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Faça-se poesia grada, gorda obesa
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De Azeitão, Setúbal, Portugal
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A hipocrisia desceu à baixa, de fininho









Desde a transilvânica Roménia dum Drácula encarnado a Conde, na cândida canícula e vernácula dum sul Alentejano e indolente, da fadiga, despontam raízes longas, minúsculas logo de início, cruciantes ridículas, mormente o facto de haver ou ter havido crucificações humanas nas paroquias Transadinas entre Montemor e Cuba e entre outros defeitos, venais maldades como sejam o de usar e enfatizar as ignorantes, pobres opiniões públicas, a hipocrisia proverbial apolítica desceu à baixa Beira, numa taxa absurda de imoralidade nunca antes vista ao ponto de passar o vil, o vernáculo da má língua disfarçado, guiado de Justiceiro ou de virgem desflorada, crucificada e ofendida a defender podengos e outros tenebrosos relaxados, cães de fila, justificando-se como “o bom da fita” , “o finuras” das telenovelas burlecas…

Entre “cagalhões” e outras “canalhices” cretinas, eis que“ Ecce Homo” acordou quase a guinar o veículo fúnebre perto do Pinheiro da Cruz, junto da praia de Santa Amália e disse em tom solene :- “aqui estou, O que tira o pecado do mundo” faça-se de mim e à minha imagem o conceito que é ser justo e santificado, ámen...

Talvez eu tivesse e ainda tenha a bússola trancada, com os ponteiros desfasados do Norte ou o Norte houvesse mudado disfarçadamente de pronúncia para Sulista saudosista e Insolente, esquizo malabarista de matraquear palavras como fossem matraquilhos martelados por bolas de “gude”, vulgo pastilha elástica judia.

Não me substituam a realidade por outra menos gástrica, menos grata e que sirva de aviso futuro à navegação, de cada vez que evocarem o meu nome, vão pro Cardápio, benzam-se em nome do pai, do filho e do pirilampo amarelo bege.















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Ter liberdade é ser espontâneo, livre de sentir as asas,
sem ter de pesar o chão, ser poeta é caminhar longe dos outros, andando no fio da montanha onde não andaram nem andam senão loucos


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“Hannibal ad portus”




