cobertores, havia a necessidade de enfrentar o frio que fazia lá fora, não havia como deixar de sair de casa e enfrentar mais um dia de trabalho. Vagarosamente levantou-se e, dirigindo-se ao banheiro analisou suas possibilidades no tocante a roupas e, de antemão sabendo que não havia muito que escolher,optou pelo basico jeans e camiseta, afinal não seria mesmo com essa roupa que trabalharis e afinal, trabalhando como balconista de lanchonete e tendo que auxiliar nas despesas de casa não sobrava muito pra quase nada. Depois de um banho rápido (esta frio), um café acompanhado de um pedaço de pão com qualquer coisa, corre pelas ruas ate o ponto do onibus torcendo para que o mesmo não esteja nessa manha, como de habito, lotado, esperança que logo se esvai ao ver a fila de pessoas que, assim como ela todo os dias espremem-se e são espremidas nos onibus e trens de uma cidade grande. Dentro do onibus, sacolejando daqui e dali, sendo empurrada a cada parada, a cada “freiada”, ela ate tenta não pensar no desconforto, tenta ate levar na “esportiva” as “encostadas” disfarçadas em desequilíbrio, tenta ate fazer de conta que não percebeu aquela mão “boba”, ate porque qualquer atitude em contrario, somente dará margem a comentários desairosos e piadinhas de mau gosto e, hoje decididamente ela não esta com humor para manifestações desse tipo. Com um tempo de atraso desce do veiculo e se “arrasta” ate a lanchonete, afinal, duas horas de onibus não é fácil. Assim que entra, dirige-se ate o vestiário, não sem antes ser alvo de olhares e mais olhares, seguidos dos tradicionais comentários, enfim, quando optou por aceitar aquele trabalho, sabia que em algum momento passaria por esse tipo de constrangimento, de certa forma e ate onde entendia... dava para levar numa boa, nos primeiros dias se chateava mais, agora não, estava calejada e, precisava trabalhar, como dizia sua mãe “nesse mundo minha filha, tem de tudo, tanto tem gente boa, como tem gente ruim”. Coloca seu uniforme, penteia os cabelos, prende-os em um “coque”, coloca uma touca, olha-se no espelho, gosta do que vê, retoca a maquiagem com um pouco mais de brilho e vai para mais uma jornada.

- Alice, que moleza minha filha, a mesa 7 ta ocupada e não tem nada em cima dela, vamos lá, deixa de enrrolação.
- Já estou indo... só um minutinho


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