https://www.poetris.com/



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Da verdade
Colaborador
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21/1/2009 22:49
Mensagens: 707
De que estamos a falar quando se reivindica "verdade" neste espaço?
De uma foto e um nome? Dos dados fiscais e a morada?
De um discurso sem represas, se possível, sem subtilezas ou pudor?
Da abstenção de elogios e de agradecimentos?
Terá isto a ver com autenticidade poética?
Será que aqueles que cumprem estes requisitos serão "verdadeiros", quando os seus textos estão cheios dos "céus de fogo", de "silêncios sepulcrais", de "gritos inúteis" e tantos outros clichés...?
Quando se tinge de escuro o poema, não porque há obscuridade no que se sente, mas porque o preto combina bem com todas as cores (especialmente com o preto)?
Quando a liberdade de expressão é a "sua própria" liberdade de expressão, com os limites que os outros têm de respeitar (menos o "verdadeiro" poeta), sob pena de serem considerados mal-intencionados e ignorantes?

Criado em: 17/7/2017 12:17
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Re: Da verdade
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1/5/2012 18:42
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Detesto quando converso com uma pessoa e ela não me olha nos olhos, só isso já me basta para saber muito sobre uma pessoa. Já escrevi diversas vezes que não gosto de fakes, clones, etc. Para mim conversar com quem não mostra a cara é a mesma coisa de conversar com um poste de luz. Tem usuários aqui que tem diversos perfis, o que é proibido sem que se dê ciência a administração. E isso causa uma confusão tremenda neste sítio.
Contudo, no meu caso, verdade é clareza em todos os sentidos. Tanto é que no meu perfil as pessoas encontram até meu celular para poderem falar comigo. O contrário da verdade é quando omitimos propositadamente alguma coisa. Você mesmo, seja lá quem for não é um cavalo, ou Égua, pela foto não sei dizer, o sexo.
Assim por força daquilo que me mostra, querendo ou não me induz ao erro. Somos responsáveis pelos erros que induzimos os outros a cometerem. Por isso que quando alguém tem alguma dúvida sobre mim, textos e outros busco dar a informação correta. Sem problema.
Que me vejam nu, assim como a vida me vê!
Se me dizem, não sabes escrever, digo, não sei mesmo.
Como não tenho o que esconder, nem mesmo isso impediu-me de escrever meus livros.
O que na verdade as pessoas que os leem pedem-me é um glossário esotérico no final do livro.
Até hoje só um leitor me pediu que revisasse o livro Os desdobramentos da consciência humana, segundo ele os erros ortográficos e de síntese dificultam a interpretação do livro. Neste contexto o mesmo está absolutamente correto.
Se passo clareza recebo luz, simples. Dar e receber. Por isso nunca tive problemas em ter meu endereço e nome completo anunciados aos quatro cantos do mundo.
Finalizando, nos dê o prazer de lhe conhecer nos dizendo um pouco de você.

Criado em: 17/7/2017 12:47
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Re: Da verdade
Colaborador
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21/1/2009 22:49
Mensagens: 707
Neste espaço, escrever ou ler um poema, fazer um comentário ou participar num fórum não é o mesmo que uma conversa numa outra rede social qualquer. Aqui, interessam os textos e não a vida dos seus autores (aliás, o site é designado por luso-poemas, e não luso-poetas).
Defendo que a autenticidade da criação poética é distinta do seu criador, que procura encontrar algo genuíno no processo de conjugar as ideias e as palavras, libertá-las da sua carga pragmática e transformá-las em algo original.
O poeta cria uma personalidade própria, um outro eu, à semelhança de um ator que encarna uma personagem, ou um escritor que concebe um narrador. Lembrei-me agora de um dos livros da minha adolescência ("O diário de Adrian Mole"), em que o narrador era um rapaz irreverente e desajeitado, mas o autor era uma respeitável senhora de meia idade. Será que saborearia o livro da mesma maneira se o soubesse?
Não precisamos de procurar muito para encontrar exemplos de autores marcantes, cujos pormenores da vida quase desconhecemos (Gil Vicente ou Camões), ou outros que decidiram esconder o seu nome sob um pseudónimo (Miguel Torga ou Eugénio de Andrade). Já para não falar do caso de Pessoa, cujo interesse resulta, em grande medida, dos heterónimos que criou. Terão sido eles menos verdadeiros, sabendo nós que "fingiram a dor que deveras sentiam"?
Em suma, conhecer a vida íntima dos autores será mesmo algo positivo? Ou será mera curiosidade (para não dizer coscuvilhice) sobre aspetos que nada têm a ver com literatura?

