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"Ao Lado"
sem nome
Pressinto sempre o fim do caminho não muito longe de onde me encontro e hoje esta paz podre de morto parece-me um pesadelo. Queria compor-te, tirar-te as cuecas, tirar-te esse vazio, acabar definitivamente com a discriminação dos cães de porcelana, com o desdém da ignorância, por fim ao sofrimento, ouvir da tua boca sussurrar o murmúrio relativo à vida, a esse calor de sonho que decerto nos levaria mais longe.



https://albertomoreiraferreirapoesia.b ... or-maria-jose-guerra.html

"THEIA"









Criado em: 24/8 22:29
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Re: "Ao Lado"
sem nome
Quando eu morrer deixarei de ver
_______________os meus tristes,
Nem a solidão na sua ausência me vestirá,
Serei mais um em bom rigor jamais visto,
Um dia humus heterogéneo de flores,
A erva, e tudo o resto sob uma brisa,
Que se desfará nos teus lábios adormecidos.
Quando eu morrer adeus meus amores,
E serei só o amor um dia esquecido,
Como esse olhar derradeiro.


















se não se drogassem com drogas estúpidas o mundo seria mais bonito.


Criado em: 24/8 23:12
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Re: "Ao Lado"
sem nome
Gosto muito mais de ti nestes últimos dias, grandes de Junho, em que apareces a sorrir. Gosto muito mais de ti com o adeus mais esbatido e os mel me queres mais amarelos, também eles esquecidos da dureza das águas a contrastar vivamente com o verde inocência onde deixo o sol soprar. Gosto tanto de ti. Gosto muito mais de ti nestes últimos dias

Alberto Moreira Ferreira





Criado em: 24/8 23:22
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Re: "Ao Lado"
sem nome
A solidão esculpe as horas os dias os meses os anos, esculpe e transfigura o mais imune dos homens à morte. Eu tenho quem me quer amar, mas, não tenho o coração que quero e não me apetece nada nada tomar banho.

À noitinha para não escrever as horas húmidas dos dias pardos dos meses siameses dos anos de papel vazio, deixo o corpo sentado à mesa entre o cigarro o café o caderno de rabiscar e esquivo-me talvez por vicio ou tão só pelo bom gosto de fugir às tristes horas a ver se pinto um bonito. E nesse sonho muito muito bonito, de coração pela depuração do fogo o consolo pela beleza do sorriso dos seus olhos mimados, tão lua tão livre tão transparente tão bem vestida... por momentos acaba-se o tédio da morte onde tenho dormido enroscado sentindo a falta da ave que ocuparia a travesseira acaso me visse...

No regresso ao corpo tenho sempre a sensação estranha e prazerosa da vertigem. Depois levanto-me e vou à sala e às vezes ao quarto desligar a luz e a televisão.

A.M.F.









FELIZ NATAL

Criado em: 24/8 23:45
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Re: "Ao Lado"
sem nome
As hienas acabam por perder os dentes no que resta das carcaças. Lá mais para o inicio da primavera as árvores encher-se-ão de novos rebentos príncipes da nova estação. A perspectiva da luz vai mudando a cada fio que se encontra, e tu não sabes o quão horrível é perder a paz pela multidão calada como as moscas antes do tempo, que não se rala, que não está nem aí pela tua mão.

"Fama", Alberto Moreira Ferreira

https://theiapoemas.blogspot.com/

Criado em: 25/8 11:35
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Re: "Ao Lado"
sem nome


Preocupamo-nos demasiado connosco e esquecemo-nos que o bem estar dos outros é essencial para estarmos bem.





A vida em comunidade só é saudável e essencial se for para garantir o equilíbrio da natureza e não como garante dos nossos próprios interesses e sobrevivência.





Estaremos em paz e poderemos ser felizes quando deixarmos de nos enganar.





Se não procurares a verdade a vida é uma mentira.





Um pequeno ladrão é um infeliz, um grande um desgraçado.







Eu não escrevo, eu não escondo, eu viajo.











A vida que outrora era formosa hoje acena-me desbotada, a mim que já fui tão livre, a mim que hoje tenho tanto medo, e logo a mim que me venço e estou bloqueado, e sei que todos estes ossos herdados das árvores, da areia, das daninhas das árvores, que me esmagam, só poderão ser ultrapassados se me libertar. Eu não sei viver sem amor, preciso de amar e ser amado. Tenho tanta necessidade de ser pleno. Será que todas as árvores são perigosas!


"Fim", Alberto Moreira Ferreira



https://theiapoemas.blogspot.com/









Criado em: 25/8 20:59
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Re: "Ao Lado"
sem nome
"O silencio da Tua Pele", é o fluxo habitante da residência, da casa amarela, orvalho desvendado no papel de lustre pelo poema a abraçar o vinho, como os pombos a palavra mais fundo que uma barca, tal a rosa e a águia, o sopro maternal de um espaço ilustrativo de hoje, e simultaneamente um grito de alma de um lírio do campo em comunhão com a tarde, com a noite, com o tinto a caminho da manhã para amanhã, mergulhando no coração enamorado de um céu, contemplativo, regenerador, representando o ardor, amor, a vivacidade de um luar encarnado a ecoar a ecoar, verdes, azuis mar.









