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COMO CÃES E GATOS
sem nome
Para meu filho, Matheus Felipe


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Depois de ver essa encantadora cena: um cão adormecido placidamente sobre o tapete, e sobre ele, e numa posição invertida, um gato; (é, a bunda do gato, ou gata, sobre a cabeça do pobre), fiquei refletindo quase aflitivamente, porque quando não damos conta, nós, os humanos, das nossas relações, atribuímos semelhanças com os animais. “ Um dia de cão”, “Brigam como cães e gatos, e até “ Como um cão chupando manga”. O fato que é fazemos uma antropomorfização dos animais, especialmente os domésticos. Preciso conversar mais sobre isso com o meu filho, que faz graduação em veterinária. Aliás, ele que já trabalhou em pesquisas de laboratório, tinha uma dificuldade imensa na questão de sacrifícios dos coelhos utilizados nos testes. Imprescindíveis, mas como sacrificar depois os bichinhos, aos quais nomeou Benjamim, Alfredo, Ju bagunceira? Quando lhe falaram que não poderia colocar nomes era tarde demais. Passaram a ser o nº 1, nº 2, nº 3. Difícil né? Mas questões importantes para se pensar a ética nas pesquisas, na vida em geral. Meu filho já não manda os coelhinhos para o céu, pela eutanásia, pois está no momento dando aulas para os calouros de anatomia.
Mas voltando a “cena primária” (risos), eu particularmente acredito que a agressividade ou tranquilidade entre espécies animais domésticas diferentes, se dá por conta dessas qualidades e principalmente defeitos que os animais aprendem conosco, na convivência diária. A Susie, a nossa poodle, por exemplo, porque foi criada com total liberdade dentro do apartamento, tem comportamentos de criança mimada, e pensa que é gata, pois fica sobre o encosto das poltronas, naquela atitude plácida dos gatos. Eu, que já tive medo de que ela falasse, passei a ter medo de que miasse. Mas isso não é tão simples como parece, e li num artigo jornalístico-científico que a afirmação de Darwin cada vez mais se confirma, de que as diferenças entre a mente humana e a animal são de grau, não de tipo. Isso vem jogando por terra a singularidade humana, mas por outro lado, a preocupação é com a invasão do nosso modus vivendi, conflitos ou a falta destes, no mundo deles. É notória a importância dos animais na reabilitação e manutenção da saúde das pessoas. Mas como diz o biólogo doutor pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), André Luis de Lima Carvalho, é preciso que compreendamos de vez que os animais estão no mundo conosco, e não para nós.
E minha crônica partiu dessa cena impensável: um gato sem-vergonha sobre o “colchão” do corpo de um cachorro. Fosse um urso, ainda mais impensável... Mas quem sabe? Tudo é possível no dito reino animal.

Sandra Fonseca
16/09/12



Fonte:
Foto:https://www.facebook.com/#!/pages/Pref ... que-gente/301620866520716. Acesso em 12/12/09 12:00
http://www.comciencia.br/comciencia/?section=8&edicao=73&id=906
Acesso em 16/09/12 às 11:45

Criado em: 16/9/2012 16:22
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Re: COMO CÃES E GATOS
sem nome
O 'impensável' sempre é uma possibilidade e esta cena comprova isso. Adorei!

Entretanto, lá no sitio meus dois cachorros brincavam com o gato do antigo caseiro que conheciam desde pequenino, o gato topava as brincadeiras. Mudou o caseiro e apareceu outro gato. Os cachorros foram brincar com ele, o gato reagiu e arranhou os cães, nem preciso dizer o que aconteceu... a natureza agressiva dos animais fez o 'pensável'...e os ratos fazem a festa, agora, no deposito das rações, desviam-se das ratoeiras.

O bicho humano sabe lidar com as rejeições e sabe estraçalhar também à sua maneira... desculpe a viagem , mas este teu texto mexeu comigo... o agradável(impensável) sempre me delicia e me torna esperançosa...

Amo tuas crônicas amiga Sandra. obrigada.

Bjs,

ALICE

Criado em: 17/9/2012 14:08
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Re: COMO CÃES E GATOS
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nós sabemos que o homem é um homem, que o gato é um gato, e que o cão é um cão, bichos. mas, saberão os animais dessas diferenças... até acho exagerada a expressão; 'vivem como cão e gato'. nas circunstâncias que nos coloca nesta crônica (ou prosa bem minêra. delícia!), eles, vivem até muito bem... eu acho que a 'bosta' está em vivermos como 'humano vs humano'. por isso, bem aconchegante é deitarmo-nos sobre uma pele de urso, morto.
beijão e o abraço caRIOca deste seu amigo,
zésilveiradobrasil

Criado em: 17/9/2012 16:01
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Re: COMO CÃES E GATOS p/ Alice Luconi
sem nome
O “impensável”! é isso que nos arranca da mesmice, da rotina das coisas postas. Seus dois cachorros bem que tentaram, pois já sabiam como é “pegar amizade fácil” (rsrsr). E o gato também entendia a brincadeira. O segundo já chegou quando a “turma” já estava fechada. E os territórios demarcados. Precisava estabelecer logo o seu, e reagiu com o seu instinto, e se deu mal.
É verdade , o bicho humano, conta com o instinto, e uma infinidade de recursos psíquicos e comportamentais, que utiliza muitas vezes de forma desastrosa. Também viajei nisso. Mas, cenas como estas acima, são um refresco na nossa rotina, às vezes, tão bruta.

Beijo, minha amiga.

Criado em: 17/9/2012 18:59
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Re: COMO CÃES E GATOS p/ JoséSilveiradoBrasil
sem nome
Meu Caro,
Disse tudo. Os arranjos relacionais do mundo deles, os irracionais, são mais bem suscedidos que os nossos. Quando é humanosvshumanos, é que o bicho pega. rsrsrsrsrs
Que maravilha seria mesmo deitar sobre uma pele de urso! Morto??? Nãoo! Vivinho da silva. Por precaução, no máximo um sedativo pra acalmar o “peluche” eriçado. Rsrsrsrs Serabenedita que o diga! Aff!
Bj, meu amigo CaRIOca.


Criado em: 17/9/2012 19:47
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