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RICHARD GERE E EU
sem nome
Talvez vocês não saibam, mas o Richard Gere (aquele mesmo de “Uma linda mulher”), tem amigos em Belo Horizonte. Verdade verdadeira. E até já foi visto diversas vezes pela Av. Getúlio Vargas, no coração da Savassi. Quem haveria de reconhecê-lo? Mal se daria conta. Quando abrisse a boca para dizer: “debaixo daquele boné acho que vi o Richard ... já foi. Pois é. E eu o vi, debaixo daquele boné. E disse: “eu acho que vi o... um gatinho. Eu vi um gatinho!” Ops, isso é do Frajola e Piu-piu. Mas o vi. Sabem aquele café e livraria, ali mesmo na Savassi, o Café com Letras? Podem ver no Google. Vou sempre lá. Devo dizer, lugar descolado, comida especial, e muito jazz, e lançamentos de autores bacanas. Pois. Não sento pra comer sempre. Mas lá a gente pode cheirar os livros. Acha bizarro? Pois saiba que muita gente cheira os livros. Eu sou uma delas. Ah, e quanto mais velhos, melhor. Já contam a verdade do seu conteúdo. Tenho alguns livros que guardei da infância, “ O mundo da criança”, que a minha mãe comprou em suaaaves prestações, como ela dizia. Guardam o cheiro de suas histórias encantadas, e é consolador cheirá-los. Como eternos objetos de transição. Mas não é de psicanálise que lhe quero falar.
Richard estava lá procurando um livro na estante ao lado. Como eu ,cheirava os livros. Foi o que nos aproximou, pois perguntei se era um hábito, e que eu fazia o mesmo. Riu alto, e por um momento tirou o boné como numa reverência. Pensei: “Morrí! Estou no Café com Letras do céu, cheirando livros com Richard Gere!” Convidou-me para um café com pão-de-queijo (claro, estamos em Minas). Sei é que queimei a língua várias vezes com café quente, mas não percebi. Ele fala pelos cotovelos, mas é adorável. Eu lhe contei da minha paixão por cinema e dos filmes dele que me encantaram: “Uma linda mulher”,” Rapsódia em Agosto”, “Mr. Jones”, “Sempre ao seu lado” (choro o filme todo). Ele me contou que antes de ser ator foi vendedor de seguros, e correu atrás do seu sonho, morando em Londres por 2 anos, ganhou uma bolsa para estudar filosofia, e até teve uma banda de rock. Eu não sabia, mas ele foi casado com uma brasileira, artista plástica. Logo pensei, quem sabe ele não está querendo repetir a dose, hein? Não riam, por favor. É que a maioria das mulheres imagina “Edward Lewis” chegando em sua Limousine, subindo a escada de incêndio com seu guarda-chuva em punho, gritando seu nome. Mas não disse isso à ele. Então ele disse que ainda não sabia meu nome. Disse-lhe: “Sandra”. “Sandra Dee”? Perguntou sorrindo. Engraçadinho. “Sandra Fonseca, na adolescência, na escola, era mesmo a Sandy. Mas não pegou. Nesta altura, já havia um certo tumulto ao nosso redor. Pediu a conta, e a atendente pirou. O sotaque americano e as madeixas grisalhas escapando sob o boné de marca, não enganam. Saiu histérica, sumindo dentro da livraria. Antes que retornasse, despediu-se. Introduziu uma nota junto à comanda e levantou-se. Prometemos voltar para cheirar os livros. Ele com novo disfarce. Sugeri costeletas. Riu alto de novo. Beijou-me as mãos e procurei a cadeira, sem a ver. Entrou num carro preto, estrategicamente estacionado.
A garçonete volta esbaforida (esbaforida, não é ótimo?). Ainda gaguejava, e atrás dela haviam dezenas de pessoas. Perguntou-me, “jura que era ele”. Jurei. Beijei os dedos em frente aos lábios, mas não foi suficiente. Apertava-me os braços, gritando, “Cadê ele, cadê ele?” Tive que ser compreensiva. Disse-lhe: “Calma, fofa. Olha, vou pedir um chá de erva-cidreira pra nós duas, tá?”
Depois de administrar o “bafón” , desci a rua Antonio de Albuquerque, em direção à Getúlio Vargas. Na cabeça, tocava alto:
“Pretty woman, walking down the street
Pretty woman, the kind I like to meet
Pretty woman,
I don't believe you you're not the truth
No one could look as good as you
Mercy!”