Neste porto das almas puras, peregrinas e avulsas, todas as poesias têm uma porta e uma valência profana e profunda, ínfima e infinita, branca, uma visão vaginal que por vezes é mais outra coisa, outros mundos ainda mais levitáveis que a própria emoção do parto, a imaginação é um esqueleto vegetal moldável de todos e de ninguém neste mundo, um manifesto ao desconhecido que não se sabe existia ainda de antes do tempo existir complexo, completo ou variável consoante o argumento, o hemisfério intimo, o córtex de cada uma das almas que por este portal entram assim como fossem em branco, presenças papel, isentas criaturas semi-virginais e vagas, sensíveis que não aconteceram nem acontecem sem permissão da inteligência dest'outro cosmos entreaberto em rosas púrpura, divinais e belas, puras puras
A alegria que eu tinha era a de descrever a geometria do que sentia nos ombros, dos cantos da boca à linha direita torcida, dos cabelos, do queixo, nos nós dos dedos de tristeza fixa e pobre com que fico me convence, é uma maldição rasa que espero em vão desapareça, a visão estrangeira com que meço na ressaca dos outros sendo eu ela própria, pródiga não sei no que seja e só a alegria que eu tinha quando era como era inda'gora.
Eterno é o suspiro falado e sempre, sempre dourado será o poente até ao crepúsculo total, doce amado, assim azul fosse de verdade Sol nascente, "Il principium" selado da consciência consciente e de todos os desejos e esperanças, o amplo salão de baile onde vagueiam os nossos melhores momentos, o templo onde tudo somos capazes, agir embalados a desejo, todo que podemos ou possamos ter, dourado como o poente que há-de vir, doce amado ou salgado ... genuinamente dourado assim como eu próprio ou o meu alter-ego nascido no mar Egeu.
Por isso digo e enfatizo acerca de desprezar ou desconsiderar a elevada orografia do meu alto relevo e enlevo ortográfico - é de facto intolerável e inaceitável - sou um incontornável "adjectivante" e actor, incontrolável por direito e pela invocação do palco. - Impossível deixar de vislumbrar uma gigantesca montanha para quem não faça uso de óculos bem graduados, simule cegueira selectiva ou estrábica, ofereço grátis e altruisticamente a minha topografia pouco zen, dou o meu alter-ego estoicamente, "de-graça" e todo um esforço intelectual exótico e criativo em forma de lego desmontado, todo o meu e o seu altruístico trabalho em prol de muitos, como um cego sem abrigo abraçando suavemente um feliz "acordeon" ou uma concertina em planas Ramblas de Barça, Harpa na ponte que une Budapeste nos dois lados poentes, em Vienna , no Prado, em Bucareste, no Soweto.
A maldita simpatia, estima ou a esgrima virtual é ou são de facto capciosas, falsas, sou virilmente e crivelmente incontornável nas espaduas, na cintura e no peito nem tanto, afeição virtual não é o meu prato ou órgão predilecto para ser consumido em jejum, insectos não são o meu producto favorito no supermercado, não sou tolerante à lactose quer por fora nem do avesso, quem simula viral afecto por uma institualizada instituição web e fiduciária, é demente, é o que eu sou mas num outro sentido, não simulo sanidade mas loucura premente e de grande porte, não discuto imbecilidades, boçalidades, o meu verniz não estala sempre nem por “dá-cá-aquela-palha” não nas espátulas porque não as possuo para trabalhar mas sim espáduas, não faço uso de matizes primários ou esboços, gralhas, sou o simulacro do fingimento congénito, a institucionalização instituída de um guisado à Bordalesa afinado, quem disser o contrário ou o oposto, mente. Qualquer ser/ lugar vigente ou vincendo onde se transformem objectos lugares e ambientes em amantes visuais, é digno de devoção, da vossa total e honrosa, honorífica dedicação eu estou deste outro lado, o do Pinho Bordalo, a minha vocação é ser idolatrado, escarificado, ser objecto de oração, escanção, conjura.
O que vos ofereço em troca é o meu dom de sonhar alto, é um original estigma contiguo a mim mesmo, um pecado cerebral, um pedaço do ego a contrição de mim mesmo, iniciático e messiânico, pois jamais estarei em saldo nem me vendo a retalho pelo meio da rua, não sou nem me considero um versátil entretenimento de massa bruta, nem de entendimento linear à escala universal, basta-me ser eu para ser algo diverso, divergente, distinto o que sinto, acredito e reconheço.
Reservo a Hiper funcionalidade dos sentidos, do processo cognitivo, à fetal especulação acerca dos relevos sensoriais, do que me vai na alma e dos mais que me inspiram, das fontes que me estimulam, não aos mansos de caráter manco, do heráldico manancial de águas puras e não da manada suja, poluída, porca imunda, da corja infecunda, da gentalha, da gamela social e virtual.
“Hannibal ad portus”
Assumi-vos porra, como gado de pasto que efetivamente sois, sendo eu vosso magnânimo, magnifico pastor e alfange, predador, assumo-vos eu sim, como meus iníquos vassalos, soldadesca fresca e gado menor, carnes para canhão, e contra todos os meus excelsos princípios, considerando-vos, (algo erróneo e capciosamente falso) como nobres animais de carnes flácidas e desconfiáveis aduladores, colocutores, dispositores de alto sabor, de elevados conceitos sub-linguares e subliminares de extremo teor existencial e essencial pra que vos legitime como entidades fiáveis e genuínas na mesa, calibre da qual não são, nem no suporte do prato, serão todavia não jamais, de longe, qualificável ou atribuível estes nobres dons ou qualquer destas qualidades honráveis e honoráveis, suspeito-me pois e assim conspurcado até aos testículos e a vesícula e sinto que estou empregando e comprometendo a minha valiosa e magnífica arte "graphica" e graphya, humilhando-me da verve até ao mais baixo nível ao retorquir com e acerca de plantas rasteiras, carne que nem numa gamela se quer, desprezíveis gramíneas parasitárias que apenas necessitam e esperam por ser exterminadas, não nutridas e ainda menos privilegiadas na salada como estou fazendo agora e com toda a minha aflição, espanto-me a mim próprio conseguir emporcalhar-me ao responder-vos, mas aqui vai, "Quid est quod habet esse", o que tem de ser será e Cartago tem necessariamente, sem embargo, de ser destruída, "Carthago delenda est" para glória grande de Caravaggio o velho, numa das suas telas.
