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adição de torquato neto aos "clássicos"
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helen, que tal adicionar o torquato aos clássicos?

beijo

Criado em: 22/9/2014 18:10
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Re: adição de torquato neto aos "clássicos"
sem nome
Cogito

Torquato Neto


eu sou como eu sou
pronome
pessoal intransferível
do homem que iniciei
na medida do impossível


eu sou como eu sou
agora
sem grandes segredos dantes
sem novos secretos dentes
nesta hora


eu sou como eu sou
presente
desferrolhado indecente
feito um pedaço de mim


eu sou como eu sou
vidente
e vivo tranqüilamente
todas as horas do fim.


Torquato Pereira de Araújo Neto nasceu em Teresina (PI), no dia 09 de novembro de 1944. Foi contemporâneo de Gilberto Gil no colégio em que estudou, em Salvador, tornando-se amigo do compositor e conhecendo também os irmãos Caetano Veloso e Maria Bethânia. Em 1966 mudou-se para o Rio de Janeiro, começando seus estudos de Jornalismo. Mesmo sem ter concluído o curso, iniciou-se na profissão trabalhando em diversos jornais cariocas, tendo criado e redigido a coluna "Geléia Geral" no jornal carioca "Última Hora". Um dos criadores do movimento tropicalista, é o autor de inúmeras letras de músicas de sucesso, entre as quais destacamos "Mamãe, Coragem", "Geléia Geral", "Domingou", "Louvação", "Pra dizer adeus", "Rancho da rosa encarnada" e "Marginália II".

Em 10 de novembro de 1972, suicidou-se deixando o seguinte bilhete: "Tenho saudade, como os cariocas, do dia em que sentia e achava que era dia de cego. De modo que fico sossegado por aqui mesmo, enquanto durar. Pra mim, chega! Não sacudam demais o Thiago, que ele pode acordar".

Em 1973, ocorreu a publicação póstuma de seu livro "Os Últimos Dias de Paupéria", organizado por Ana Maria Silva Duarte e Waly Salomão. Três anos depois, alguns de seus poemas foram incluídos na antologia "26 Poetas Hoje", organizada por Heloísa Buarque de Hollanda. Em 1997, foram publicados quatro de seus poemas na antologia bilíngüe "Nothing the Sun Could Not Explain", organizada por Michael Palmer, Régis Bonvicino e Nelson Ascher.


O poema acima foi publicado no livro "Os Últimos Dias de Paupéria", Max Limonad - Rio de Janeiro, 1973, e selecionado por Ítalo Moriconi para figurar no livro "Os cem melhores poemas brasileiros do século", Objetiva - Rio de Janeiro, 2001, pág. 269.

Criado em: 22/9/2014 19:35
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Re: adição de torquato neto aos "clássicos"
sem nome
francamente, já li poemas bem melhores e mais eloquentes de usuários do Luso. me parece que a amizade com o pessoal da Tropicália e a aura de poeta maldito suicida lhe renderam mais pontos...

Criado em: 22/9/2014 19:36
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Re: adição de torquato neto aos "clássicos"
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28/9/2011 22:22
De Olinda, Pernambuco
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bom, aí vai o gosto, coisa que não dá tanto pra discutir quanto a qualidade da obra do torquato. no entanto, torquato viveu em pouco tempo muito mais da contracultura brasileira que tantos outros que ainda estão por aí. a literatura de torquato é animada por sua devoção para com as letras e a cultura. ele não é tão prolífico quanto leminski, mas é de uma dor real a obra dele. o poema que mais gosto, que foi musicado em conjunto com o edu lobo e, se não me engano, o seu último, é o

Adeus
Vou pra não voltar
E onde quer que eu vá
Sei que vou sozinho
Tão sozinho amor
Nem é bom pensar
Que eu não volto mais
Deste meu caminho

Ah! Pena eu não saber
Como te contar
Que o amor foi tanto
E no entanto, eu queria dizer

Vem
Eu só sei dizer
Vem
Nem que seja só
Pra dizer adeus


abraço

Criado em: 23/9/2014 19:03
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Re: adição de torquato neto aos "clássicos"
sem nome
gosto?

ok, vamos então destrinchar. Ele usa rimas. E pobres, de conjugação verbal (voltar/vá/pensar; saber/dizer).

Felizmente, a poética salva o poema de sua forma pobre (talvez por ser para canção popular) e a última estrofe é tocante, "patético" até, como suicidas do século XIX chamariam.

mas a real carga dramática implícita só é evidente a quem conhece o contexto do autor. O texto em si poderia bem falar apenas de mais uma dentre tantas paixões encerradas... no caso, configurando apenas mais um poema dor-de-cotovelo como tantos outros por aí (talvez até com rimas ricas).

resumindo, não achei essa cocada toda. Mas se a crítica especializada da grande máquina midiática disse que deve ser canonizado e lido em escolas e depois esquecido, então amém...

Criado em: 23/9/2014 22:30
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Re: adição de torquato neto aos "clássicos"
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Quando eu morrer vou ser canonizado?

Criado em: 23/9/2014 23:07
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Re: adição de torquato neto aos "clássicos"
sem nome
só se for como santo kkkkk

Criado em: 24/9/2014 2:43
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Re: adição de torquato neto aos "clássicos"
Colaborador
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28/9/2011 22:22
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bom, recomendo a leitura do "o que é poesia marginal", por glauco mattoso. o torquato praticamente desfraldou a idéia de contracultura, época em que a poesia começou a sair dos salões de beleza pra ganhar as ruas, literalmente, através de livrinhos mimeografados. a contracultura é mãe daquela conversa de ser "contra tudo o que está aí", mas também é pai de não ser contra nem a favor de nada além da "vida real", sem viés político. rimas não eram a chave, mas a emancipação das idéias, somada a um quê de movimento antropofágico, do oswald. se você pegar obras do oswald, vai ver que há semelhança mesmo nessa descaracterização do poema como algo de forma fixa, com conteúdo ritmado.

mas o danado até foi musicado por uns e por outros...



Criado em: 24/9/2014 13:04
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Re: adição de torquato neto aos "clássicos"
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De Belo Horizonte
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É santo também não vai dar.

Gosto mesmo é da poesia marginal, dos livrinhos de rua e tal.

Cada cartão de visita meu, tem uma poesia impressa, na parte de trás do mesmo, deu um trabalho danado, mas valeu a pena, é diferente.
Legal mesmo foi falar sobre isso a uma apresentadora de telejornal da globo, aqui em Minas. Aguardem-me


Criado em: 24/9/2014 14:17
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Re: adição de torquato neto aos "clássicos"
sem nome
Ouvi falar em santos e nem fiquei admirado! Pois, até parece que andamos na igreja a fazer amor! Eu recomendo o rapaz da moto. Isto se administração ainda existir!

Criado em: 24/9/2014 15:20
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