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| Alexandre O´Neill : O quotidiano “não” |
| em 09/04/2012 22:51:28 (774 leituras) |
 Estamos todos bem servidos de solidão. De manhã a recolhemos do saco, em lugar de pão.
Pão é claro que temos (não sou exageradão) mas esta imagem do saco contendo um pequeno «não»
não figura nesta prosa assim do pé para a mão, pois o saco utilizado, que pode ser o do pão,
recebe modestamente a corriqueira fracção desse alimento que é tão distribuído, tão
a domicílio como o leite ou o pão. Mas esse leitor aí (bem real!) já diz que não,
que nunca viu no tal saco o tal «não». Ao que o poeta responde, sem maior desilusão:
- Para dizer a verdade, eu também não... Mas estava confiante na sua imaginação (ou na minha...) e que sentia como eu a solidão e quanto ela é objecto
da carinhosa atenção
de quem hoje nos fornece o quotidiano «não», por todos os meios, desde a fingida distracção,
até ao entre-parêntesis de qualquer reclusão...
“Poesias Completas” Biblioteca de Autores Portugueses, Imprensa Nacional Casa da Moeda, 1983
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