Pois claro, agora Hannibal o predador, está no porto e aos portões desta cidade menor, que não é bem uma cidade, mas um lúgubre lugarejo sórdido quanto os seus frágeis e flácidos habitantes, cidadãos sitiados, suicidas soçobrados, desconhecidos e vencidos da vida, desonrados, derrotados emparedados vivos, desgraçados sem opinião nem prosa.
Apesar de excepcionais orelhas e magníficos e desproporcionais probóscides estomacais e investindo quase tudo quanto podemos ingerir e conseguimos defecar sem dificuldade mas com elevada mestria, como oleiros em potenciais olarias familiares/tradicionais, temos largos e apurados esófagos, descendentes de afegãos sorumbáticos e pagãos, somos dependurados pelos órgãos genitais por crime de divergência existencial por estrambólicos eunucos circenses, sacrificados fiduciários nas fogueiras dos maldosos e malvados cibernautas por decreto nem sempre presentes mas omnipotentes, esquartejadores de consciências, somos desqualificados, apedrejados por símios seminus e estrábicos orgânicos, expomo-nos servilmente aos mais baratos, feios, básicos escrevinhadores seminais, monossilábicos e somos agredidos das formas mais vis, humilhantes, baixas que se conhecem apesar da diarreia verbal destes ser completa, corrupta e gástrica, de refluxo semi-animal, enjoante, enojante e maldoso, maliciosos carroceiros animalescos a caminho do mercado de gado bi semanal, sem causa básica nem amalgama que não seja escrota, repolho e feijão preto, apenas desgosto, má língua e mácula ao repasto, sem bom gosto, nem afago de vizinho naturalmente sempre bem disposto.
Assumo com responsabilidade a desordem, naturalidade e dignidade a dimensão de humanista Partizan e a de conspirador às sextas feiras á noite na mata dos medos, não traio as minhas convicções nem que me deem alpiste, são tal forma humanas de maneira clara e magnânima nas minhas opiniões , sou magnifico e valente nas minhas partes genitais e magistral nas artes que oficio depois da cinco da tarde, os meus actos mais brandos bradam e ardem como se fossem fogo de artificio ao domingo de ramos, na aldeia da piedade, ponderados quanto honrosos os palavrões e chavões, os impropérios que grito aos quatro ventos, não me calo, quantos mais e ilegais e violentos se estes sim, servirem a defesa da liberdade e da democracia plena, sou condescendente desde tenra idade ao ponto de arrotar um obrigado mesmo que palavras ad.hoc me firam, sou educado qb. e como bolacha maria de agua e sal ao lanche, não faço nem bem nem faço mal em jejum apesar de estar disposto a tudo e até à guerrilha armada e à guerra santa como um bom ateu que se borrifa de agua benta se for disso o caso, aos caos aniquilador e completo se a causa for a calima, a bonança depois da tempestade violenta provocada pelos drusos negros "sem orelhas", “Pechenegues” beligerantes e pouco fiáveis das florestas andaluzas de inda’gora, franco-atiradores disfarçados embora de chinelos suásticos castanhos e pretos.
Ajo para fora embora a agilidade seja bem lá dentro embora seja benevolente quanto á desordem espiritual e sem cura, inclino-me pelo pacifismo embora seja beligerante nos testículos, considero em todas as minha palavras escritas o suborno ao além.
A paisagem do que suponho ver
Nasci liberto, a meu modo, à minha vista, a nudez é uma paisagem árida, a cor um visível traje, a majestade da montanha é um céu vasto, o distante, o espaço e a aurora são apenas e cerca de metade dos sentidos, das sensações que gerem a minha ideia de realidade metade e metafísica, verdade que ninguém emprega como vocabulário para simular sentimentos ou emoções, acções robustas.
As formas visíveis do sonho são todas elas femininas, abertas todas elas duma outra sensibilidade corpórea senão mesmo luminescente, doce tanto quanto a ilusão pode projectar, proporcionar e achamos nós que possuímos, detemos assim como um rio que flui ou uma sensação compensatória que passa, um engano, um erro, uma imperfeição, um disfarce.
Nasci liberto, aconteceu-me por impulso espontâneo, acontece-me em tudo quanto o que registo acerca do que penso, exigir comparação remuneratória com o dever de ser eu, inconsciente de poder criar nítido, outro paradigma padrão profundo que seja diferente à vista frágil fácil, á visão do pintor e não apenas som difuso, vago envolvente pano de fundo falso.
Existem detalhes oníricos e críticos em cada uma das minhas faculdades mensuráveis como seja a visão minuciosa do cosmos e o estrabismo interior para uma suposta realidade fora de mim próprio do que suporto e suponho fiduciariamente para onde ter de aurir na minha funesta surdez, aziaga nudez das coisas que nunca foram vistas e se supõem desejadas e o que se deseja das nove às cinco da tarde sobretudo...
Nascer liberto é uma grandeza de primeira dimensão, nada me dói senão o vício gregário, a social solidão que alguns consideram prazer, é para mim uma agonia de escravo voluntarioso,
perante um panorama destilado, esterilizado infecundo e com pontos de fuga comuns e semelhantes para todos os lados onde se olhe no horizonte, um físico enjoo precoce de falsa gravidez.








