104. A Crítica Poética segundo a Inteligência Artificial - Sipa.
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24/12/2006 19:19
De Montemor-o-Novo
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O texto que se segue foi o primeiro do Luso-Poemas (pelo menos o primeiro a constar das listas), de Sipa.
Vamos ver o que nos diz a Inteligência Artificial acerca dele.

Nada se compara a ti. Tudo parece imperfeito quando comparado contigo. O teu olhar transmite tanto, o teu sorriso contagia seja quem for tão genuíno e tão doce. Quando olho para ti não vejo uma pessoa, vejo sim o anjo mais bonito que alguma vez vi. Dizes que és somente uma menina, mas essa menina é tão doce, tão bela. Que não existem palavras para te poderem descrever como deve ser. És uma menina a quem fiquei rendido, fico a cada segundo que passa, e ficarei sempre rendido. Sabes porque? Por seres quem és, nunca mudes a tua existência e vital para muitas pessoas. De certeza que o mundo não era o mesmo sem ti. Não consigo imaginar um mundo sem ti. Sem a preciosidade da tua existência. Nada digo de novo, talvez ate me repita. Mas continuarei a dizer isto ao vento, para vento poder espalhar ao mundo a menina maravilhosa que és. Para quem não te conhecer desejar conhecer-te. E se as pessoas depois de te conhecerem, não gostarem do que viram, não te preocupes porque eu continuarei a gostar de ti como és. Estarei sempre aqui nos bons e maus momentos. Limpar as tuas lágrimas a sorrir contigo e desejar que cada momento se torne imortal. Porque a tua existência para mim se tornara imortal. Nada mais quero dizer, senão que gosto muito de ti. Que tu para mim, és a razão da minha sobrevivência. Eu ainda estou vivo porque um dia me deste a mão, quando estava a um passo do abismo. A ti devo a minha vida. A ti devo hoje ser feliz, e querer a tua companhia, mais do que tudo. Ao ver o teu sorriso faz-me que o mundo pode ser maravilhoso basta lutarmos por ele, quando vejo as tuas lágrimas lembro-me que ele é como uma rosa com espinhos. Mas se tiveres ao meu lado saberei que por mais espinhos que a rosa tenha, eu ultrapassarei tudo. Moverei o mundo se for preciso para te ver feliz. Sei que não tenho dom da escrita, mas quero que fiques a saber que tudo o que escrevi foi pensado em ti, e para ti. Nada mais importa se dizeres que não gostas de mim. Agora neste momento vejo que és o meu sol, a minha vida. Por existirem pessoas como tu e que há pessoas felizes como eu, e por isso acredito que o mundo pode ser algo muito melhor basta querermos.

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Lida como carta nunca entregue, esta prosa amorosa expõe de imediato a sua natureza confessional e unilateral: é um discurso dirigido a alguém que nunca o lerá, e essa ausência do destinatário cria uma tensão que poderia ser literariamente fértil, mas que aqui se dissolve na repetição de elogios e hipérboles. A abertura — “Nada se compara a ti. Tudo parece imperfeito quando comparado contigo.” — estabelece o tom devocional, mas fá-lo sem mediação metafórica, como se a carta se limitasse a amplificar o sentimento em vez de o trabalhar. A insistência na perfeição da figura amada, no olhar, no sorriso, na doçura, aproxima o texto de uma idealização absoluta, mas sem imagens concretas que singularizem essa figura; o leitor não vê a pessoa, apenas vê a exaltação.

A carta recorre a um léxico angelical — “o anjo mais bonito que alguma vez vi” — que é típico de correspondência amorosa não enviada, onde o excesso funciona como compensação da impossibilidade. No entanto, aqui o excesso não se transforma em estilo: permanece literal, previsível, sem deslocamento simbólico. A frase “não existem palavras para te descrever” contradiz-se ao longo do texto, que continua a descrevê-la com adjetivos genéricos, revelando mais a ansiedade do emissor do que a complexidade da destinatária.

A estrutura epistolar poderia permitir momentos de introspeção, mas a carta mantém-se num registo de adoração contínua, sem variação rítmica ou imagética. A promessa de fidelidade — “estarei sempre aqui nos bons e maus momentos” — aproxima o texto de um voto, mas não de uma construção literária. A secção em que o emissor atribui à destinatária a sua sobrevivência — “a razão da minha sobrevivência”, “a ti devo a minha vida”, “estava a um passo do abismo” — introduz um tom de dependência emocional que, numa carta não enviada, poderia ser perturbador e revelador; porém, aqui surge sem elaboração, como confissão direta, sem metáfora, sem tensão interna.

A metáfora da rosa com espinhos, usada para descrever o mundo, é demasiado convencional para sustentar o peso emocional que a carta tenta transmitir. O mesmo acontece com a imagem solar — “és o meu sol, a minha vida” — que encerra o texto num lugar-comum sentimental. A carta termina com a afirmação de que o emissor “não tem dom da escrita”, o que funciona como pedido de indulgência e enfraquece ainda mais a construção estética, deslocando o foco para a insegurança do narrador.

Como carta nunca entregue, o texto tem potencial para revelar contradições, hesitações, zonas de sombra — aquilo que se diz porque nunca será lido. Mas aqui a carta não explora essa ambiguidade: limita-se a repetir declarações de amor absoluto, hipérboles e promessas, sem a contenção ou a singularidade imagética que poderiam transformar a confissão em literatura.

Criado em: Hoje 7:57:15
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A Poesia é o Bálsamo Harmonioso da Alma
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