10/09/12

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Criado em: 10/9/2012 23:46
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Re: RICHARD GERE E EU
sem nome
em verdade, em verdade vos digo; contos de fada jamais se extinguirão, não se as pretty girl, woman, princess DiMinas ou de qualquer outro lugar encantado desses 'brasis' à fora, forem tão sonhadoras quanto a Sandra Fonseca, melhor, Sandy girl (tai, adotarei para chamá-la quando eu viajar neste seu mundo de fantasia. sabe; te dá um ar bastante Cult a sua personalidade artística. enfim... fã! não passarei mais pela Savassi sem me sentir também um personagem da suas estórias. afinal, tenho ou não tenho pinta de artista hollywoodiano.kkk
bj e aquele abração caRIOca.
zésilveiradobrasil

Criado em: 11/9/2012 13:58
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Re: RICHARD GERE E EU
Colaborador
Membro desde:
24/7/2008 17:57
De Braga
Mensagens: 2802
Minha cara, esse texto tem uma falha imperdoável no que toca ao rol de de filmes que esse senhor (produto plástico de Hollywood)protagonizou. Ora o filme que o atirou para a ribalta foi o "American Gigolo", filme que penso de 1980, e foi consagrado definitivamente no imaginário lubrico adolescente em "Oficial e Cavalheiro" de 1984 (acho!). No american gigolo ressalta o facto de andar a estrafegar umas senhoras "bem" lá dos lados de "Lá lá Land" (Los Angeles). Já no oficial e cavalheiro lembro de ficar particularmente comovido com a parte em que ele estrafega a Debra Winger em cima de uma cadeira. Faria aqui uma longa prelecção sobre os dotes da Debra Winger na arte de cavalgar toda a sela demonstrados no filme mas fica para quando se encontrar por acaso com ela a cheirar... livros. Entretanto e para reavivar a sua memória deixo ficar as bandas sonoras de ambos os filmes (que não são grande coisa, diga-se)

Bijou







Criado em: 11/9/2012 15:23
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Re: RICHARD GERE E EU p/ ZéSilveiradoBrasil
sem nome

Meu caro amigo,

Descobrí essa safra de "Fulano de tal e eu" assim, de repente. Juro que não uso drogas, só um remédio de doidim, mas por pouco tempo, e por conta de uma nevralgia no nervo trigêmeo (algo como ter um fio desencapado dentro da cabeça. Mas tudo bem,o tico dança um tango e o teco um samba). Pra passar o tempo, do feriado , em casa, de molho, resolvi contar minhas memórias, e nem tudo é fantasia da minha mente fértil e adolescente, viu? (hihi). Afinal, não dá pra falar dessas minhas Minas Gerais? Quando vier à Savassi, só não pode esquecer o chapéu. Ah, Fred Astaire ! (já tenho outra ideia).
Obrigada pelo apoio incondicional.
Bj.

Criado em: 11/9/2012 23:05
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Re: RICHARD GERE E EU p/ o Jaber
sem nome
Meu caro,
Quase detonas com as esperanças Gerianas de milhões de mulheres mundo afora ao considerar o Richard Gere um mero produto plástico de Hollywood. Não seja tão franco assim. Mesmo tendo sido o “Gigolô americano”, e mesmo ter, conforme o Sr, diz, "estrafegado" (que palavra, rsrsrs)algumas senhoras, no Reino tão tão distante, ainda sobraram muitos adjetivos no curriculum do nosso ídolo hollywoodiano. Saiba o Sr. que ele também me disse que é budista deste muitos anos, militante de causas humanistas no Tibet, tá bom?
E tem esse hábito encantador de cheirar os livros, pelo mundo afora.
Salvaram-se as trilhas sonoras que são lindas, sim senhor.
Abraço.

Criado em: 11/9/2012 23:24
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