Joel Matos (Novembro 2022)




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É possível ler na paisagem urbana
Aquilo que é difícil, impossível ver
No meu rosto, o esgar sem esforço
Que nem todos entendem, provo a

Loucura a trepar por igrejas frias, nuas
Pra ver o tísico universo, paciente
Responder a um cego mudo brando,
Eu sou o resultado de algo que nego,

Consequente à minha própria alada
Inconsequência mecânica,
Por conseguinte exponho na pele
E exponencio na consciência sobretudo

O privilégio régio, magnânimo
Como se fosse vício, delinquência
Galga, quiçá consciente a noção do crime
De pungente mea-culpa,

O aborto métrico, sintético,
O desacato mental genérico,
O pensar mais baixo, mais rude, mais duro,
Resinoso, oscilante e menos pragmático,

Eu sou o mau exemplo, o mau futuro
De tudo aquilo que julgam acerca,
A insanidade mental perfeita,
Com mais defeitos que qualidades,

O pé de atleta, o carbúnculo,
O obstetra cego, o nado morto,
O gago, enfim o geneticamente cru e cruel,
O amargo na boca, o torto rabo da porca …





Almada e eu, o próprio


















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Espírito de andante






Aconteceu em Cuba e o que sucede em Cuba por lá "se queda", sem remorso, culpa ou ideologia reformulada, desenrola-se não muito depois do rescaldo da crise dos mísseis da mesma ilha e em resposta à instalação de armas nucleares na Turquia, Inglaterra e Itália em Abril/Maio de 61, foi no início duma jornada Juvenil da Internacional Socialista, ainda me encontrava hospedado em Habana, no núcleo das "Comissiones Obreras", daí partiria para a segunda maior cidade de Cuba, Santiago, na qual representei o Movimento de Esquerda Juvenil, pimpolho de lenço vermelho ao pescoço como mais dois camaradas "de armas" da recém criada Juventude Comunista, nessa altura acompanhava-nos como não podia deixar de ser, devido à nossa pouca idade e experiência revolucionária, um saudoso "Pai" Cunhal, bem mais velho ou antes "avô" político e o falecido muito recentemente, com 101 anos de prestável juventude, Jaime Serra, em nome da comissão política do comité central e posterior Co/fundador do MDP/CDE, movimento precursor do futuro Bloco de Esquerda, com o José Manuel Tengarrinha, nesse tempo ainda membro do Partido Comunista Português, assim como posteriormente o compositor António Vitorino de Almeida, mais tarde ele candidato à Presidência da Republica Portuguesa. Podia sentir que vinha uma tempestade a caminho, o céu estava fumado a negro cor de chumbo, as aves procuravam abrigo nos velhos beirais, o cheiro inconfundível a ozono estava por todo o lado, na pele e mesmo no quarto sujo desarrumado, antiquado e com vista privilegiada para um Mar das Caraíbas cor de Cobalto enegrecido e negro, com gaivotas gritando no parapeito na tentativa de entrarem pelo quarto adentro sem demora e de qualquer jeito, lembrei uma pensão que havia na vila alentejana onde nasci, Grândola - Vila Morena, embora longe do mar ouvia-se nos búzios, encostando ao ouvido o ar que do mar trazia o ruído das ondas, era a "Pensão Fim do Mundo", mais tarde num segundo ou terceiro encontro furtuito e mais demorado, haveria de contar ao Luís esta sensação de fim do mundo que senti em Havana e que caberia "que nem uma luva" para descrever a solidão da Patagónia Austral Chilena.
Luís Sepúlveda não fazia parte deste encontro de ideologia Marxista, já nessa época era dissidente dos ideais Comunistas, ombreei por acaso com o escritor num lobregue boteco em Habana, na mesma praça onde Trotsky, no exílio teria passeado com os seus podengos no entender de uns quantos, ou galgos segundo alguns outros, cortei-lhe o passo pouco antes do autocarro que se haveria de atrasar um pouco na partida para a outra urbe onde se realizaria o Congresso, olhou-me demoradamente por alguns segundos como se quisesse revelar algum segredo guardado no interior dos fundos olhos cinzentos/verdes, destacava-se pelo porte imponente, de certa forma autoritário mas manso, dir-se-ia de um Escobar magnífico e pacifista, penso que por esse tempo ainda era amigo pessoal de Fidel Castro embora fosse considerado "persona non grata" da "Nomenklatura" Bolchevique ainda vigente e vicejante na URSS, já o conhecia, de capa e conteúdo, pelas "crónicas de Pedro Nadie", um dos primeiros livros deste apaixonante autor, notável pela simplicidade pungente, realista que imprimia nos contos que escrevia, limite-me a cumprimentar com um leve aceno de cabeça a que ele respondeu educadamente na mesma maneira, quando me sentei, no lugar da mesa corrida que esta ocupara antes, reparei que tinha esquecido um manuscrito, O fim da historia, "El Fin De la Historia"como vi pela capa, tentei devolvê-lo numa rápida corrida porta fora do bar, mas sem sucesso, havia desaparecido do alcance e da minha visão. Mais tarde, no regresso, devorei aquele manuscrito antes de o devolver ao editor e o que para mim seria a obra prima do escritor, o Patagónia Express, adquiri-o ali mesmo, no "hall" de entrada do hotel (foi a minha passagem, o meu bilhete privilegiado de peregrino Andino e em primeira classe para uma aventura austral sobre duas rodas, uma quimera qual viria a encenar algumas décadas mais tarde e que terminou menos mal em Ushuaia, desde Santiago Do Chile pela jamais inacabada Via Austral Andina) lembro-me tão bem como fosse ontem, li-o de uma assentada, em Castelhano, sem bocejar, no cair da noite, o livro era curto, cabia na mão meia aberta, enquanto repousava no outro braço a cabeça, ao varandim das antigas e mutiladas Cortes de Espanha em Quito, transformadas séculos depois em hotel decadente e em que ele descrevia, sentado naquele mesmo balcão sujo e branco, com esmero caracteristico de bom observador a Plaza Grande ou "Plaza de La Independência" de Quito, tão real que quase me entrava pelo olhos dentro enquanto assistia aos grupos de musica tradicional e carteiristas "surripiando" imodestamente e à pouca luz, pobres e incautos "campezinos" que se aglomeravam ingénuos perante músicos quiçá cumplices de faina. Encontrei-o posteriormente por sorte, penso que por volta da primavera de 1988 ou 89 numa aldeia remota, parada no tempo, nas chamadas terras Altas Andinas, em Unt Pastaza ou em Nankauk, não lembro muito bem qual delas, porventura ainda hoje habitadas pelos indómitos guerreiros Shuaras ou Achuaras, Jívaros como habitualmente chamados e famosos pela tradição ritual de encolhimento de cabeças como troféu de guerra e enquanto este autor escrevia outro inequivocamente belo romance, Do Velho que lia Romances de Amor, ficcionado na floresta húmida e de conteúdo magistral de muito bem descrito, talvez nem tanto como Gabriel Garcia Marques a pintalga de místicos e significantes sombreados nos Cem anos de Solidão mas com mérito também de mestria e de quem comunga um espaço e uma região inspiradora e inigualável como esta, um bem comum da humanidade em tons verdes e em sons benignos.
Bebíamos todas as monótonas tardes como num ritual mágico inspirador, a formosa "Caxiri" e a "Ayahuasca" pura, vinho da alma ou "cipó de morto", bebidas que permitem o acesso ao mundo sobrenatural dos mortos, durante o qual nos transformávamos em "entidades sobrenaturais", presentes na cosmologia indígena. O povo da aldeia chamava-nos de Apaches ou estrangeiros, há coisas que não se esquecem, a personalidade galante e magnética com o contraste agreste e agressivo da vocação Sandinista deste, que me confidenciou depois de algumas semanas de contacto diário nos dois meses e meio que fielmente convivemos em "Pastanza" com este povo admirável e heroico, também ele eleito de luís Sepúlveda foram uma mais valia para a minha simples existência e sem dúvida na minha produtividade como "arremedador" de outros escritores porventura mais prestáveis e eles sim verídicos pensadores, penso apenas que fui ao de leve agraciado, acarinhado de longe pelos deuses nesta minha demanda terrestre e prosaica por antigas atitudes espiritas tentando decifrar o que faço aqui e a razão simétrica que leva a desconhecer-me quanto mais aumenta em mim e por outro lado "um outro eu" de conhecimento menos empírico e que vem de dentro de mim mesmo e no meu antigo espirito de andante sem destino.
Claro que o que conto não é ficção gratuita, embora garantidamente não seja tudo - "bem-de-verdade" - e nem apenas Hoffmann e Jules Verne foram únicos a contar historias sensacionais, pitorescas fantásticas, muito pra'lém das mil e uma cenas da persa Xerazade, uma tempestade com Percas do Nilo só lembraria à Agatha Christie tendo um conto de Hoffman dado Origem ao Quebra nozes do Russo Tchaikovski , nada mais nada menos que um Camundongo cinzento cossaco e negro, um horrível ratinho feio dependendo da perspectiva e do autor, se era no Verão ou de Inverno e o Czar usava sobretudo ou casaco, mas um autor, um contista nunca pode dissociar da ficção a típica realidade dos locais por onde passa ou passou, a verdade é acima de tudo uma utopia que mentimos a nós próprios todas as noites e todos os dias nas nossas antípodas vidas, os sonhos são bem mais antigos e arcaicos que o testemunho que lhes prestamos, meros rudes contadores de histórias, simples água sem fonte ou artificio que subjugue à continuação do sonho na noite seguinte e seguintes, a nora não pode ser uma ilusão ela tem de girar e chiar como a original para que seja um pouco mais real a ficção e fique perto da origem do sonhado para que o sonhador seja um facto ficcionado, ele próprio parte dum sonho íntimo, privado e original. A LSD é em parte cerebral e outro cunho, o de um cereal granuloso, é um fungo importante para a nossa sobrevivência, convive connosco há milhares de anos, domesticámos a cevada e a glicerina, o Cocktail Molotov foi inventado com etanol, a gasolina e alcatrão, à heroína chamou-se de liberdade, aos tumultos de Paris "barricada", a "estrada dos ossos" è mais longa do que parece vista do céu e totalmente meu o amor pelo chão que piso, o que penso do paraíso é muito pródigo de licitações ventriculares mas só a mim próprio diz respeito, não é um postulado, a rainha não terá de usar véu no cabelo ou um penteado perfeito nem chamar-se de Cleópatra, falar p'los cotovelos, três dedos de testa, "ao menos" dois membros trôpegos do mesmo lado, tropeçando no mesmo genérico e genético "calhau" de tempo em tempo, em nome de todo "o nada" e em nome do nada, mudo idiota-tolo e surdo.








