Vida e Obra

Publicado em 31/03/2012 14:48:12 | Tópico: Millôr Fernandes

Millôr Fernandes

"Acreditar que não acreditamos
em nada é crer na crença do descrer".


"Millôr Fernandes nasceu. Todo o seu aprendizado, desde a mais remota infância. Só aos 13 anos de idade, partindo de onde estava. E também mais tarde, já homem formado. No jornalismo e nas artes gráficas, especialmente. Sempre, porém, recusou-se, ou como se diz por aí. Contudo, no campo teatral, tanto então quanto agora. Sem a menor sombra de dúvida. Em todos seus livros publicados vê-se a mesma tendência. Nunca, porém diante de reprimidos. De 78 a 89, janeiro a fevereiro. De frente ou de perfil, como percebeu assim que terminou seu curso secundário. Quando o conheceu em Lisboa, o ditador Salazar, o que não significa absolutamente nada. Um dia, depois de um longo programa de televisão, foi exatamente o contrário. Amigos e mesmo pessoas remotamente interessadas - sem temor nenhum. Onde e como, mas talvez, talvez — Millôr, porém, nunca. Isso para não falar em termos públicos. Mas, ao ser premiado, disse logo bem alto - e realmente não falou em vão. Entre todos os tradutores brasileiros. Como ninguém ignora. De resto, sempre, até o Dia a Dia”.

("Currículo" publicado por Millôr quando de sua estréia no jornal "O Dia", Rio (RJ).


Considerado "um dos poucos escritores universais que possuímos", na opinião do crítico Fausto Cunha, filho de Francisco Fernandes e de Maria Viola Fernandes, Millôr Fernandes nasceu no dia 16 de agosto de 1923 no Méier, subúrbio do Rio de Janeiro, com o nome de Milton Viola Fernandes. Só seria registrado no ano seguinte, tendo como data oficial de nascimento o dia 27 de maio de 1924. Sua certidão de nascimento, grafada à mão, fazia crer que seu nome era Millôr e não Milton. Seu pai, engenheiro emigrante da Espanha, morre em 1925, com apenas 36 anos. A família começa a passar por dificuldades e sua mãe passa horas em frente a uma máquina de costura para poder sustentar os 4 filhos. Apesar do aperto, o autor teve uma infância feliz, ao lado de 10 tios, 42 primos e primas e da avó italiana D. Concetta de Napole Viola.

Estuda na Escola Ennes de Souza, de 1931 a 1935, por ele chamada de Universidade do Meyer, mas que na verdade era uma escola pública. Diz dever tudo o que sabe a sua professora, Isabel Mendes, depois diretora e hoje nome da escola. Se emociona ao falar sobre ela "...uma mulatinha magra e devotada, que me ensinou tudo que se deve aprender de um professor ou de uma escola: a gostar de estudar. Depois disso, pode-se ser autodidata. Escola, a não ser para campos técnicos/experimentais, é praticamente inútil".

A chegada ao Brasil das histórias em quadrinhos, em 1934, faz de Millôr um leitor assíduo dessas publicações, em especial de Flash Gordon, de autoria de Alex Raymond, e, com isso, dar vazão à sua criatividade. Sob a influência de seu tio Antônio Viola, tem seu primeiro trabalho publicado em um órgão da imprensa — "O Jornal", do Rio de Janeiro, tendo recebido o pagamento de 10 mil reis por ele. Era o início do profissionalismo, adotado e defendido para sempre.




Em 1935, também com 36 anos, falece sua mãe, o que faz com que os irmãos Fernandes passem a levar uma vida dificílima. Essa coincidência de datas leva Millôr a escrever um conto, "Agonia", publicado na revista "Cigarra" em janeiro de 1947, onde afirmava: "Tenho dia e hora marcada para me ir e o acontecimento se dará por volta de 1959". A morte da mãe o leva a morar em Terra Nova, subúrbio próximo ao Méier, com o tio materno Francisco, sua mulher Maria e quatro filhos.

Trabalha, em 1938, com o Dr. Luiz Gonzaga da Cruz Magalhães Pinto, entregando o remédio para os rins "Urokava" em farmácias e drogarias. Durou pouco esse emprego. Logo vai ser contínuo, repaginador, factótum, na pequena revista "O Cruzeiro", que nessa época tinha, além de Millôr, mais dois funcionários: um diretor e um paginador. A revista, anos depois, chegou a vender mais de 750.000 exemplares. Com o pseudônimo "Notlim" ganha um concurso de crônicas promovido pela revista "A Cigarra". Com isso, é promovido e passa a trabalhar no arquivo.

