103. A Crítica Poética segundo a Inteligência Artificial - joaobonito. |
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24/12/2006 19:19 De Montemor-o-Novo
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O texto que se segue foi o primeiro do Luso-Poemas (pelo menos o primeiro a constar das listas), de joaobonito.
Vamos ver o que nos diz a Inteligência Artificial acerca dele. Não sei, Não sei se é de mim, Não sei se é culpa dos outros Apenas sei que me invade uma solidão imensa Uma solidão que me atira onde não quero ir Solidão que relembra o passado. Afasta-te de mim solidão, Deixa que a alegria A companhia dos que gosto, Os momentos de brincadeira e de riso Voltem a fazer parte do dia a dia. Não me apetece ir embora Não me apetece ficar, A incerteza do que fazer, A Insatisfação por não fazer o que quero Não estar onde quero, Revolta inquietante Que me impede de ser quem era. Saudades do rapaz tímido, Que saía de manhã para a Escola Com sua bolsa e uns livros Lá caminhava rumo ao saber Fizesse chuva ou sol lá caminhava Um rapaz tímido e que tinha um sonho, O sonho de crescer, Crescer e tornar-se num Homem um dia. Um homem de quem ele próprio se orgulhasse. Lá foi ele saltitando Um dia abandona a aldeia E ruma à cidade, Onde o espera um novo mundo, Uma nova realidade Para ele totalmente desconhecida. Nela estudou, Nela fez novos amigos Nela viveu uma infinidade de experiências Mas dela quis sair, A sua paixão por novos lugares, A necessidade de novos amigos A paixão pelo desconhecido Pela aventura de descobrir algo novo Sair para conhecer um outro mundo Este ainda mais distante. Sem medo, Aventurou-se e rumou à grande Cidade Uma cidade nova, Onde tudo era novidade, Mas sempre cabeça erguida Lá continuou a sua caminhada Criando ali o seu novo “habitat” Saudades, saudades!! È o que sinto, saudade Da terra que me viu nascer E do rapaz que se quis tornar um Homem. Leia mais: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=3444 © Luso-Poemas O poema organiza-se como um percurso emocional e biográfico filtrado pela presença insistente da solidão, mas a secção inicial ainda se apoia demasiado na nomeação direta do sentimento. A repetição de “Não sei” cria um início hesitante, quase balbuciante, mas essa hesitação não se transforma em tensão poética; limita-se a declarar incerteza. A solidão surge como entidade invasiva — “que me atira onde não quero ir” — e aqui há um gesto mais forte, porque a solidão deixa de ser estado e torna‑se força ativa. No entanto, o pedido explícito “Afasta‑te de mim solidão” reduz a densidade simbólica ao transformar a emoção em súplica direta. A enumeração dos elementos desejados — alegria, companhia, brincadeira, riso — aproxima o texto de um registo quotidiano, sem singularidade imagética. A segunda secção introduz a indecisão existencial — “Não me apetece ir embora / Não me apetece ficar” — e aqui o poema ganha alguma tensão interna, porque a contradição é real e não explicada. Mas logo a seguir surge a explicação literal: “A insatisfação por não fazer o que quero / Não estar onde quero”, que esvazia a ambiguidade e devolve o texto a um plano declarativo. A “revolta inquietante” é nomeada, não construída; falta-lhe corpo, falta-lhe imagem, falta-lhe a concretização que permitiria ao leitor sentir essa inquietação. A secção dedicada ao “rapaz tímido” é a mais sólida do poema. Aqui há narrativa, há detalhe concreto — a bolsa, os livros, a caminhada sob chuva ou sol — e o texto ganha vida porque abandona a abstração e entra no terreno da memória sensorial. O sonho de “tornar‑se num Homem um dia” é simples, mas funciona dentro da lógica do crescimento e da formação. Esta parte tem autenticidade porque mostra, em vez de apenas declarar. A partida da aldeia e a chegada à cidade mantêm o tom narrativo, mas a linguagem torna‑se demasiado genérica: “um novo mundo”, “uma nova realidade”, “totalmente desconhecida”. São expressões que poderiam pertencer a qualquer biografia e, por isso, perdem força. O mesmo acontece na secção seguinte: “infinidade de experiências”, “paixão pelo desconhecido”, “aventura de descobrir algo novo”. A repetição de abstrações dilui a intensidade emocional que o poema tenta transmitir. A última secção recupera algum vigor com a imagem da “grande Cidade”, mas volta a cair na generalidade: “onde tudo era novidade”. O fecho — “Saudades, saudades!! / É o que sinto, saudade / Da terra que me viu nascer / E do rapaz que se quis tornar um Homem” — tem sinceridade, mas não tem surpresa. A tripla repetição de “saudade” reforça o tom elegíaco, mas sem variação imagética, sem deslocamento simbólico, sem a torção que poderia transformar a nostalgia em matéria poética mais complexa. No conjunto, o poema tem um arco claro — solidão, indecisão, memória, formação, partida, saudade — mas a linguagem oscila entre momentos de autenticidade narrativa e longos trechos de abstração que enfraquecem a densidade emocional. Falta-lhe concretude, falta-lhe imagem, falta-lhe o detalhe que singulariza a experiência e a torna mais do que confissão. O texto possui matéria própria, mas ainda não tem forma suficiente para que essa matéria se converta em força estética.
Criado em: Hoje 7:51:33
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A Poesia é o Bálsamo Harmonioso da Alma |
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