Joel Matos
































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Herdei campos de trigo farto
Plantei joio e peste, mato, sementes de
Castas infecundas, castradas gramíneas
Foram como repelente para lírios solenes
E altas flores silvestres,

Narrei com esforço como fosse
Escrita, frases submetidas ao rosto de quem deve
Uma explicação florida para a vida que teve
Que defina leste e oeste ou a razão dos campos
Não mais terem tons verdes e proféticos azuis

Ou serem a comparação fina e fiável
Com o que nasce da minha voz sem cor pura
Nem privilégios sortilégios ou ambição dura
Apenas penumbra inútil ofensiva herege
Daquela que cobre tudo da imortal

Silenciosa poética anémica derrota bege
Sem vida


Joel Matos



O Santo
















Na forma de Rei Cristo e em chagas
Sou santificado dia a dia, Cada versículo
Cada palavra dita e escrita, falada
Os discípulos oram por mim- O Santo

Da imaculada ressurreição como fosse
Pé de atleta ou sinistro furúnculo
Na virilha daqueles que dão maligna
Vermelhidão nos testículos e pele verde

Podridão eczema prurido em pus,
Escamas, fétidas rachas na pele fendida
Inchada de verdete amarelo mendigo
E em prata preto satânico e indigno

Dijon em mostarda as estigmas de santos
Cristos dos ignóbeis e perversos tristes















Teu mar eu sou, igual a ti
Jogo em bruto parábolas, no fundo
Dou o mar e a meia dor, sou/nasci
Da solidão q'vem bem rasa

De dentro dele, no cais da
Rede de há-de-mar-sem-rumo
De-haver mar, vou ou fujo
Se mar cão houver, não vou

Sou quem de mar
Se veste, cego eu jogo e afundo
Palavras nele, o voo
Me devolve o mar, fuga

Ou paixão ou só mar, em volta
Mar sou, blindado peixe morto
Do mais profundo e negro/gordo
Que o ianque vão/ingrato

É desse outro modo que eu não,
Eu meu mar sou e a falta
Me sabe a sal a meu o mundo,
Mal é ter gaivotas algas pretas, gosto

Na língua de orar, ciumenta a
Areia quando me peso de ideais,
O que do mar é mar caiado, Eneias
É parente seu, falta murar o que penso,

Amar em volta e eu cayac, infame a
Perca de mar lavado, expresso a Aramaico
Meu berço a sal, embalado
Embala-o as ondas vagas largas,

Meu medo a ser lavado em falso,
Hoje amanhã cedo, trovão
Quando do mar, grego o fogo,
O cenário da guerra, óleo sujo,

Vermelho azul "inhaque", cimento
Ou o branco escorço da proa
Lança "bivoac", ou o chapéu canário
De palha aceso e eu ingrato, inchado

Descanso no mar que aqueceu,
Inflamado mar Egeu, amargo de
Cianeto, castrado o Santo, o Sapo
E o Infante prisioneiro da balsa serva,

A jangada de Pedra e um sóbrio hebreu
À deriva, num mar que entretanto me
Esqueceu …









Jorge Santos (Março 2022)
















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Eis a glande



Eis a inflamada grande, da maior e mais infame raiva de sempre
As pedras de calçada podem nem ter nome, religião,
Trás ou frente mas possuem cólera tal como gente
Fome, não fingem ser cegas, são cegas, mesmo cegas

Por profissão, fé, seja o que for, dois olhos sem nascença
Nem descendência de nobre infante, eis a glande,
Pedra polmes branda, branca igual a cal da parede
Eis a grande confissão do pároco a farsa do confidente

Recluso




Joel Matos ( Janeiro 2022)










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O incêndio é uma palavra
Que permanece pelo que o
Devemos limitar às horas
E ao fora delas como coisas
Que se rejeitam, e a respeito