O cancelamento de publicidade em quatro páginas de "A Cigarra" fez com que fosse chamado por Frederico Chateaubriand para preencher as páginas que ficaram em branco. Cria, então, o "Poste Escrito", onde assinava-se Vão Gôgo. O sucesso da seção faz com que ela passe a ser fixa. Com o mesmo pseudônimo, começa a escrever uma coluna no "Diário da Noite". Assume a direção de "A Cigarra", cargo que ocuparia por três anos. Dirigiu também "O Guri", revista em quadrinhos e "Detetive", que publicava contos policiais.

Ciente da necessidade de se aprimorar, estuda no Liceu de Artes e Ofícios do Rio de Janeiro de 1938 a 1943.

Em 1940, muda-se para o bairro da Lapa, centro da cidade, e passa a morar próximo a Alceu Pena, seu colega em "O Cruzeiro". Colabora na seção "As garotas do Alceu" como colorista e versejador.

Autodidata, faz sua primeira tradução literária: "Dragon seed", romance da americana Pearl S. Buck, com o título "A estirpe do dragão", em 1942.

No ano seguinte retorna, com Frederico Chateaubriand e Péricles, à revista "O Cruzeiro". Em dez anos, a tiragem foi um grande êxito editorial, passando de 11 mil para mais de 750 mil exemplares semanais.

Em 1945, inicia a publicação de seus trabalhos na revista "O Cruzeiro", na seção "O Pif-Paf", sob o pseudônimo de Vão Gôgo e com desenhos de Péricles.

No ano seguinte lança "Eva sem costela — Um livro em defesa do homem", sob o pseudônimo de Adão Júnior.

Sua colaboração para "O Cruzeiro", em 1947, atinge a marca de dez seções por semana.

Em 1948 viaja aos Estados Unidos, onde encontra-se com Walt Disney, Vinicius de Moraes, o cientista César Lates e a estrela Carmen Miranda. Casa-se com Wanda Rubino.

Publica "Tempo e Contratempo", com o pseudônimo de Emmanuel Vão Gôgo, em 1949. Assina seu primeiro roteiro cinematográfico, "Modelo 19". O filme, lançado com o título "O amanhã será melhor", ganha cinco prêmios Governador do Estado de São Paulo. Millôr é agraciado com o de melhores diálogos.

Em 1951, na companhia de Fernando Sabino, viaja de carro pelo Brasil, durante 45 dias. Lança a revista semanal "Voga", que teve apenas cinco números.

Viaja pela Europa por quatro meses, em 1952.

"Uma mulher em três atos", sua primeira peça, estréia no Teatro Brasileiro de Comédia, em São Paulo (SP), em 1953.

No ano seguinte, compra o imóvel que se tornaria famoso — "a cobertura do Millôr", no bairro de Ipanema, onde o escritor até hoje vive. Nasce seu filho Ivan.

Em 1955, divide com o desenhista norte-americano Saul Steinberg o primeiro lugar da Exposição Internacional do Museu da Caricatura de Buenos Aires, Argentina. Escreve “Do tamanho de um defunto”, que estreou no Teatro de Bolso (Rio) e, depois, adaptado pelo próprio autor para o cinema, tendo o filme o título de “Ladrão em noite de chuva”. Nesse ano escreve “Bonito como um deus”, que estréia no Teatro Maria Della Costa, em São Paulo (SP), e ainda “Um elefante no caos” e “Pigmaleoa”.

Em 1956, Millôr passa a ilustrar todos os seus textos publicados na revista "O Cruzeiro".

No ano de 1957, o Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro recebe exposição individual do biografado. Realiza a cenografia de “As guerras do alecrim e da manjerona”. Esse trabalho foi premiado pelo Serviço Nacional de Teatro no ano de 1958.

Nesse ano, conclui a primeira tradução teatral: “Good people”, então intitulada “A fábula de Brooklin — Gente como nós”. Fez parte do grupo que "implantou" o frescobol no posto 9, Ipanema, Rio de Janeiro.

Escreve o roteiro de “Marafa”, a partir do romance homônimo de Marques Rebello. Em 1959. No mesmo ano, apresenta na TV Itacolomi, de Belo Horizonte, a convite de Frederico Chateaubriand, uma série de programas intitulada “Universidade do Méier”, na qual desenhava enquanto fazia comentários. Posteriormente, o programa foi transferido para a TV Tupi do Rio de Janeiro, com o título de “Treze lições de um ignorante” e suspenso por ordem do governo Juscelino Kubitschek após uma crítica à primeira dama do país: Disse Millôr: "Dona Sarah Kubitschek chegou ontem ao Brasil depois de 5 meses de viagem à Europa e foi condecorada com a Ordem do Mérito do Trabalho." Nasce sua filha, Paula.

