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Re: Da verdade
Colaborador
Membro desde:
21/1/2009 22:49
Mensagens: 675
O Rogério é meu irmão de letras. Ponto. Não pretendo defendê-lo, porque eu seria sempre parcial e, além disso, ele não precisa que eu o faça. No entanto, quero dizer publicamente uma ou duas coisas sobre ele.
Tem sempre razão? Não (nem o deseja). É consensual? "Credo", diria ele. É bem comportado? Não, tem sangue na guelra e não se cala. Tem contradições? Todos temos, e depois?
O Rogério também é conhecido por uma característica que lhe pode valer amargos de boca: aproximar-se dos limites que os lugares-comuns impõem e discuti-los, com argúcia e clara consciência da proximidade do risco.
Dito isto, só quem está distraído é que não reconhecerá a dedicação séria ao que ele próprio e ao que os outros escrevem. Para além de ser um poeta dos mais desafiantes que conheço, é o exemplo acabado de um princípio que muitos reconhecem, mas poucos colocam em prática: aos autores que admiramos, devemos, acima de tudo, uma leitura atenta e reflexão. Uma obra literária não nasceu para ser um capítulo de um manual escolar ou um ponto turístico no panteão nacional, mas sim para ser lida e vivida.

Reconheço que talvez me tenha excedido na forma como me referi aos textos do Azke. Leitura crítica é diferente de sarcasmo. A primeira merece ser exposta em espaço público; o segundo só tem interesse para os próprios que, se quiserem, têm espaços onde podem trocar estes e outros mimos.
Não concordo com a sua posição sobre a autenticidade dos textos estar necessariamente agregada à biografia do autor. O formalismo russo do início do século explica-o melhor do que eu conseguiria, portanto, remeto-o para essas leituras (pesadas, mas úteis para quem se interessa por literatura a sério, como parece ser o caso).
Estudar os circuitos literários e editoriais, os fatores que tornam um autor canónico, as variantes que fazem de uma obra um best-seller... Tudo isso tem interesse, numa perspetiva descritiva-explicativa, não como norma ou prescrição. Não posso dizer com toda a certeza que alguém que tenha uma vida interessante, respeitável, altruísta até, seja necessariamente um bom escritor. E vice-versa: há escroques que, com aquilo que escrevem, conseguem inquietar-nos, pôr a nu as nossas vulnerabilidades e mudar a nossa vida.
Finalmente, posso estar errado, mas vejo uma diferença de grau entre um comentário neste espaço, mesmo que não tenha a elevação que se desejaria, e as manipulações perversas de um pedófilo. Associar uma a outra situação é uma falácia comummente denominada "bola de neve".
Do mesmo modo, não creio que usar um determinado vocabulário nos textos tenha a ver necessariamente com recalcamentos. Por o Azke se referir tantas vezes a cabras e cavalos, terá ele tendências parafílicas com animais? Até Freud tem limites...

Criado em: 19/7/2017 10:00
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Re: Da verdade
Da casa!
Membro desde:
26/10/2010 17:44
Mensagens: 408
a partir de um determinado momento, considero que estas discussões não levam a lado nenhum, não passam de esgrima de egos, por mais que os intervenientes estejam a ser sinceros e coerentes com as suas convicções, estão porém, amarrados a elas, como velas amarradas aos mastros de um veleiro...não querem saber do barco ou do rumo, apenas do vento que as faz inflar...e claro, o mesmo vento não pode soprar e inflar duas velas diferentes...para mim, é-me indiferente que tipo de perfil me aparece à interacção...porque eu não estou em busca do erro do outro, interessa-me o ganho, o proveito que pode dai resultar, e se tal não se verificar, não há ganho, mas também não considero que tenha havido perda...em todo caso, o outro é a parte menos importante da minha realidade, não quero com isto dizer que desconsidere outras pessoas, pelo contrário, mas em qualquer situação, independente que quem ou quantos intervenientes tenha, o principal, o mais importante de todos, sou eu...desde que me respeite em primeiro lugar, irei respeitar todos os outros, sem qualquer outra necessidade adjacente...esta é a única verdade que procuro, a que, interiormente me torna melhor pessoa, primeiro para comigo mesmo, depois para com os outros e com o mundo...abraços

Criado em: 19/7/2017 23:11
_________________
Viver é sair para a rua de manhã, aprender a amar e à noite voltar para casa.
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Re: Da verdade
Colaborador
Membro desde:
21/1/2009 22:49
Mensagens: 675
As mensagens de um dos interlocutores neste tópico foram retiradas.
Quer tenha sido uma decisão do autor, quer da administração do Luso, compreendo e aceito. No entanto, como devem calcular, as restantes mensagens parecerão algo estranhas, porque argumentam a partir de algo que, entretanto, desapareceu.
Tenho pena, até porque, mesmo discordando das afirmações do nosso contestante, defendo o seu direito de as publicar, no respeito pelo princípio da liberdade de expressão.

Criado em: 23/7/2017 14:45
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Re: Da verdade
Colaborador
Membro desde:
5/11/2015 18:42
Mensagens: 2012
Não se preocupe, boxer.
Eu retirei as msgs. Fiz pq quis. Não achei conveniente deixa-las da forma como o assunto se estendeu.. eu defendo as minhas convicções e sempre farei assim, mas esse tipo de "arma" não é pra ser usada contra pessoas iguais a você. pq voce é, definitivamente, maior q isso.




Sem mais,

Criado em: 23/7/2017 17:30
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Re: Da verdade
Colaborador
Membro desde:
21/1/2009 22:49
Mensagens: 675
Admiro a sua resposta, nos vários sentidos que o verbo "admirar" pode ter.
A discussão consigo também foi um momento de aprendizagem e reflexão, que agradeço, apesar do entusiasmo ter levado a um ou outro exagero. Não quanto ao tratamento por "velha senhora", que até achei graça...
Creio que para o meu caro Rogério também não terá sido tempo perdido. Parece-me que ele também aprecia a intensidade de um debate aceso e, para além disso, tem bom humor, o que ajuda muito a relativizar aquilo que, na vida, não tem importância.
Pode ser que, um dia, o Azke lance algum tema por aqui e que possamos todos conversar de outra forma, mais descontraída, para apagarmos más impressões.
Até um dia.

Criado em: 23/7/2017 17:55
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