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Negras
Da casa!
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A ferida dói e a saudade da terra ainda atormenta
Adormeci com a alegria dos tambores no terreiro e acordei com o chicote na coluna
Amarrado no madeiro e o pesadelo do lado de ter o coração arrancado junto com um filho no útero
Sou branca com o sangue negro
Sou amor quando não suporto a dor do outro

Criado em: 27/11/2022 19:46
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Maria Gabriela


(Ao espelho) o conforto te faz ser vidro, mas o mundo nunca deixa de ser pedra.
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Frida Kahlo
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Criado em: 27/11/2022 20:30
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A Glorificação das Aparências - Agustina Bessa
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A Glorificação das Aparências


Não sei o que acontecerá quando formos todos funcionários aureolados pela organização de aparências que acentua a satisfação dos privilégios. A aparência vai tomando conta até da vida privada das pessoas. Não importa ter uma existência nula, desde que se tenha uma aparência de apropriação dos bens de consumo mais altamente valorizados. Há de facto um novo proletariado preparado para passar por emancipação e conquistas do século. As bestas de carga carregam agora com a verdade corrente que é o humanismo em foco — a caricatura do humano e do seu significado.





Agustina Bessa-Luís, in 'Dicionário Imperfeito'







Criado em: 4/12 18:40
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Falar é ter os outros em excessiva conta
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(a partir de um texto de Bernardo Soares "Falar é ter demasiada consideração pelos outros" e da peça "A importância de ser Prudente" de Oscar Wild )


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Fácil é fingir que ouvimos e q'nos ouvem
Falar, é ter outros em excessiva conta,
Quando não querem perceber q'calando,

Falam pra não passar despercebidos,
Como pensam ter sido compreendidos
Nada dizendo que conte concreto, como

Vou fingindo que digo centímetro, dizendo
Metro, falando uma língua que ninguém
Fala, por gestos poucos, vêm falar d'mortos

Comuns inda q'sejam pra mim símbolos, códigos
Simples e fórmulas visíveis, demasiado
Oculto s'tou eu dos olhos, à vista d'todos,

Fingindo que ouço ouvindo o que eu disse,
Fedendo de falso e da fala com q'digo,
Esfolo dizendo mato, grave digo aguda

Esta dor assumida e sucinta, a fome viva
Semelhante a gula, sumida sucumbida
A fala, a farsa, má língua grega e a casaca

Erguida eu cabisbaixo, na rua ao lado onde
Vive realmente gente, não desta triste,
Nem sempre vinha, nem sempre mosto

Em metal Augusto, me sabe a sal rosa sulfúreo,
Máscaras sagradas de defuntos farsi e Persas,
Muitos pela boca morrem, os peixes senhor …

Os peixes surdos.






Joel Matos (Dezembro 2022)




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"Eu sou daqueles que são feitos para ser a excepção, não para seguir
a lei"

Oscar Wilde






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Criado em: 5/12 10:39
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Acordei sentado na pedra da memória
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Acordei sentado nas pedras da memória
Estreita é a mão, estreito o meu mundo,
Meus s'quisitos ombros não são calçadas,
Escombros doutras guerras em punhos





Criado em: 5/12 22:40
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Re: Faça-se poesia grada, gorda, grossa, obesa, farta, espessa, sagrada
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Pouco faço,
Pouco sei,

Ando devagar,
Ao meu passo,

Dou o tudo,
Por nada,

O rumo,
Pela jornada,

Sonho o irreal
Suponho-o passível

D'alteração d'humor,
Frequente







Joel Matos





Criado em: 7/12 8:50
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Tudo que mais preciso
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Tudo que mais preciso




Tudo que mais preciso é ter fé,
A menos imediata d'todas urgências,
A mais promulgada necessidade,
A menos prolongada esperança,

Consciência é poeira e cabe tardia
Num recipiente fechado, numa lata,
Escorre p'lo telhado, evade-se
P'la raiz, cobre-se p'lo deserto,











Criado em: 7/12 10:21
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A alegria que eu tinha
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A alegria que eu tinha
era a de descrever
a geometria do que sentia

nos ombros, dos cantos da boca
à linha direita torcida,
dos cabelos, do queixo,

nos nós dos dedos de tristeza fixa
e pobre com que fico
me convence,

é uma maldição rasa
que espero em vão desapareça,
a visão estrangeira

com que me meço
na ressaca dos outros
sendo eu ela própria,

pródiga não sei no que seja
e só a alegria que eu tinha
quando era como era

inda'gora...












Criado em: 7/12 15:05
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Metodologia da ansiedade
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Metodologia da ansiedade
ou Síndrome de coração partido


Penso como um poeta ao ponto de dar a vida
pelo que penso puder ser,
Até pode ser que não morra de ansiedade
como outro qualquer
e me desfaça sorrindo em pó
Penso como um poeta,
mas não só, respiro como um, afinal
Poeta é um como outro, outro como eu,
insignificante magnifico ou alegre,
triste moribundo
Ou contente, irónico ou condescendente vivo …
melhor era ter aprendido a cantar



Criado em: 9/12 8:35
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Neruda Passáro
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Pablo Pássaro


Que Neruda Vivesse
Pra me vir curar
como ele disse:
-Com uma só pena,

Se nunca tive exilio
Tão real quanto
Ele próprio, tão vivo
De vida em verde,

Tão madressilva,
De vermelho loiro,
Semelhante a fogo
Maduro, azul pálio,

Se Neruda visse
Esta carta escrita,
Não saberia que fui eu,
Nem faria diferença,

Abro os braços
E sonho, sonhando
Amigos e sonhadas
Coisas que nunca somos,

Nem meus próprios
Sonhos sou,
Independente de quem
Eles sejam.

Que Neruda viesse
Tenho Dúvida,
Conhecendo Neruda
Detrás prá frente,

De modo a tomá-lo
Por meu pássaro e irmão,
Pura inveja camarada,
Sim porque não !?





Jorge Santos ( 14 Dezembro 2022)







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Criado em: 13/12 14:03
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