Nos anos seguintes, já integrado à intelectualidade carioca, convive com Péricles, criador de "O Amigo da Onça", Nelson Rodrigues, David Nasser, Jean Manson, Alfredo Machado, Fernando Chateaubriand, Emil Farhat e Accioly Netto, entre outros.

Em 1960, depois de resolvidos os problemas com a censura, estréia no Teatro da Praça, no Rio, ”Um elefante no caos”. O título original da peça era “Um elefante no caos ou Jornal do Brasil ou, sobretudo, Por que me ufano do meu país” rendeu a Millôr o prêmio de “Melhor Autor” da Comissão Municipal de Teatro. O filme “Amor para três”, com roteiro do biografado, baseado em “Divórcio para três”, de Victorien Sardou, é dirigido por Carlos Hugo Christensen. Millôr colaboraria com esse diretor em mais três filmes: “Esse Rio que eu amo”, 1962, Crônica da cidade amada”, 1965, e O menino e o vento, 1967.

Expõe, em 1961, desenhos na Petit Galerie, no Rio. Viaja ao Egito e retorna antes do previsto, tendo em vista a renúncia do presidente Jânio Quadros. Trabalha por 7 dias no jornal "Tribuna da Imprensa", Rio, que mais tarde pertenceu a seu irmão Hélio Fernandes. Foi demitido por ter escrito um artigo sobre a corrupção na imprensa. Os editores, o poeta Mário Faustino e o jornalista Paulo Francis pediram também demissão em solidariedade.

No ano seguinte, na edição de 10 de março de “O Cruzeiro”, “demite” Vão Gôgo e passa a assinar Millôr. A Amstutz & Herder Graphic Press, importante publicação de Zurique, dedica uma página de seu anuário ao autor. “Pigmaleoa” é apresentada, sob a direção de Adolfo Celi, no Teatro Rio.

Em 1963, escreve a peça teatral “Flávia, cabeça, tronco e membros”. Viaja a Portugal e, durante sua ausência, a revista “O Cruzeiro” publica editorial no qual se isenta de responsabilidade pela publicação de “História do Paraíso”, que obteve repercussão negativa por parte dos leitores católicos da revista. Millôr deixa a revista e começa a trabalhar no jornal “Correio da Manhã”, lá ficando até o ano seguinte.

A partir de 1964, e até 1974, colabora semanalmente no jornal Diário Popular, de Portugal. A página mereceria o seguinte comentário de um ministro de Salazar: "Este tem piada, pena que escreva tão mal o português". Lança a revista “Pif-Paf”, considerada o início da imprensa alternativa no Brasil. Foi fechada em seu oitavo número, por problemas financeiros.

Volta à TV, em 1965, como apresentador na TV Record, ao lado de Luis Jatobá e Sérgio Porto (Stanislaw Ponte Preta), do “Jornal de Vanguarda”. “Liberdade liberdade” estréia no Teatro Opinião, no Rio, musical escrito em parceria com Flávio Rangel.

Composta pelo biografado, a canção “O homem” é defendida no II Festival de Música Popular Brasileira, promovido pela TV Record, por Nara Leão, em 1966. Monta, ao ar livre, no Largo do Boticário, Rio, só com atores negros, sua adaptação de “Memórias de um sargento de milícias”.

Em 1968 atua, ao lado de Elizeth Cardoso e do Zimbo Trio, em “Do fundo do azul do mundo”, espetáculo musical de sua autoria. Passa a colaborar com a revista “Veja”.

Na sua estréia, apresentou-se com o texto que abaixo reproduzimos parcialmente:

SUPERMERCADO MILLÔR
ANO I - N.º 1

(Autobiografia De Mim Mesmo À Maneira De Mim Próprio)

"E lá vou eu de novo, sem freio nem pára-quedas. Saiam da frente, ou debaixo que, se não estou radioativo, muito menos estou radiopassivo. Quando me sentei para escrever vinha tão cheio de idéias que só me saíam gêmeas, as palavras — reco-reco, tatibitate, ronronar, coré-coré, tom-tom, rema-rema, tintim-por-tintim. Fui obrigado a tomar uma pílula anticoncepcional. Agora estou bem, já não dói nada. Quem é que sou eu? Ah, que posso dizer? Como me espanta! Já não fazem Millôres como antigamente! Nasci pequeno e cresci aos poucos. Primeiro me fizeram os meios e, depois, as pontas. Só muito tarde cheguei aos extremos. Cabeça, tronco e membros, eis tudo. E não me revolto. Fiz três revoluções, todas perdidas. A primeira contra Deus, e ele me venceu com um sórdido milagre. A segunda com o destino, e ele me bateu, deixando-me só com seu pior enredo. A terceira contra mim mesmo, e a mim me consumi, e vim parar aqui.”