De labaredas, estas não me
Dizem nada crepitam apenas,
Os outros sentidos tão carnais
Quanto basta no que me toca,
Incêndio uma palavra banal

Quando morta de grandeza
E de facto palha, faísca acesa
Incenso










Jorge Santos (Janeiro 2022)















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[d]



Será na morte que os Homens se distinguem
Dos indistintos e de todas as vidas de coisas
Pagas, indivisas quanto o espaço é apenas
Ígneo ou aço, d'resto é corpo ao rés do vidro

Baço, essa sim a perfeita realidade e o "para
Sempre" quando incendiado, será obra d'arte
Alusiva aos que nunca foram ou serão apenas
Corpos retirados da Terra, imortais etéreos

E extensos são os que se distinguem dos dedos
Nas impressões doutros todos, no esgar do s'tranho
Rosto revestid'a loucura e a desassossego, comum
Restolho é fogo posto, assim girassóis no verão,

Será na morte que se distinguem os Homens
Que despertaram a si próprios na obesa forma de
Ferozes criaturas, perigosas Anacondas do mato,
Tubarões do mar gato, Furões Centopeias Descalças

Por castidade volumétrica ou paridade geométrica
Nos ângulos catetos


[/
d]




















Será na morte que os Homens se distinguem
Dos indistintos e de todas as vidas de coisas
Pagas, indivisas quanto o espaço é apenas
Ígneo ou aço, d'resto é corpo ao rés do vidro

Baço, essa sim a perfeita realidade e o "para
Sempre" quando incendiado, será obra d'arte
Alusiva aos que nunca foram ou serão apenas
Corpos retidos na Terra, imortais etéreos

E extensos são os que se distinguem nos dedos
Das impressões e nos cotos, no esgar do s'tranho
Rosto revestid'a loucura e a desassossego, comum
Restolho é fogo posto, assim girassóis no verão,

Será na morte que se distinguem os Homens
Que despertam per'si próprios na obesa forma de
Ferozes criaturas, perigosas Anacondas do mato,
Tubarões do mar alto, Furões Centopeias Descalças

Por castidade volumétrica ou paridade geométrica
Nos ângulos catetos, o esboço que define a valia do
Posteriormente sobre a do fundo dum antigo fosso
Quantas vezes mais casto que enganoso o lodo

Ou o logro do entrudo que a verdade velhaca,
Quantas vezes ancoreta mais vil e gasto decomposto
Que marujo Malaio, sabujo e pé sujo-de-asceta,
Polichinelo de modo algum seria Arauto, Cavaleiro

Real da corte ou Escudeiro de Sua visigótica Alteza,
O Bobo todavia é realmente quem é, sem engodo,
Enganosa a majestade, soberanode caráter minúsculo,
Sem testículos nem barba farta, é uma afronta chamar

Dádiva Legitimidade divina, ao roubo, ao calote
À má fé "Generala" num Império de aroma Medievo
E pés-de-galinha, metal fedendo a má consciência.
Parsifal é o herói da gesta e Atenas caiu anteontem

Em ruínas, rest'o teatro dos parêntesis, o uniforme de Wagner
Plissado, o palco, o que finge a razão que não há em tudo,
Até no restolho ardido e pisado, o chão.






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Que o mais fundo de nós nos deixe
Pra que seja sempre e pra sempre
De todos e todos os outros e o
Quanto era antes será depois e …

Depois dos tempos como um
Feixe de lenha nas costas de
Um Javanês ou a sombra dos
Bois na sementeira, sempre e …

Pra sempre como era dantes
No antigamente dos templos
Que o mais fundo de nós nos deixe
Pra que seja sempre e pra sempre

De todos e todos sejamos tod'a gente









Sei o que me leva
Não ao que me trouxe,
Nem ao que me demora,
Quer eu queira ou não estar,

Tudo de resto é espera,
E a noção de que fui
Eu quem me levou
A passar do que sou,

Pra outro, o que se estranha,
Ou estarei errado s’tando
Pois me conheço não sendo eu,
E se me iludo assim mesmo

É porque que me elevo
Ao enigma que aqui
Me traz, não sendo
Eu quem me lidera por completo,

Levo-me aos que me levam
Não me lembra o nome, o deus
Ou o que me trouxe ao certo
Desperto, dormindo

Nego chamar-lhes seja
O que for sendo eu quem
Se acha preso, atado
Ao simbolismo, ao desígnio

Pra que me possa encontrar,
Consiga dizer ao menos
E até onde me é suposto sendo o que sou,
Duvidar de mim próprio, eu mesmo

Daquilo que penso ser eu, igual
Em aroma a um logro, um lago
De engano, mentira o amor divino
Que me é dado dum lado goro,

Contingente é a perpétua
Escrita, ancorada nas paredes da casa,
Sei do que me leva a isso
Um suave agouro, um mau agrado,

Tudo o resto é dor, a cada respiração
Uma entrega e o espírito de causa
Da renúncia e a descrição humana
Variável de rosto pra rosto,

Sendo o que eu somos, actores


[d]















Uma aldeia que roupa ela vista
leva-me a raiz da minha vista "a monte"
sopra-me a imaginação essa ideia
de Xisto onde o pensar é cego

e o meu olhar um lego alado largo
como tudo o que e em que se veste
a roupa que minh'aldeia sente
o sossego de sonhar acordado vendo

com os olhos na maneira que os ponho
levam-me da raiz à minha origem de congro
à minha infância de regato em regato
De fonte em fonte, do mato ao pasto

Da ponte fluvial à guarita do alto monte





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Criado em: 16/3 12:59
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Jorge Santos/Joel Matos
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Re: Contr'apagões
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O que eu penso não é um rio qualquer
Que se atravesse a nado ou que os homens
Possam usar para pousar os olhos, lavá-los,
Eu uso as fontes, as silvas vivas, as dores

Nos nós dos dedos, que vão desaguar
Nem eu sei aonde ou quando, dos atritos
Nas pedras, dos redemoinhos, dos socalcos
Nas águas, da turbulência dos ribeiros, rios

De cascalhos, no caudal deles me prendo,
I'preso eu me penso não ribeiro, mar
Imenso, desses onde se pode embarcar
Pra outro universo vivo qual me preenche

De deserção e sedimento do bom e do maus
Momentos, arrependimentos fragmentos
Doutros seres, meu pensamento apenas em
Certos lugares atravessa um rio, sempre julgando

Ser do mar a água que vem agarrada aos dedos,
O sal o limos aos dentes






















Nada, fora o novo,
Sempre o mesmo,
Digo de mim pra
Mim, sem sentido.