Criado em: 17/7/2017 14:33
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Re: Da verdade
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1/5/2012 18:42
Mensagens: 4518
Me destes uma explicação muito boa, muito boa mesmo, assim vale a pena interagir. Diferente de quem usa o espaço de forma predatória. Compreendi perfeitamente sua visão e respeito. Meu caso, creio ser diferente. Propago mensagens trabalhando com grupos e comunidades, todos os meios de comunicação são utilizados. A pessoa humana em todas as suas nuances é um dos focos. Meu interesse extrapola o que defende. Agradeço, Paz e luz

Criado em: 17/7/2017 14:54
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Re: Da verdade
Colaborador
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21/1/2009 22:49
Mensagens: 707
Na minha família, a religião sempre teve muita importância. Para mim, também já teve, mas o caminho foi longo e tive de me desfazer de muita coisa para o percorrer...
Hoje em dia a escrita é o que tenho de mais parecido com uma experiência espiritual. Não serei muito original a dizê-lo, muita gente descreve o processo criativo dessa maneira.
Mas, para mim, há algo de especial, não durante o processo, mas na sua fase final, quando sinto interiormente que terminei. Quando volto a ler e parece que vejo algo que já não me pertence, algo estranho e familiar ao mesmo tempo. Há quem descreva isso como a experiência do parto. Não sei. Sei sim que é algo que me dá prazer e, sim, parece-me verdadeiro, no meio de tantas coisas falsas a que nos sujeitamos por força das circunstâncias da vida.
Essa experiência não tem nada a ver com um suposto sentimento de vaidade pela qualidade dos escritos. Alguns dos textos de que mais gosto são os que menos elogios granjearam, o que não tem importância absolutamente nenhuma -- o importante é a intensidade e a autenticidade que sinto nessas palavras imperfeitas.
Quanto à sua resposta: mostra muito mais sobre si do que uma fotografia ou um nome próprio. Mostra uma pessoa disponível para ouvir e para aceitar, mesmo que discorde. Mostra uma pessoa humilde e segura o suficiente para dizer que entende, sem ver isso como uma derrota numa competição.
Aliás, se alguém saísse derrotado, seria eu, que lhe revelei muito mais nestas duas respostas do que porventura quereria no início deste debate :)

Criado em: 17/7/2017 16:26
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Re: Da verdade
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1/5/2012 18:42
Mensagens: 4518
Fico feliz quando consigo conversar com alguém no nível em que você se coloca e o mérito é todo teu, se há um vencedor aqui é você, que conseguiu extrair o melhor de mim. Paz e luz

Criado em: 17/7/2017 16:34
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Re: Da verdade
Colaborador
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6/11/2007 15:11
Mensagens: 1576
Gosto mais de verdades.
Cada um tem a sua.
Elas tornam-se mais próximas de ser apenas A Verdade quando, em meu ver, é partilhada. Se for por muitos, mais nos afastamos do plural.
É um assunto pertinente que merece um fórum.
Mais do que divulgar a edição de um livro ou uma teoria da própria criação, este é um espaço de discussão, puro e duro.

Sobre a utilização do espaço.
Ninguém está à espera que todos façam como eu, que dou o meu nome e no perfil tenho o meu nome completo e uso a minha foto.
Há em primeiro lugar um espaço destinado à timidez.
Depois, dependendo dos conteúdos exposto, há a salvaguarda e bens maiores.
Por exemplo, uma pessoa que goste de escrever sobre conteúdos eróticos pode não querer que os filhos menores saibam ou leiam. Ou os colegas do trabalho. Ou os próprios pais. Eu não gostaria que os meus lessem muitos dos poemas que escrevo.
Nã há nada de errado em um utilizador usar um pseudónimo e uma imagem que goste como foto.

Ter vários já é discutível.
Pode ser uma forma de manipular os leitores e grangear leituras e comentários.
Além de assim poderem atacar quem quiserem e como quiserem. É um acto de cobardia.

A pseudonomia é utilizadissima. Rómulo de Carvalho, quem era?
era um professor de Liceu.
Nome artistíco, António Gedeão. Perdão pseudónimo.

A heterónimeidade já é mais complexa.
O estilo é radicalmente diferente.
Bem Feita (bem haja Fernando Pessoa!) cada persona tem um local de nascimento diferente, idade, profissão, mapa astral, morada, etc...

Temos de estar prontos para ouvir de tudo sim!
Acham que os consagrados não foram ofendidos por alguém amargurado ou com um gosto estranho?

Cada vez que um António Lobo Antunes (difícil...) lança um livro não terá um crítico a avaliá-lo.
Se esse crítico não gostar, mentirá?

Imaginem então nós, que mal sabemos o que aqui andamos a fazer.
Mas sou a favor de tudo. Um elogio sabe bem. Se cometer um erro ortográfico ou semântico que não reparo e alguém me diz, só tenho de corrigir.
Senão Eu é que fico mal visto. Porque preferi o erro.

Eu posso nem me chamar Rogério Beça.
O nome em germânico quer dizer: "Famoso pela Lança". À Beça no Brasil quer designar "muito", ou em grande quantidade.
Pode ter uma conotação sexual que eu goste.
Augusto quer dizer em latim, "o grande".
Coutinho, ou Coitinho é um mini-coito...

Mas vá é a minha sina de baptismo.


Vamos mas é escrevinhar, excretar, martelar, uns poemas e fazer disto um local de aprendizagem de poesia, não de pseudo-poetas...