”... Dou um boi pra não entrar numa briga. Dou uma boiada pra sair dela....Aos quinze (anos) já era famoso em várias partes do mundo, todas elas no Brasil. Venho, em linha reta, de espanhóis e italianos. Dos espanhóis herdei a natural tentação do bravado, que já me levou a procurar colorir a vida com outras cores: céu feito de conhas de metal roxo e abóbora, mar todo vermelho, e mulheres azuis, verdes ciclames. Dos italianos que, tradicionalmente, dão para engraxates ou artistas, eu consegui conciliar as duas qualidades, emprestando um brilho novo ao humor nativo. Posso dizer que todo o País já riu de mim, embora poucos tenham rido do que é meu.”

”Sou um crente, pois creio firmemente na descrença. ...Creio que a terra é chata. Procuro não sê-lo. ...Tudo o que não sei sempre ignorei sozinho. Nunca ninguém me ensinou a pensar, a escrever ou a desenhar, coisa que se percebe facilmente, examinando qualquer dos meus trabalhos.”

”A esta altura da vida, além de descendente e vivo, sou, também, antepassado. É bem verdade que, como Adão e Eva, depois de comerem a maçã, não registraram a idéia, daí em diante qualquer imbecil se achou no direito de fazer o mesmo. Só posso dizer, em abono meu, que ao repetir o Senhor, eu me empreguei a fundo. Em suma: um humorista nato. Muita gente, eu sei, preferiria que eu fosse um humorista morto, mas isso virá a seu tempo. Eles não perdem por esperar.”·

Ainda em 1968 escreve o texto do show “Momento 68”, promovido pela empresa Rhodia, que contou com a participação de Caetano Veloso, Walmor Chagas e Lennie Dale, entre outros.

No ano seguinte, participa do grupo fundador de “O Pasquim”.

Fernanda Montenegro estrela “Computa, computador, computa”, no Teatro Santa Rosa, no Rio, em 1972. Lança o livro “Esta é a verdadeira história do Paraíso” e também “Trinta anos de mim mesmo”, numa sessão de autógrafos denominada “Noite da contra-incultura”.

Em 1975, faz exposição de 25 quadros “em branco, mas com significado”, na Galeria Grafitti, no Rio.

No ano seguinte, escreve para Fernanda Montenegro a peça “É...”, que se tornou o grande sucesso teatral de Millôr ao ser encenada no Teatro Maison de France, no Rio.

Em 1977, realiza nova exposição de seus trabalhos no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro.

Adapta, no ano seguinte, para o formato de musical a peça “Deus lhe pague”, de Joracy Camargo, que contou com Bibi Ferreira na direção e com músicas de Edu Lobo e Vinicius de Moraes. É homenageado pelo 5º Salão de Humor de Piracicaba (SP), mas “exige” que a honraria seja “para todos os humoristas na pessoa de Millôr Fernandes”. Em Brasília, para o Museu da Moeda, localizado no Banco Central do Brasil, produz quatro painéis que contam a
história do dinheiro.

Estréia no Teatro dos Quatro, Rio, a peça “Os órfãos de Jânio”, em 1980.

Publica “Desenhos”, uma compilação de seus trabalhos gráficos, com textos de apresentação de Pietro Maria Bardi e Antônio Houaiss, em 1981.

O ano de 1982 é de muito trabalho. O autor escreve e publica a peça “Duas tábuas e uma paixão”. Traduz a opereta “A viúva alegre”, de Franz Lear, apresentada no Teatro Municipal do Rio de Janeiro. Tetê Medina monta “A eterna luta entre o homem e a mulher”, no Teatro Clara Nunes – Rio. Escreve a adaptação de “A chorus line”, encenado por Walter Clark. Estréia “Vidigal: Memórias de um sargento de milícias”. São dele, nessa peça, os cenários, figurinos e letras, musicadas por Carlos Lyra. Com Flávio Rangel, escreve e representa o espetáculo “O gesto, a festa, a mensagem”, na TV Record de São Paulo. Deixa a revista “Veja”.

Em 1983, é homenageado pela Escola de Samba Acadêmicos do Sossego, de Niterói (RJ). Millôr não comparece ao desfile. Passa a colaborar com a revista “Istoé”.

Lança “Poemas”, em 1984. Estréia o musical “O MPB4 e o dr. Çobral vão em busca do mal”.

No ano seguinte, colabora com o Jornal do Brasil. Lança o “Diário da Nova República”. É montada a peça “Flávia, cabeça, tronco e membros” no Teatro Ginástico – Rio.