Não é tragédia,
É a vida em que
Sentado vivo, quotidiana,
À nona dimensão

Dum outro, tendo
A consciência como
Escarro curvo, apenas crosta do
Que se sente, do que se crê

Que se vê, se conhece, se viu
Como crivo obstruído
De um lado apenas,
Presente amargo,

Simbolismo decadente,
Continuar o que não
Tem efeito nem sentido,
Pelo menos pra multidão

De vida suposta, suposta
A minha que imita sons
Incoerentes, mais prático
Seria ouvir que reconhecer

Útil o piano da boca,
O equívoco pouco casto,
Poluído, em que me equivoquei,
Sem tacto no queixo, presa fácil,

Mal definido nato em novelo de rato,
A única verdade minha é aquela
Que admito espessa por esparsa
Que a alusão me seja, aja solta

Ou presa …










Jorge Santos (Março 2022)
















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http://namastibetpoems.blogspot.com














Quantas vezes mais casto que enganoso
O logro do entrudo que a verdade velhaca,
Quantas vezes ancoreta mais vil e gasto
Que marujo Malaio, sabujo e pé-de-asceta,

Polichinelo de modo algum seria Cavaleiro
Real da corte ou Escudeiro de Sua Alteza,
O Bobo todavia é realmente quem é, sem
Engodo, enganosa a majestade, soberano

De caráter minúsculo, sem testículos nem
Barba farta, é uma afronta chamar dádiva
Legitimidade divina, ao roubo, ao calote
À má fé "Generala" num Império de aroma

Medieval e em pés-de-palha, metal fedendo
A má consciência. Parsifal é o herói da gesta
E Atenas caiu outrora em ruínas, rest'o teatro
Das aparências, o uniforme plissado, o palco ...

O que finge a razão que não há em tudo










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Teu mar, do meu nem sei, igual a mim
Jogo palavras, no fundo
Dou do mar a meia dor, sou e nasci
Da solidão q'vem bem mansa

De dentro dele, no cais da
Rede de há-de-mar-sem-rumo
De-haver mar, vou ou fujo
Se mar não houver, não vou,

Sou eu quem do mar
Me visto, cego eu afogo e afundo
Palavras nele, o fingido voo
Me devolve do mar a fuga

Ou a paixão por um só mar outro, em volta
Mar eu sou, blindado peixe monstro
Do mais profundo e negro/gordo
Que o Iaque pavão/gato

E desse outro modo eu não,
Esse mar eu não sou e na falta
Me sabe mal o mundo,
Mal de ter gaivotas algas negras, gosto

Na língua de berrar aos Deuses, cimento
E areia é quanto pesam as ameias,
O que do mar é mar caiado, Eneias
É parente meu, falta morar no que penso,

Amar em volta e eu mar cavado, infame a
Porca de mar lavado, expresso em hebraico
Meu berço embalado
Embala-o as ondas largas,

Meu medo a ser levado em falta,
Hoje amanhã cedo, trovão
Quando do mar, grego o fogo,
O cenário da guerra, óleo sujo,

Vermelho azul "inhaque", cimento
Ou o branco escorço da proa
Lança "bivoac", ou o chapéu canário
De palha aceso e eu ingrato, inchado

Descanso no mar que aqueceu,
Inflamado mar Egeu, amargo de
Cianeto, castrado o Santo, o Sapo
E o Infante prisioneiro da balsa serva,

A jangada de Pedra e um sórdido hebreu
À deriva, num mar que entretanto de mim
Se s'queceu …




Joel Matos (23 Junho 2022)









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Criado em: 16/3 16:42
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Re: Contr'apagões
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Vai com Deus, segue teu caminho e viva tua verdade. Gratidão pela centelha divina que em ti habita.

Criado em: 16/3 21:32
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EU NÃO SOU PELO HOMEM. O HOMEM TERÁ A FORÇA DE MIL LEÕES QUANDO ESTE FOR PELO REINO.
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Re: Contr'apagões (Com'um grito)
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(Considerem este "GRITO" um brinde a todos vc's, todos quantos me interpretam bem e/ou mal me entendem, bem haja quem vier por bem, por mal - que se aguentem e continuem a trabalhar para o crescimento mutuo, o individual ou o nulo)





Com'um grito

Como eu o grito
Cresce à vista,
O vasto e o calado
A solidão do prado

Com o meu grito
Nem porto ou cais palafita
Poderá ser d'vendavais
Abrigo ou de canalha

Como grito, nen'fulano
Nem os pássaros índigo
E o cio dos lobos,
Parideira com dor

Como eu nem os
Animais ou a fúria humana
De seis Búfalos ou mais,
Como eu o grito

