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Venho de uma pequena ciência.
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“Este lugar não existe, fica na Arábia Saudita, no deserto.
Gosto do deserto.
Levei tábuas e pregos.
Ferramentas, as belas ferramentas dos homens.
Levei água, víveres, sementes.
Não eram sementes de trigo ou aveia, nem de cravos – também não eram sementes de máquinas.
As belas máquinas dos homens.
Não me lembro se fui pelo ar.
Não me lembro da lenta e progressiva despedida, quando se anda pelas terras, o labirinto doloroso, a alegria, quando se vai pelas terras, e nos despedimos, primeiro de um corpo, depois de um sítio, depois de um odor, uma luz, uma voz, os arrabaldes, os sinais, as palavras, as temperaturas.
Não me lembro de quando se vai deixando.
Foi portanto pelo ar.
Levei tudo para experimentar o deserto.
Comprei tábuas, água, sementes, ferramentas – as belas ferramentas.
Tenho uma pequena ciência.
Aprendi.
Vamos lá ver esse lugar que não existe, na Arábia Saudita, no deserto.
Ficava no meio.
No meio é bom – há uma coisa que se chama à volta.
Serve para estar bem só.
Comprei tábuas, sementes e águas.
Não era trigo, nem cravos, nem sementes de cores, das cores que amamos com uma dor no corpo.
Eram sementes de cabeças de crianças.
Tenho uma pequena ciência.
Fiz como nos livros.
Dividi-me em sete dias.
Com os meus dez dedos enchi os dias, e depois com os meus ouvidos e o meu coração sôfrego.
Da minha virgindade dos desertos tirei a minha ciência dos desertos.
Espalhei os dez dedos pelos dias e, primeiro, criei os céus e as areias daquele lugar que não havia.
Depois, os dois luzeiros: um para o dia e o outro para a noite do deserto.
No terceiro dia, fiz uma casa com um alpendre e uma cadeira no alpendre.
Foi então que senti o sangue a bater na minha noite e soube do sinistro silêncio de toda a minha vida, e era o quarto dia.
No quinto, lancei às areias, a toda a volta da casa, até onde podia, todas aquelas sementes que não eram de cravos, nem de trigo, nem de algodão – as sementes –, lancei à minha volta o futuro nascimento, e fiquei no meio do nascimento, cercado pelo futuro nascimento.
Depois pensei, como pode pensar um animal criador extenuado, porque eu tinha-me criado a mim mesmo, e era uma criatura quente e exausta, e estava cheio da dor e da alegria da minha obra – era então o sexto dia.
E no sétimo dia vi que tudo tinha um sentido, e sentei-me na minha casa, no meu alpendre, na minha cadeira.
Pela escrita tinha eu pois chegado ao sétimo dia, ligando tudo, ligando o que não é como que visível mas é como que audível, semelhante às correntes de água subterrânea que o nosso corpo solitário sente deitado sobre a terra.
Estava sentado na cadeira criada no terceiro dia, rodeado pela sementeira do quinto dia.
Era uma sementeira de cabeças de crianças.
Não serão nabos ou rosas?, perguntei no ervanário.
Não eram.
Porque principiaram a sair da areia na tarde do sétimo dia, e floresceram, sombrias e doces cabeças de crianças – era terrível.
Seriam verdes-garrafa?
Cabeças de crianças do tamanho de cabeças de crianças – vivas, oscilantes, latejantes sobre os pedúnculos que irrompiam do deserto, à volta da minha casa, do meu alpendre, da minha cadeira, do meu coração que nunca mais dormiria.
Começaram então a sussurrar – e eu pensei: a aragem do fim do sétimo dia passa sobre um campo de corolas verdes, como no mundo, e há o sussurro vegetal, o ondular verde-garrafa, em frente da casa de um proprietário como no mundo.
Mas eram cabeças de crianças.
E as minhas tábuas e pregos e víveres, a minha água e a cadeira, e o meu coração, estavam cercados pelo sussurro das cabeças das crianças.
Eu nunca mais dormiria – era de noite, era agora a minha noite.
E então elas começaram a cantar – na minha noite.
Eu estava sentado na cadeira, no alpendre, na casa – e as vozes levantavam-se, eram altas, altas, inocentes e terríveis, cada vez mais belas, mais sufocantes.
No deserto.
O meu coração nunca mais dormiria.
Não serão cravos, ou nabos, ou máquinas?, perguntei no ervanário.
Eram cabeças de crianças.”

