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Enquanto Morta
sem nome

Havia chegado o momento de férias onde a família se reunia para viajar. De um modo geral iam sempre ao litoral onde ficavam por quinze dias. Melissa se entediava rapidamente, no máximo três dias estava bom demais para ela. Este negócio de areia nos pés e sol escaldante não era com ela. Não tinha muita opção, ou viajava com os pais, ou ficaria em casa sozinha por um bom tempo, assim melhor era cumprir com o chato ritual. Aliás, mundinho complicado o de Melissa, que considerava tudo muito entediante. Com estes pensamentos na cabeça ela embarca com seus pais no avião que os levaria à Indonésia, um passeio programado e sonhado há anos por eles. Era dezembro de 2004. O hotel em que se hospedam fica de frente para o oceano. Lá pelo quarto dia Melissa deixa os pais na praia e sai para passear, queria ver a paisagem lá do alto da montanha. Naquela manhã, quando finalmente chega no cume, ela viu a água do mar avançar em ondas gigantes sobre a areia. Era uma cena inacreditável ver as ondas avançando derrubando as casas e engolindo as pessoas. Quando conseguiu pisar novamente em terra firme, algumas horas após a passagem das ondas gigantes, Melissa voltou ao hotel onde estava hospedada, caminhando com água ainda na altura dos joelhos, em meio aos corpos de vítimas pelo caminho. Desesperada, procurava pelos pais. Em seguida, foi levada por um caminhão a um centro de refugiados. Pelo caminho só destruição e pessoas mortas. Ela fica dois dias ali enquanto as autoridades identificam as pessoas vivas e mortas. Infelizmente os corpos de seus pais não são encontrados. Levada a embaixada Brasileira ela retorna a sua casa. Muitos corpos nunca foram encontrados, seus pais também não. Ela agora era órfã, sem parentes conhecidos ou amigos chegados.

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Criado em: 20/11/2017 8:01
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