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As palmilhas do senhor professor Cá(i)ando e a Ludovina Lince
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Era uma vez, não!
Não era uma vez, já era para aí a terceira ou a quarta vez que os sucessivos desaparecimentos se repetiam.

José das Adornas era professor de aeróbica num albergue de cinco estrelas carentes, perto do Formigueiro, uma aldeia pitoresca de moças ainda puramente virgens.
Gostava de mostrar os seus pequenos dotes, que a barriga choruda toldava.
O placebo provocava efeitos colaterais no bailinho que a junta de freguesia organizava, todas as quintas - feiras, para entreter o povinho da aldeia. Já o tratavam por professor Pablo Vai Dez, o marmanjo ensinava qualquer uma a dançar o vira, e não é que elas viravam mesmo, algumas até viravam a carga ao mar. Mas quando a modinha virava para foxtrot, o boy sentia-se o Geme Bundas das redondezas.

Ludovina meia-irmã de Josefina, alunas do dito, entravam constantemente em conflito, ambas queriam, deitar-lhe a mão.
Josefina a mais velha costurava para fora, adorava o corte e cose na casaca, passava a vida a pintar a macaca, conflituosa e convencida, fingia-se de Madalena mas nunca arrependida, já Ludovina, a mais nova cuidava das vacas lá do pasto e dos queijinhos Zeca. Como sofria ao ver os pequenos triângulos com o nome do seu amado professor, e de vez aquando lá metia um ao bucho.

Chegado sábado a felicidade das rabelas pomposas, estava no auge, era dia de aulas, Ludovina andava sempre prevenida com os seus evax’s, não fosse a tia chegar sem aviso prévio e estragar-lhe a dança da semana com o seu Adornas. Como Josefina era desleixada, qualquer trapinho lhe servia, bem pespontado nada se via.
As puritanas estavam todas em collants, bem aprumadinhas com as suas respectivas sapatilhas a reboque, quando subitamente o professor ripostou:

- Meninas façam exercícios ao menisco que eu tenho que fazer um telefonema urgente.

Soltou-se o coro das duas eleitas:

- Sim Senhor Professor.

O petulante Adornas nunca demonstrou as suas fraquezas, não podia, ele era o senhor doutor dos pezinhos de lã. Toda a aldeia o tinha como um cortês, de bom dote e pote também.
O que diriam os aldeões e as puras raças ao descobrirem que o Bundas tinha a sola das sapatilhas furadas? Isso jamais poderia acontecer, perderia uma das donzelas finadas, perderia o dote que João da Rambóia lhe prometera se cassasse com sua filha Josefina. Embora este cassasse com qualquer uma desde que o dote ou o iate fosse bem recheado.

Tinha que tomar uma atitude urgente, as dores nos calos aumentavam como o livro do merceeiro, até que se lembrou…ao ver o saco de pensos pousado nos vestuários, enfiou dois em cada sapatilha e tratou de se prevenir com mais quatro, para quando aqueles se gastassem.
Resolvido o problema, voltou com um sorriso de alívio, como se tivesse mamado no peito da cabritinha do Quim Barreiros, música que tocava no momento da sua chegada.

- Meninas!
Vamos lá, começar, um, dois para a esquerda, dois, um para a direita, levanta, estica e estreita.

- Professor? Interrompe a corte e cose.

- Sim, menina diga lá?

- Acha os meus ténis confortáveis?

- Sim, sim e como são confortáveis! Divagou o Adornas aliviado dos joanetes.

- Como!!!???

- Sim menina, esses ténis são muito confortáveis e apropriados para a dança.
Mas vamos lá e não me interrompa mais!

Terminada a aula e de volta aos vestuários, queijeiras, apercebe-se do roubo e como a sua meia-irmã andava com os finados da tia, desatou à mugi dela:

- Ladra, invejosa, reles, vais-mas pagar bem caro, sua badalhoca, sempre teve ciúmes de mim, por ser vaca honrada…

A costureira levanta-se, a manda-lhe com o paninho nas bentas com o pespontado meio avermelhado:

- Pega lá esta para não dizeres o que não sabes, agora já sabes o que é um red fixe.
Eu ciúme de ti? É comigo que ele vai casar! Tu não me suportas por isso, é comigo que sou bainha bem vincada.

José das Adornas ao ouvir tal confusão, antes que se lhe acabassem as palmilhas pôs-se a milhas… na aldeia do Formigueiro ainda se fala das irmãs zombeteiras, que espantaram o professor prodígio por causa duns pensos sem abas.
As pobres coitadas, ainda hoje descabelam-se, por causa das palmilhas do senhor professor.


Conceição Bernardino

Criado em: 13/1/2012 14:37
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Re: As palmilhas do senhor professor Cá(i)ando e a Ludovina Leopardo
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actualizado...beijinhos

Criado em: 13/1/2012 14:38
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Re: As palmilhas do senhor professor Cá(i)ando e a Ludovina Leopardo
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1/12/2007 10:08
De Natural de Sacavém,residente em Les Vans sul da Ardéche França
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Que dizer minha querida amiga? Apenas que é excelente este texto e cheinho de ironia até mais não.

Tens mais?, envia, sou consumidor desta droga.

bejs Conceição.

A. da fonseca

Criado em: 13/1/2012 15:54
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Re: As palmilhas do senhor professor Cá(i)ando e a Ludovina Lince
sem nome
kkk... é muito bom quando um texto nos surpreende do começo, meio e fim. confesso os frouxos de riso.
beijo e aquele abração caRIOca, madrinha.
zésilveira

Criado em: 20/1/2012 12:55
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Re: As palmilhas do senhor professor Cá(i)ando e a Ludovina Lince
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obrigada meu amigo Alberto por ainda te conseguir arrancar umas gargalhadas, sorrir faz bem e dá saúde.

beijinho

Criado em: 20/1/2012 13:20
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Re: As palmilhas do senhor professor Cá(i)ando e a Ludovina Lince
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obrigado afilhado pelo teu sentido de humor, rir é o melhor remédio para enfrentarmos a crise ecologica da poluição ambiental. rssss

beijo aqui do Porto

Criado em: 20/1/2012 13:22
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Re: As palmilhas do senhor professor Cá(i)ando e a Ludovina Lince
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querem mais??? rss

Criado em: 25/1/2012 21:12
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