Herberto Helder
















Criado em: 29/6 18:49
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Re: Please
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Hakuna Matata (be happy)

Criado em: 29/6 17:55
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Re: Em um mundo de zumbis e sombras
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Se só rigorosamente mortos compõem museus, morto vivo eu sou ...













Criado em: 13/4 16:53
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Em 1915, Einstein imaginou isto.
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Uma fotografia de algo que um homem, um único homem, sonhou e imaginou há 100 anos. Em 1915, Albert Einstein imaginou isso. Esta ideia de que um grande peso, transforma a geometria. Que quando a massa é muito pesada, nasce um buraco, um misterioso buraco, de onde nada consegue escapar e para onde tudo é absorvido", frisou.


Pela primeira vez na História, a Humanidade conseguiu captar a imagem de um buraco negro, um dos maiores mistérios do Universo com o uso de toda a tecnologia existente e tendo como prato de telescópio todo o planeta Terra, já que foram usados em simultâneo oito telescópios situados desde a Espanha à Antártida, ao México, Awaii e North América




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Leia mais: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=320746 © Luso-Poemas

By Leah Crane

We have peered into the abyss for the very first time. The Event Horizon Telescope (EHT), which uses a network of telescopes around the globe to turn all of Earth into an enormous radio telescope, has taken the first direct image of a black hole.

The light that makes up the image is not coming from the black hole – black holes do not emit any light, hence the name. Instead, the image shows the black hole’s silhouette against a background of hot, glowing matter that is being inexorably pulled in by its powerful gravity.

In 2017, the eight telescopes of the EHT collaboration observed two supermassive black holes: the one at the centre of our galaxy, which is called Sagittarius A*, and the much larger behemoth at the centre of another galaxy called M87.


This image show the black hole in M87, which is 55 million light years away. “We’re looking at a region that we’ve never looked at before, a region that we cannot really imagine being there,” said EHT scientist Heino Falcke in a press conference today in Brussels. “It feels like looking at the gates of hell, the end of space and time.”

Read more: If you think black holes are strange, white holes will blow your mind
M87 is easier to observe because, while it is much farther away than Sagittarius A*, it is also much bigger and has less material swirling around it. The image may be blurry, but it is an incredible technical feat requiring observations all over the world with the very best radio telescopes.

“We’ve repurposed the entire Earth as a radio dish, it doesn’t get better than that unless we put something on the moon,” says Natarajan. “We are at the limits of our equipment and what we can do.”

The ring of light around the black hole looks a little lopsided, which is as expected. This comes from a prediction of Albert Einstein’s theory of general relativity: that the powerful gravitational pull of a black hole will actually bend light around it, making the light skimming the side of the black hole that’s rotating towards us appear brighter than the light on the side that’s spinning away.

Read more: Our galaxy’s supermassive black hole may be spewing matter right at us
Images of the event horizon are particularly important when it comes to testing general relativity, which governs the behaviour of gravity and very large objects. We know that it does not mesh with theories of quantum mechanics, which describes the very small, and the very edge of a supermassive black hole, where gravity is more intense than anywhere else we know of, is the best place to stress test that disconnect.

And this is the first direct evidence that event horizons are actually real. “The event horizon is very tantalizing, because once something passes the event horizon it seems like we can’t know anything about it,” says Natarajan. “It is the limit of what is known and what is unknowable.”

This first image is pushing back the limits of our knowledge. “We have been studying black holes for so long that sometimes it is easy to forget that none of us have ever actually seen one,” said France Córdova, the director of the National Science Foundation, at a press conference in Washington, DC. That is, none of us have seen one until now.

Read more: Earth-sized telescope set to snap first picture of a black hole; Einstein’s clock: The doomed black hole to set your watch by

Criado em: 10/4 16:07
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Re: como alguns cães atrás da tela House of the Dog,
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Criado em: 6/4 9:39
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Re: cão raivoso House of the Dog,
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Criado em: 6/4 9:38
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Mal resolvido
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Criado em: 4/4 21:52
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Re: Mais um caído sobre a navalha
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Criado em: 4/4 19:36
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Mais um caindo sobre a própria navalha
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Criado em: 4/4 19:34
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obrigado
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In silentio manere donec loqui tibi

Criado em: 28/3 13:01
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