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Poemas : 

O silêncio das árvores

 
Procuro-te
como se não houvesse medos
movo-me
entre ramos debruados por um tempo
que retenho
dentro de um lugar
sem tempo.

Desfaço-me
espiral de cinzas
pedaços que sobraram de um sonho
a arder
numa tela. A memória
a desenhar os rostos
a vida
suspensa
nos lábios do vento.

Caem sombras
a meus pés
desprende-se o grito
a desilusão
por detrás do espelho.

E no vazio que emerge
de um tempo incompleto
olho-me
decifro-te
na solidão do verso
a esmagar o mito.

E o rio a escorregar
exangue
em degraus de mármore
e o céu a ser invisível
a tombar
pôr do sol e mar
sobre o silêncio das árvores.



maria

 
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outonal_idade(s)
 
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Enviado por Tópico
visitante
Publicado: 02/02/2013 11:41  Atualizado: 02/02/2013 11:41
 Re: O silêncio das árvores
Um belo texto introspectivo onde o 'eu lirico' viaja nas memórias e nas emoções, que todos os sonhos deixam como um rastro/trilha para o caminhante , neste ir e vir, bem passear...

Gostei muito de ler...

Parabéns e obrigada!


Enviado por Tópico
VónyFerreira
Publicado: 02/02/2013 23:59  Atualizado: 02/02/2013 23:59
Membro de honra
Usuário desde: 14/05/2008
Localidade: Leiria
Mensagens: 9702
 Re: O silêncio das árvores
Comecei por achar o titulo do poema
apelativo, Entrei li e digo-lhe
que gostei imenso do poema.
Então... tá! Parabéns e continue sempre!
Vf


Enviado por Tópico
GabrielaSal
Publicado: 03/02/2013 00:50  Atualizado: 03/02/2013 00:50
Colaborador
Usuário desde: 19/01/2013
Localidade:
Mensagens: 793
 Re: O silêncio das árvores
Com suavidade, seu poema deslizou
pelos galhos...

.•´¸.•*´¨) ¸.•*¨)
(¸.•´ (¸.•`*´ Gabi


Enviado por Tópico
Propoesia
Publicado: 03/02/2013 16:43  Atualizado: 03/02/2013 16:47
Luso de Ouro
Usuário desde: 14/11/2012
Localidade:
Mensagens: 346
 Re: O silêncio das árvores
Hoje disseram-me:

"...Gosto que o poema seja como um rio que tenha braços percorrendo chãos paralelos, e depois do encontro, dando as mãos, voltem a ser o mesmo rio de águas iguais acrescentadas e mais claras, mais água a acrescentar à sede. Gosto que o poema tenha alma, sensibilidade, a beleza que vem de ter os olhos com luz de dentro. [...] Gosto que o poema seja construção, tenha altura, tenha palavras despidas, as mais belas de tão simples, abertas, transparentes, polidas com mãos de sentir e dar. Gosto que o poema tenha imaginação, arte de construir, engenho de emocionar. O poema não precisa de muita lógica, nem sequer de muita inteligência, mas que deixe o ser [...]" ...

...ser caminho, mesmo atravessando cachões de inultrapassáveis espumas (acrescento eu).

Beijo, maria.