É ter cinco pedras
Na mão e determinação
Fora-d'normal
De gorila grisalho

De Adamastor Druso
Na Síria Jordânia ou Líbia






JS/JM







Criado em: 25/8 8:20
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Portal "de almas" avulsas
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Neste porto das almas puras, peregrinas e avulsas, todas as poesias têm uma valência profana e profunda, ínfima e infinita, branca, uma visão vaginal que por vezes é mais outra coisa, outros mundos ainda mais levitáveis que a própria emoção do parto, a imaginação é um esqueleto vegetal moldável de todos e de ninguém neste mundo, um manifesto ao desconhecido que não se sabe existia ainda de antes do tempo existir complexo, completo ou variável consoante o argumento, o hemisfério intimo, o córtex de cada uma das almas que por este portal entram assim como fossem em branco, presenças papel, isentas criaturas semi-virginais e vagas, sensíveis que não aconteceram nem acontecem sem permissão da inteligência dest'outro cosmos entreaberto em rosas púrpura, divinais e belas, puras puras
A alegria que eu tinha era a de descrever a geometria do que sentia nos ombros, dos cantos da boca à linha direita torcida, dos cabelos, do queixo, nos nós dos dedos de tristeza fixa e pobre com que fico me convence, é uma maldição rasa que espero em vão desapareça, a visão estrangeira com que meço na ressaca dos outros sendo eu ela própria, pródiga não sei no que seja e só a alegria que eu tinha quando era como era inda'gora.
Eterno é o suspiro falado e sempre, sempre dourado será o poente até ao crepúsculo total, doce amado, assim azul fosse de verdade Sol nascente, "Il principium" selado da consciência consciente e de todos os desejos e esperanças, o amplo salão de baile onde vagueiam os nossos melhores momentos, o templo onde tudo somos capazes, agir embalados a desejo, todo que podemos ou possamos ter, dourado como o poente que há-de vir, doce amado ou salgado ... genuinamente dourado.










































































Criado em: 29/8 19:54
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Do avesso
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Do avesso




Uma aldeia, (que de roupa ela me vista), o fogo
Leva-me da raiz da minha vista "ao monte" travesso,
Sopra-me a inquietação dessa ideia de xisto negro
E poejo, onde o pensar é cego, o beijo longo, longo

E o meu olhar, um legado alado, logro é engano
Como tudo o que e em que me revisto, sangro
Da roupa que'en minh'aldeia é ser gente, o dote
È o sossego de sonhar acordando e vendo o ontem,

Com olhos "à maneira que os ponho" alavancados,
Elevam-me da raiz à minha origem de congro,
À minha infância de recato e regato, o ombro tolerante
Nas fontes, em frente do mato bravo o verde manso,

Da ponte fluvial à velha guarita, do alto monte, do corgo
Ao calvo escombro ardido, mais que poema ou esforço
È o meu grito rouco, a dor de ter perdido meu rosto,
A aldeia, o burel de que me vestia completo desd'o berço,

Parido descaço, colado à via que havia, escura sinistra,
Menor o grau da escada que a cansada estrada, desafio-a
Já que César nunca serei, eu fui das minhas sensações
O próprio vento, campos rústicos de trigo, o umbigo

Do que havia plantado há apenas alguns dias, humilde
O milho sem proprietário dono, erva daninha è trigo
Triste e a minha aldeia não existe senão na ideia que dela
Um dia tive, ao virar meu coração de cima abaixo

E do avesso ... cantando encantado.





Joel Matos































































































Criado em: 23/9 10:50
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Re: Contr'apagões (ter Liberdade não é "ser-livre" por extenso)
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Ter liberdade é ser espontâneo, livre de sentir as asas,
sem ter de pensar nas mãos preenchidas a palavras







"por extenso"















Criado em: 27/9 20:12
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Black Butterflies (Papillons Noirs 2022)
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Criado em: 21/10 23:10
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Do que eu sofro
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Do que eu sofro






Eu sofro da patologia cósmica dos gansos,
Sou como o mundo pois serei
O que sempre fui e sei apenas
Ser, inflexível insubordinado, fulano gasto,

Pardo até no papel em que manso me sinto
Por imposição forçado a ser, ou eu
Mesmo ou um outro, senão o maior, mais básico
Engano entre mim e eu próprio,

Por vezes odeio-me sem ter muita
Consciência disso ou o espírito crítico
De que abdiquei e que me assola, assusta
D'novo como fosse ess'outra alma

Minha, alheia deste mundo, a mola e a bainha,
Embora vivas, fundas obscuras, sem
A definição simples que damos a esta
Vida escalavrada, vivida d'dentro pra fora,

Razoável, de minguas escolhas, migalhas.
Mas tudo isso é um "aparte", pois no mínimo
Eu sofro de patologia própria, crónica
Tal como o louco que não sabe, supõe

O mal que sofre ao sábado, sendo
Domingo ou então feriado municipal, dia santo
Ou de ramos, convencido d'estar
Calçado e vestido caminhando

Nu, descalço num precipício ou no fio da navalha,
O que eu sofro é um vício manco que
Me causa dissabores nos rins e
Na vesícula me arde, quebro o nariz

Na ressaca porque sim, dor e medo
Fazem parte de quem ainda há em
Mim mas tampouco relembro, inflexível
Insubordinado, sem cura ou pouca …









Joel Matos (Outubro 2022)












Criado em: 22/10 18:52
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Re: Sem cura ou pouca
sem nome
contra quê! apagões! eu não conheço gajo mais apagado que tu. se és o dono disto e andas aqui por ver andar a carochinha desiste e torna esta casa numa casa decente mudando-lhe a estética porque este desenho não foi feito para que quem quer que seja decente levar isto a sério, esta casa foi desenhada para brincar aos poetas ou para o seu dono se passear impunemente. tudo nesta casa está minado. se quiseres eu digo onde estão as minas. mete o dedo

Criado em: 22/10 19:16
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