Passa a usar o computador para escrever e desenhar, em 1986. Escreve, com Geraldo Carneiro e Gilvan Pereira, o roteiro do filme “O judeu”, dirigido por Jom Tob Azulay, baseado na vida de António José da Silva. Rodado em Portugal, só seria concluído em 1995.

”L’anné 82 au Brésil: le regard critique de Millôr Fernandes” (O ano de 82 no Brasil: o olhar crítico de Millôr Fernandes), é o tema de tese de doutoramento de Françoise Duprat na Universidade de Toulouse-Le Mirail II, França, em 1987.

No ano seguinte, lança “The cow went to the swamp / A vaca foi para o brejo”. Na Universidade de São Paulo (USP), Branca Granatic defende, na dissertação de mestrado, “Os recursos humorísticos de Millôr Fernandes”.

Em 1990, nasce seu neto, Gabriel, filho de Ivan.

Deixa a revista “Istoé” e o Jornal do Brasil, em 1992.

No ano de 1994, lança “Millôr definitivo — A bíblia do caos”.

Escreve a peça “Kaos”, Adapta para a Rede Globo “Memórias de um sargento de milícias”. A partir de um argumento de Walter Salles, escreve o roteiro “Últimos diálogos”, em 1995.

Em 1996, passa a colaborar nos jornais “O Dia” (RJ), “O Estado de São Paulo” (SP) e “Correio Braziliense” (DF). Neste último, trabalharia somente até o fim do ano.

Em 1998, em parceria com Geraldo Carneiro e Jom Tob Azulay, assina o roteiro de “Mátria”.

No ano seguinte, começa a adaptar “Os três mosqueteiros”, de Dumas, para o formato de musical, trabalho que não chegou a ser concluído.

Em 2000, escreve o roteiro de “Brasil! Outros 500 — Uma PoopÓpera”, que teve sua estréia no Teatro Municipal de São Paulo. O espetáculo contava com músicas de Toquinho e Paulo César Pinheiro e arranjos de Wagner Tiso. Deixa de colaborar com “O Estado de São Paulo” e “O Dia”. Passa a colaborar com coluna semanal na “Folha de São Paulo”. Lança o site “Millôr On Line” (http://www.millor.com.br) .

No ano seguinte, deixa a “Folha de São Paulo” e volta ao “Jornal do Brasil”.

Em 2002, publica “Crítica da razão impura ou O primado da ignorância”, em que analisa as obras “Brejal dos Guajas e outras histórias”, de José Sarney, e “Dependência e desenvolvimento na América Latina, de Fernando Henrique Cardoso. Deixa de colaborar, em novembro, com o “Jornal do Brasil”.

Em 2003, ilustra “O menino”, volume de contos de João Uchoa Cavalcanti Netto, e faz cem desenhos para uma nova compilação das “Fábulas fabulosas”.

Em 2004, lança pela Editora Record, “Apresentações”.

Em meados de agosto de 2004 é anunciado seu retorno às folhas da revista semanal “Veja”, a partir de setembro daquele ano.

Tempos atrás um jornal publicou que Millôr estava todo cheio de si por ter recebido, em sua casa, uma carta de um leitor com o seguinte endereçamento:

"Millôr
Ipanema"

É a glória!

Mestre Millôr Fernandes, 88 anos, deixou a Clínica São Vicente, no Rio de Janeiro, onde havia sido internado no início de fevereiro, devido a um AVC. Se recupera em sua casa.


Textos extraídos de livros do autor, da Internet, do CD "Em busca da Imperfeição", de 1999, produzido pela Neder & Associados e dos “Cadernos de Literatura Brasileira – Instituto Moreira Salles.

Esse gênio brasileiro faleceu no dia 27/03/2012 na cidade do Rio de Janeiro.

LIVROS DO AUTOR:

Prosa:

- "Eva sem costela – Um livro em defesa do homem" (sob o pseudônimo de Adão Júnior) - 1946 - Editora O Cruzeiro.

- "Tempo e contratempo" (sob o pseudônimo de Emmanuel Vão Gogô) - 1949 - Editora O Cruzeiro.

- "Lições de um ignorante" - 1963 - J. Álvaro Editor

- "Fábulas Fabulosas" - 1964 - J. Álvaro Editor. Edição revista e ilustrada – 1973 - Nórdica

- "Esta é a verdadeira história do Paraíso" - 1972 - Livraria Francisco Alves

- "Trinta anos de mim mesmo" - 1972 - Nórdica

- "Livro vermelho dos pensamentos de Millôr" - 1973 – Nórdica. Edição revista e ampliada: Senac – 2.000.