Criado em: 17/7/2017 17:19
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Re: Da verdade
Colaborador
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21/1/2009 22:49
Mensagens: 707
A minha intenção ao abrir este tópico não era discutir o tema da verdade numa perspetiva epistemológica, ou seja, se é possível ou não conhecer a Verdade ou, aprofundando mais ainda, se a Verdade existe. Deixo isso para os especialistas em Locke, Berkeley e quejandos.
A minha intenção era problematizar a ideia de que é necessário conhecer dados pessoais de cada um dos autores deste site, caso contrário, o espaço perde qualidade e fica sujeito a todo o tipo de desmandos e insultos.
Tentei provar que é legítimo e até, em certas circunstâncias, preferível recorrer a um pseudónimo em vez de se assinar em nome próprio. Aliás, o risco da diminuição da qualidade das discussões (Nota: eufemismo para "lavagem de roupa suja") existe mesmo com a identificação dos autores, como temos assistido desde há muito...
Sem entrar por aí, passemos ao que interessa.
O Rogério introduz várias ideias que aprofundam o tema e acrescenta um argumento que me agrada particularmente: a de que o nome (verdadeiro ou falso) pode entrar no jogo literário e introduzir "nuances" na leitura dos textos. A simbologia associada aos antropónimos pode ser mais um recurso a envolver todos os outros a que um criador lança mão. É como uma espécie de moldura, que enquadra os textos, mas não deturpa a sua imagem.

Criado em: 18/7/2017 8:50
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Re: Da verdade
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1/5/2012 18:42
Mensagens: 4518
A minha intenção ao abrir este tópico não era discutir o tema da verdade numa perspetiva epistemológica, ou seja, se é possível ou não conhecer a Verdade ou, aprofundando mais ainda, se a Verdade existe.

Parto do princípio de que não conheço nem a mim mesmo, a nível de algumas reações próprias surpreenderem-me seja em que direção for.
O auto conhecimento é uma busca constante.
Reviso sempre meus textos mais antigos e observo o que mudou em mim.
Defendo meus pontos de vista, embora saiba que a qualquer momento pode surgir em minha vida um fato novo que agregado à minha consciência mudará meu pensamento.
Nasci vendo e ouvindo o que a grande massa populacional não vê ou ouve, isto por si só moldaria meu mundo.
Vejo a verdade como uma escada infinita. A medida que vou subindo seus degraus minha visão agrega coisas novas que não via antes.
Além de tudo tenho lembranças muito claras e vivas, que para entendimento chamo de vidas passadas.
Tudo que vejo e percebo, molda meu mundo e verdade.
Agora, que é complexo compreender mundos diferentes do nosso, ah.... Isso é.
Por isso sempre fui muito visado aqui por esta turma zombeteira.
Meu pensar segue a rota das minhas visões e lembranças, agregada a todos os mundos diferentes à minha volta.
Assim, concluo que, embora defenda com unhas e dentes a clareza, verdade é individual e plenamente mutável, se é que existe uma.
Não sei se agreguei algum valor ao tópico.
Acabei por comentar de forma contrária ao que foi proposto.

Criado em: 18/7/2017 12:54
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Re: Da verdade
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21/1/2009 22:49
Mensagens: 707
Creio que pode ser interessante, neste ponto do debate, apresentar um exemplo recente que pode ilustrar o que pretendo dizer.
Há algum tempo, uma escritora italiana começou a invadir os escaparates e a chamar a atenção pelos temas e pela intensidade dos seus livros, mas também pelo facto de recusar entrar nos circuitos literários, ocultando quaisquer dados biográficos, recusando entrevistas ou o contacto com fãs.
Chama-se Elena Ferrante. Li um livro seu, sem nada saber a seu respeito. Terminei a leitura impressionado e inquieto. Não preciso de dizer que o seu anonimato não me pareceu nem subversivo, nem uma forma intencional de criar um certo hype à sua volta (alguma imprensa tentou passar esta ideia). Pareceu-me algo natural, de quem achava que o seu texto devia ser analisado sem uma interpretação linear, feita a partir da história da sua vida ou das suas declarações públicas.
Há meses, sem a sua autorização, foi publicado o seu nome por um jornalista que se ufanou em descobrir a identidade da autora. O que se conseguiu com esta revelação? Conhecer uma vida discreta e sem dramatismos (afinal, é permitido aos escritores que sejam "pessoas normais"), muito diferente das personagens e das situações que narra. E, entretanto, desrespeitar o direito à reserva e à vida privada das pessoas, que desejam ficar longe de coscuvilheiros e da imprensa sensacionalista, que granjeou alguns cobres à custa da história...

O meu nome, a minha idade, a minha profissão... Interessam assim tanto a quem gosta ou a quem detesta o que escrevo? Farão diferença a quem for elogiado ou criticado por mim?
Depois do que escrevi aqui, ficarão com certeza com uma ideia mais completa a meu respeito do que se eu simplesmente colocasse uma foto e o meu nome no perfil, já agora com o endereço do Facebook, para poderem ver a minha data de aniversário e as fotos da minha vida banalíssima...
Haverá quem se escude no anonimato para ser insultuoso -- mas essa será a regra ou a exceção?


Criado em: 18/7/2017 18:21
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