Enquanto fores esperança pela força do cartão serás amado como ninguém e ninguém é ninguém. Se adoeceres partires um braço ou uma perna já foste, sem palavras. E tudo isto não é duro cruel nem nada demais, é somente o resultado do mais perfeito vazio da sombra calculista da terra. Ninguém é o maior. Não é amor!







O perdido é falador e o cobarde não tem palavra. A alternativa é pontual.









Em tanga, detalhe lateral, molhada, perdidamente ansiosa para ser tocada. E porque quereria eu ser uma estrela! Que faria eu com uma vida de sonho, fantástica, rodeada de sombras, uma vida de nada! Agora sexo apenas, amputação, agora nada! Eu preciso de mais que o ópio do povo, preciso de aroma, odor, preciso de crescer e não diminuir, preciso do carácter da vida e não do paladar da morte. Na verdade eu preciso de existir de verdade. Preciso de mexer sentir beijar... de maneira que privilegio o amor e a vida real isenta de gatos, e preciso de tempo, integral para viver. Não perdi o amor próprio, mas não sou vaidoso, não sou excessivamente tímido, mas não padeço de comodismo nem tenho a mais pequena vocação para cão herege, nem peditórios contos de fadas e muito menos para exibicionismo, e apesar de me encontrar só não me encontro carente a ponto de não desobedecer. Ia lá agora imobilizar-me pagar uma máscara e perder o respeito por mim, e a mostrar, mostraria sempre mais que a estratégia suspeita da fotografia morta de outrora. Não sou doente nem misógino, não sou caçador de nada nem contribuo para a desgraça da humanidade, sequer quero ser parte desse rico pobre mundo de milhões, dessa histeria cemiterial decadente, da vergonhosa curiosidade mórbida do decapitado pelo acidente, não, eu não contribuo para as estatísticas do numero de mortos desse grande ladrão, desse pequeno grande mundo de aparências. Se desumanizar é um arcp-íris eu estou fora. Emissões, zero. Mas o que vai sendo feito das sementes manipuladas, desses relógios sem cara, desses diabos bois vacas facas infiéis fieis ao cão? Não sei, sequer sei o que é feito da humanidade afundar-se. Eu gosto muito das coisas sem interesse segundo os gatos, dos afectos genuínos segundo o lobo de vigília pro paz interior e duradoura, das coisas verdadeiras segundo o pensamento polido, agora nada, nada não, não muito obrigada, eu não quero nada, não quero, eu sou diferente e também sou como a fonte gente. Eu gosto mesmo é de pecar e trair a morte, por isso não me peçam para enganar a vida e ser traído, mesmo que seja bonito ao abrigo da menoridade, não alinho na esquizofrenia colectiva dessa cidade, dessa verdadeira futilidade, basta-me a vida, a existência na medida do possível, real e efectiva, e vou dizer-vos mar gente gente mar como ar grosseiro, antigo, eu também sou... não, nem digo.








Nada no mundo dói mais que o punhal cravado nas costas, e que o silencio de quem se certifica que o queimado vivo está a sofrer. Depois há outros silêncios inflamáveis, silêncios agrestes, estratégicos, todos eles próprios de quem se fecha para incendiar. E há outras dores de igual monta. A dor do abandono quando por um motivo imperial te vês impossibilitado de lutar e não te resta mais para dares de comer. Há alturas em que o mundo parece acabar. Não fui eu que inventei as bocas de competição. Há outros silêncios. Há o silencio de Judas. Há o silencio das sombras. E também há silêncios precisos. Há o silencio dos homens bons. Há o silencio de quem morre tranquilo. Há o silencio do valente que vai embora sem se despedir morrer sozinho limpo de nuvens depois de trabalhar por não ser justo ter de roubar e pedir.








No fundo, já só tenho o coração a sangrar, esta amargura para negar, esta tristeza para deixar, esta vontade de pedir, leva-me para bem longe, por favor, esta vontade de partir. No fundo deste nada, nem mais, já só tenho isto tudo.




Alberto Moreira Ferreira

https://osilenciodatuapele.blogspot.com/


Criado em: 25/8 21:29
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Re: "Ao Lado"
sem nome
Mas também vi sapos no pomar. E recordei a natureza descontente. E abracei uma janela. Mas também vesti e não sentei. Mas também és uma querida.





Criado em: 25/8 22:14
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Re: "Ao Lado"
sem nome
Passo demoradamente pelo travesseiro na mesma praia roseira mar onde sempre deixo o escuro do quarto florir a céu estrelado. O tempo pára entre os nossos abraços, ida viagem à eternidade do infinito a iluminar o desejo das aves sob o luar dos lençóis, de faces rosadas, de texturas e nuances do mais puro linho recolhido das carícias dos nossos unificados corpos ciganos. O silencio pendurado não se cansa de me repetir a vontade que sinto de te escrever ainda hoje boca a boca todo o
Meu Amor

Roseira, 2010, in Vestidos De Regadio, 2014, Alberto Moreira Ferreira


http://vestidosderegadioo.blogspot.com/

Criado em: 25/8 22:16
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Re: "Ao Lado"
sem nome
Quando trabalhamos com alguma forma de expressão artística e tornamos público...



Volta e meia o carrossel excitado cospe estouvados. Como é fatídico o vazio.

Criado em: 26/8 7:47
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