- "Compozissõis imfãtis" - 1975 - Nórdica

- "Livro branco do humor" - 1975 – Nórdica

- "Devora-me ou te decifro" – 1976 – L&PM

- "Millôr no Pasquim" - 1977 – Nórdica

- "Reflexões sem dor" - 1977 - Edibolso.

- "Novas fábulas fabulosas" - 1978 – Nórdica

- "Que país é este?" - 1978 – Nórdica

- "Millôr Fernandes – Literatura comentada". Organização de Maria Célia Paulillo – 1980 Abril Educação

- "Todo homem é minha caça" - 1981 - Nórdica

- "Diário da Nova República" - 1985 – L&PM

- "Eros uma vez" – 1987 – Nórdica – Ilustrações de Nani

- "Diário da Nova República,v. 2" - 1988 – L&PM

- "Diário da Nova República, v. 3" – 1988 – L&PM

- "The cow went to the swamp ou A vaca foi pro brejo" – 1988 - Record

- "Humor nos tempos do Collor" (com L. F. Veríssimo e Jô Soares) – 1992 – L&PM

- "Millôr definitivo - A bíblia do caos" - 1994 – L&PM

- "Amostra bem-humorada" – 1997 – Ediouro – Seleção de textos de Maura Sardinha

- "Tempo e contratempo (2ª edição) – Millôr revisita Vão Gogô" - 1998 - Beca.

- "Crítica da razão impura ou O primado da ignorância – Sobre Brejal dos Guajas, de José Sarney, e Dependência e Desenvolvimento na América Latina, de Fernando Henrique Cardoso" – 2002 – L&PM

- "100 Fábulas Fabulosas" – 2003 – Record

- "Apresentações" – 2004 – Record.

- "Abecedário do Millôr para crianças" - 2004 - Nova Fronteira, com Guto Lins e Susan Johnson

- "Pif Paf 40 anos depois" - 2005 - Argumento, com Ziraldo, Claudius e outros

Poesia:

- "Papaverum Millôr" – 1967 – Prelo. Edição revista e ilustrada: 1974 – Nórdica

- "Hai-kais" – 1968 – Senzala

- "Poemas" – 1984 – L&PM


Artes visuais:

- "Desenhos" – 1981 – Raízes Artes Gráficas. Prefácio de Pietro Maria Bardi e apresentação de Antônio Houaiss.


PEÇAS DE TEATRO:

Publicadas em livros:

- "Teatro de Millôr Fernandes (inclui Uma mulher em três atos [1953], Do tamanho de um defunto [1955], Bonito como um deus [1955] e A gaivota [1959])" – 1957 –Civilização Brasileira

- "Um elefante no caos ou Jornal do Brasil ou, sobretudo, Por que me ufano do meu país" – 1962 – Editora do Autor

- "Pigmaleoa" – 1965 – Brasiliense

- "Computa, computador, computa" – 1972 – Nórdica

- "É..." – 1977 – L&PM

- "A história é uma istória" – 1978 – L&PM

- "O homem do princípio ao fim" – 1982 – L&PM

- "Os órfãos de Jânio" – 1979 – L&PM

- "Duas tábuas e uma paixão" – 1982 – L&PM (nunca encenada)

Não editadas:

- "Diálogo da mais perfeita compreensão conjugal" - 1955

- "Pif, tac, zig, pong"– 1962

- "A viúva imortal" – 1967

- "A eterna luta entre o homem e a mulher" – 1982

- "Kaos" – 1995 (leitura pública em 2001 – nunca encenada)


ESPETÁCULOS MUSICAIS:

- "Pif-Paf – Edição extra!" – 1952 (com músicas de Ary Barroso)

- "Esse mundo é meu" – 1965 (em parceria com Sérgio Ricardo)

- "Liberdade liberdade" – 1965 (em parceria com Flávio Rangel)

- "Memórias de um sargento de milícias" - 1966 (com músicas de Marco Antonio e Nelson Lins e Barros)

- Momento 68 – 1968

- Mulher, esse super-homem – 1969

- Bons tempos, hein?! – 1979 (publicada pela L&PM - 1979 - Porto Alegre)

- Vidigal: Memórias de um sargento de milícias – 1982 (com músicas de Carlos Lyra)

- De repente – 1984

- O MPB-4 e o Dr. Çobral vão em busca do mal – 1984

- Brasil! Outros 500 – Uma PopÓpera (com músicas de Toquinho e Paulo César Pinheiro)


TRADUÇÕES:

Romances:

- A estirpe do dragão (Dragon seed), de Pearl S. Buck - 1942 - José Olympio Editora - Rio de Janeiro.

