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Poemas : 

Rostos de silêncio

 

Como se as ruas fossem rostos de silêncio
sem portas sem janelas
e os passos se juntassem na inquietação da manhã.

Sei de mim a desordem do tempo
na epiderme dos dias
e o nada que resta dentro dos nomes
em que me desdobrei.

Tantas coisas se passam dentro da palavra
e nas mãos entorpecidas grades retorcidas
a esmagarem o verso

olhares indecifráveis
amarrados às raízes da noite.

Hoje sei de mim o sabor silvestre
nos lábios da memória

debaixo de sete palmos de terra.



maria

 
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outonal_idade(s)
 
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Enviado por Tópico
gadanha
Publicado: 15/01/2013 14:53  Atualizado: 15/01/2013 14:53
Da casa!
Usuário desde: 13/12/2012
Localidade: nesta seara
Mensagens: 469
 Re: Rostos de silêncio
a escrita é um tanto ou quanto barroca (no jogo das palavras). esse facto arrisca algum enjoo na leitura. no entanto, é um texto fino e elegante. o personagem "outonal" parece-me mais primaveril, pois promete.

atenção que, o elogio não deve ser um ponto de chegada.


Enviado por Tópico
Maria Verde
Publicado: 15/01/2013 19:06  Atualizado: 15/01/2013 19:06
Colaborador
Usuário desde: 20/01/2008
Localidade: SP
Mensagens: 3544
 Re: Rostos de silêncio
Estava com preguiça mas fiz o login para comentar porque gostei muito.
Achei bem trabalhado, com aquele cuidado e atenção que o poema deve ganhar de seu autor e isto me deixa feliz!
A morte enquanto renascimento ou ressurgimento (três últimos versos) lembrou-me as tragédias gregas.

MV