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ESTA NOITE EM PARIS
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30/10/2011 18:25
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Aproximam-se as dezanove horas de um Novembro que começa a ser frio apesar de, durante o dia, visitado por um sol acolhedor. Paris, recentemente saída da guerra, respira ainda a euforia e alegrias de um mundo pacificado.
Os seus locais de relevo como a Torre Eiffel, a Concórdia, o Quartier Latin, Montmartre, Sacré Coeur, Notre Dame e tantos outros, continuam a ser lugares de referência.
O meu destaque vai hoje porém para o Arco do Triunfo e a deslumbrante avenida dos Campos Elisios, esfusiante de luz e vitalidade. Aqui e além graças a modernos altifalantes, ouvem-se as vozes que se tornariam imortais de Edhit Piaff com a sua inesquecível “La vie en rose”, Jacques Brel, Marlene Dietrich com a inconfundível “Lily Marlene”, esse mito já de nívea cabeleira Maurice Chevallier, a exaltarem os espíritos até há pouco aprisionados pelo clima de guerra que se respirava na cidade.

O movimento automóvel avenida abaixo é intenso e nestes últimos dias enriquecido pela apresentação aos parisienses da novidade no mundo automóvel que é o Citroen 15, carro de linhas ousadas e imponente a ombrear com os carros americanos desta época. Possuir uma máquina deste calibre é neste tempo sonho ou luxo a que só alguns têm acesso. Particularidade interessante desta viatura é o facto de as portas dianteiras abrirem pela frente, aconselhando as senhoras mais ciosas do seu pudor e sentido de elegância a juntarem os joelhos nos movimentos de entrada e saída do veículo. Os passeios pejados de gente evidenciam aqui e além figuras do mundo artístico e intelectual, quer franceses quer estrangeiros aqui radicados ou de visita.
Não posso deixar de referenciar um ou outro nome dos que andam na boca de toda a gente. É o caso de Ernest Hermingway com todo o seu historial amoroso e a sua paixão por Espanha, Jean-Paul Sartre, que recusou um Novel da Literatura, e sua particular amiga Simone de Beauvoir, Françoise Sagan, Greta Garbo, já uma mulher solitária e decepcionada com a sétima arte em que se movera com maestria.
Mais além com gestos exuberantes extravagante no vestir e bigode sui-generis surge Salvador Dali. Muitas outras figuras de proa se evidenciam aos olhos mesmo dos mais distraídos.

Acordo e sinto-me tomado por uma profunda decepção: a de deixar num ápice essa Paris que me enfeitiça e me deu esta noite a ilusão de ter recuado no tempo, porventura a uma vida anterior.

Hoje acordou em mim uma sede incontornável de revisitar essa cidade, se possível no que ela era no póst-guerra, boémia, romântica, sensual.

A.Andrade

Criado em: 12/11/2011 19:54
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