- Nunca saí de casa (I never left home), de Bob Hope - 1945 - O Cruzeiro - Rio de Janeiro.

Textos teatrais:

1958 – "A fábula de Brooklin – Gente como nós", de Irwin Shaw.

1960 - "O prodígio do mundo Ocidental", de John M. Synge.

1961 - "Megera domada", de W. Shakespeare.

1961 – "O velho ciumento", de Miguel de Cervantes.

1963 – "Mary, Mary", de Jean Kerr.

1963 – "Pigmaleão", de G. Bernard Shaw.

1963 – "As preciosas ridículas", de Molière.

1965 - "Pequenos assassinatos", de Jules Feiffer.

1965 – "A mulher de todos nós", de Henri Becque.

1965 - "Escola de mulheres", de Molière.

1967 - "Lisistrata", de Aristófanes.

1967 – "Negra meobem", de François Campaux.

1967 – "O assassinato da irmã Geórgia", de Frank Marcus.

1967 - "Marat Sade", de Peter Weiss.

1967 - "A volta ao lar", de Harold Pinter.

1967 - "Blecaute", de Frederic Knott.

1968 - "A cozinha", de Arnold Wesker.

1970 – "Rapazes da banda", de Mart Crowley.

1971 - "As eruditas", de Molière.

1972 - "Antigamente", de Harold Pinter.

1974 - "Antígona", de Sófocles.

1975 - "Os filhos de Kennedy", de Robert Patrick.

1976 - "Senhor Puntila e seu criado Matti", de Bertold Brechet.

1976 – "Vivaldino, servidor de dois amos", de Carlo Goldoni.

1977 - "A calça", de Carl Sternheim.

1978 - "Quem tem medo de Virginia Wolf?", de Edward Albee.

1979 - "Afinal, uma mulher de negócios – Liberdade em Bremen", de R. W. Fassbinder.

1979 - "Palhaços de ouro", de Neil Simon.

1980 – "O rei Lear", de W. Shakespeare.

1980 - "De quem é a vida, afinal?", de Brian Clark.

1980 - "Gata em telhado de zinco quente", de Tennessee Williams.

1980 - "A carta", de Somerset Maugham.

1980 - "Ó, Calcutá!", de Kenneth Tynan.

1981 - "As lágrimas amargas de Petra von Kant", de R. W. Fassbinder.

1981 – Bunny’s Bar, de Josiane Balasko.

1981 - "As alegres matronas de Windsor", de W. Shakespeare.

1981 - "A senhorita de Tacna", de Mario Vargas Llosa.

1982 - "Chorus line", de de Michael Bennet.

1982 – "Casamento branco", de Tadeusz Rozewicz.

1982 – "Hedda Gabler", de Henrik Ibsen.

1982 - "A viúva alegre", de Franz Lehar.

1983 - "A falecida senhora sua mãe", de George Feydeau.

1983 - "Piaf", de Pam Gems.

1983 - "O jardim das cerejeiras", de Anton Tchekov.

1983 - "Boa noite, mãe", de Marsha Norman.

1984 - "Grande e pequeno", de Botho Strauss.

1984 - "Pô, Romeu!", de Efraim Kishon.

1984 - "Hamlet", de W. Shakespeare.

1984 - "Tio Vânia", de Anton Tchekov.

1984 – "Dédalo e Ícaro", de Dario Fo.

1984 – "O sacrifício de Isaac", de Dário Fo.

1984 – "A tigresa", de Dário Fó.

1984 – "Gilda, um projeto de vida", de Noel Coward.

1984 - "Madame Vidal", de Georges Feydeau.

1985 - "Fedra", de Jean Racine.

1985 - "O feitichista", de Michel Tournier.

1985 - "Imaculada", de Franco Scaglia.

1985 - "Sábado, domingo e segunda", de Edoardo de Filippo.

1985 - "Assim é, se lhe parece", de Luigi Pirandello.

1986 - "Quarteto", de Heiner Müller.

1986 – "Quatro vezes Beckett", de Samuel Beckett.

1986 – "Ensina-me a viver", de Collin Higgins.

1987 - "O preço", de Arthur Miller.

1987 - "Filumena Marturano", de Edoardo de Filippo.

1987 - "Vestir os nus", de Pirandello.

1988 - "Encontrarse", de Pirandello.

1987 – "La mamma ou O belo Antônio", de Vitaliano Francatti.

1994 - "Don Juan, o convidado de pedra", de Molière.

1996 - "Anna Magnani", de Armand Meffre.

1996 – "Paloma", de Jean Anouilh.

1996 – "Master class", de Terence McNally.

1999 - "Últimas luas", de Furio Bordon.

