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EU VÍ IEMANJÁ
sem nome
Que não tem uma crença? Uma que seja? Umazinha? Um patuá escondido na gaveta, uma figa disfarçada no chaveiro. Ah, quem já foi na Bahia e não voltou com fitinha de Nosso Senhor do Bonfim amarrado até ... na língua? Fitinhas coloridas, 50 tons de fé. Nem me diga que não, pois se você não compra, um bom baiano dá um jeito de te prender uma, meu rei. Visse, minha tia? Cortar uma fitinha da Bahia... Quem há de ter coragem? Há pouco descobri, por uma amiga, que após um brinde, é preciso dar um golinho rápido na bebida, se falhar, xiii, é sete anos sem transar. É ver a mulherada virando logo a taça, de medo de não mais quebrar a “loiça”. Ai, ai.
O fato é que os maiores céticos, mesmo esses, não escapam de uma fezinha. De mais a mais, fede mais, fede menos... E ainda como diria um famoso político mineiro em seus comícios: “Eu com a minha fé e nós com as nossas fezes”. Hã, perdoe-me caro leitor, a conversa ficou muito escatológica.
Eu falava de crenças. Pensando em entrar o ano com o pé direito, fui passar o réveillon na praia. Amarela como estava, não esqueci o filtro solar, fps 30. Não fosse minha amiga, mais prudente, tinha virado um camarão espetado sob o sol. É que ela levou uns quatro opões de filtro, 30, 60 e 70! E obrigou-me quase a usar o fps 60 e 70 no pescoço e rosto. Agora acredito, o sol queima, e não existe mais camada de ozônio! Muito bem, bronzeado garantido, fiquei pensando nos truques para garantir um 2013 perfeito: vou pular sete ondas, vou comer sopa de lentilhas, comer 12 uvas. Lembrei de Iemanjá, misto de figura mística, mítica, e religiosa. A rainha do mar, é também conhecida por dona Janaína, Inaê, Princesa de Aioca e Maria. Iemanjá!... Bastará meu pedido na beira-do-mar...
Cheguei no hotel, na hora do almoço, peguei a chave na recepção e... lá estava ela. Sentada no meio da poltrona, no hall. Pisquei várias vezes, olhei de novo... O vestido era azul clarinho, salpicado de pequenos bordados, o véu branco. Não tive coragem de perguntar a mais alguém se também a estava vendo. No dia seguinte, no café-da-manhã, lá estava ela. Sentada em uma mesa de dois lugares. A louça vazia à sua frente não confirmava nem desmentia se ela havia tomado o café. Depois, estava numa delikatessen, onde almocei. Tinha pernil com farofa, e pirei pensando se Iemanjá comia pernil com farofa...
Na praia no dia seguinte, chutei algo entre as conchas. Um objeto estranho que peguei para melhor examinar. Era uma pequena imagem de Iemanjá. Quase gritei. Era um sinal. Era Iemanjá, gente! Perguntei à minha amiga se ela também tinha visto uma mulher de azul e branco. Ela viu! Pensou ser uma senhora de alguma seita, algo assim. Não, era Iemanjá!
No terraço do hotel assisti ao festival de fogos de artifícios, lindo! Pensei em todas as coisas boas que poderiam me acontecer neste ano. Saúde, trabalho, família, amores!...
Apertei o quadrado de papel sob os dedos nervosos. Alí estavam todos os meus pedidos. Descí no elevador até o hall. Ela estava lá... Sentada no meio da poltrona, com seu manto branco. Parecia um Buda tropical, um portento místico ao meu dispor.
Disse,(ai que besta), eu: “Dona Iemanjá, pode receber isso?” Nem precisava, pois ela estendeu uma mão e respondeu com um sorriso. Voltei para o elevador trêmula e sem me virar. Sentí que ela se diluía como uma miragem atrás de mim.
Levou minha “lista” de pedidos. Querem saber o que pedi a Iemanjá?
Ah, tá.Tudo bem,numa próxima crônica, prometo revelar, visse? (rsrsrsrs)

“Oguntê, Marabô
Caiala e Sobá
Oloxum, Ynaê
Janaína e Iemanjá
São rainhas do mar”.

Sandra Fonseca


Nota: Este não é um texto de ficção. Tudo aconteceu em Vitória - ES, praia de Camburi (belíssima), entre os dias 29 e 02/01/13.

E o espetáculo da voz de Marisa Monte:



Criado em: 9/1/2013 0:50
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Re: EU VÍ YEMANJÁ
Colaborador
Membro desde:
29/9/2011 0:22
De Olinda, Pernambuco
Mensagens: 1148
fé de mais e fode menos hahahahaha

eu, que duvido de tudo,
duvido que você esteja errada...

já tive a oportunidade de dar um pulo
na praia de camburi, se não me engano,
mas tava de noite e eu tinha bebido,
então, se eu não estava em camburi
era bem capaz de estar num camburão.

beijones, sandroca

Criado em: 9/1/2013 1:05
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alguns anos de solidão - blogue

"ah, meu deus do céu, vá ser sério assim no inferno!"
- Tom Zé
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Re: EU VÍ IEMANJÁ
sem nome
como 2013 é ímpar, ano perneta, por via das dúvidas transpus com o pé direito e esquerdo. e por desencargo, comi as 12 uvas, pus na carteira uma folha de louro, só não consegui foi dar só uns golinhos nos copos de birita quais brindei, muitos... ao pular as sete ondas me deu um puta enjoo e vomitei toda sopa de lentilha. já no primeiro dia tive que pedir perdão a Yemanjá... mas irei pedindo o que precisar durante o ano.rs acreditei em tudo, podes crer...

http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=173666

bj e meu abraçaço caRIOca.

Criado em: 9/1/2013 13:09
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Re: EU VÍ IEMANJÁ p/ o Caio
sem nome
Deu um pulo? Mas, são 7, meu amigo. Por isso deu defeito. rsrsrs Tente outra vez!

Macarrones!

Criado em: 9/1/2013 16:30
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Re: EU VÍ IEMANJÁ p/ ZéSilveiradoBrasil
sem nome
Iemanjá deve tá horrorizada contigo. Onde já se viu vomitar na oferenda?? Credo! Haja perdão, viu? Dia 2 de fevereiro tem que ir na Bahia acompanhar a procissão pra Iemanjá. Sei não... Agora que somos “amigas” vou ver se posso te ajudar.
Toma juízo!

Criado em: 10/1/2013 22:35
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