2001 – "Fim de jogo", de S. Beckett.

Traduções para o teatro publicadas:

- "A megera domada", de W.Shakespeare - 1965 - Letras e Artes

- "Sr. Puntila e seu criado Matti", de B.Brecht - 1966 - Civilização.Brasileira

- "O prodígio do mundo ocidental", de John M. Synge - 1968 – Braziliense

- "Escola de mulheres", de Molière - 1973 – Nórdica

- "Os filhos de Kennedy", de R. Patrick - 1975 – Nórdica

- "A volta ao lar", de Harold Pinter – 1976 – Abril Cultural

- "Lisistrata", de Aristófanes – 1977 – Abril Cultural

- "O rei Lear", de W. Shakespeare – 1981 – L&PM

- "A senhorita de Tacha", de Mário Vargas Llosa – 1981 – Francisco Alves

- "Afinal, uma mulher de negócios – Liberdade em Bremen", de R. W. Fassbinder – 1983 – L&PM

- "As lágrimas amargas de Petra von Kant", de R. W. Fassbinder – 1983 – L&PM

- "Hamlet", de W. Shakespeare – 1984 – L&PM

- "Fedra", de J. Racine – 1985 – L&PM

- "Don Juan, o convidado de pedra", de Molière – 1994 – L&PM

- "As alegres matronas de Windsor", de W. Shakespeare – 1995 – L&PM

- "Antígona", de Sófocles – 1996 – Paz e Terra

- "As eruditas", de Molière – 2003 – L&PM.


FÁBULA:

- "A ovelha negra e outras fábulas", de Augusto Monterroso – 1983 – Record, ilustrações de Jaguar.


HUMOR:

- "A completa lei de Murphy", de Arthur Bloch – 1996 – Record – ilustrações de Jaguar.


EXPOSIÇÕES:

1957 - Exposição no Museu de Arte Moderna - Rio.

1961 - Exposição na Petite Galerie - Rio.

1975 - Exposição de desenhos na Galeria Grafitti - Rio.

1977 - Exposição "Visão da Terra" no Museu de Arte Moderna - Rio.


MULTIMÍDIA:

2000 - "Em Busca da Imperfeição" - CD-Rom - Neder & Associados / Oficina / Universo Online (UOL).


ROTEIROS PARA O CINEMA:

Individuais:

1952 – "Modelo 19". Lançado como “O amanhã será melhor”, também conhecido como “Uma ponte de esperança”. Direção de Armando Couto.

1960 – "Amor para três". Direção de Carlos Augusto Christensen.

1960 – "Ladrão em noite de chuva". Direção de Armando Couto.

1962 – "Esse Rio que eu amo". Direção de Carlos Augusto Christensen.

1965 – "Crônica da cidade amada". Direção de Carlos Augusto Christensen.

1967 – "O menino e o vento". Direção de Carlos Augusto Christensen.

1995 – "Últimos diálogos". Ainda não filmado (2004).

Em parceria:

1995 - "O judeu". Com Geraldo Carneiro e Gilvan Pereira. Direção de Jom Tob Azulay.

1998 - "Matria”. Com Geraldo Carneiro e Jom Tob Azulay (Ainda não filmado – 2004).

Colaboração:

1995 – "Terra estrangeira". Direção de Walter Salles e Daniela Thomas (diálogos adicionais).


ADAPTAÇÃO PARA A TELEVISÃO:

- "Memórias de um sargento de milícias". Baseado no musical “Vidigal”. Direção de Mauro Mendonça Filho, Rede Globo de Televisão – 1995.


INTERNET:

2000 – Millôr Online (http://www.millor.com.br).


ILUSTRAÇÕES:

- "Maurício, o leão de menino", de Flávia Mari. São Paulo - 1981 – Summus.

- "Sapomorfose ou O príncipe que coaxava", de Cora Rónai. Rio de Janeiro – 1983 – Salamandra.

- "O caderno rosa de Lori Lamby", de Hilda Hilst. São Paulo – 1990 – Massao Ohno.

- "Retrato do artista quando coisa", de Manuel de Barros. Rio de Janeiro - 1998 - Editora Record

- "O menino", de João Uchoa Cavalcanti Netto. Rio de Janeiro – 2003 – Editora Rio.


COMPOSIÇÃO MUSICAL:

1966 – "O homem". Apresentada por Nara Leão no II Festival de Música Brasileira, da TV Record de São Paulo.


Textos extraídos de livros do autor, da Internet , do CD "Em busca da Imperfeição", de 1999, produzido pela Neder & Associados e dos “Cadernos de Literatura Brasileira – Instituto Moreira Salles.

Fonte: http://www.releituras.com/


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