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Poemas : 

A ilusão de um suposto Deus.

 
Tags:  saudade    tristeza        revolta  
 
Na reviravolta do surpreendente dou por mim no santuário,
num sitio sagrado, adorado e acarinhado por todos que tem lá passado,
vejo o enganador e o enganado,
vejo desde o padre as pobres crianças,
vejo desde lavagem cerebrais a lavadores,
Vejo falsos oradores fingindo que compreendem as nossas dores,
Vejo a figura de uma mulher que de virgem pouco teve,
que se conteve,
Enquanto a minha mãe rezava, se ajoelhava e chorava,
Enquanto eu falava e pedia para a trazer só mais um dia,
quando passava mais um dia eu pedia e repetia,
eu chutava todos a sua volta assim o repetia,
numa revolta já erguida, sentida,,
numa fé que nunca foi compreendida,
na minha alma comprometida já não tinha vida,
Como foste enganada morreste acreditando num conto de fadas,
deixando me a chorar nas arcadas,
Gritando bem alto porque mas o silencio permaneceu,
o vento que passava desapareceu mas foi a noite mais gelada que passei,
foi o desaparecer do céu,
vi a desvanecer as cores de um quadro tão belo,
foi o desabar do ouro do mais puro castelo,
o meu coração começou a bater menos e menos,
acabou por deixar de bater por não ter mais ninguém por bater,
e o vermelho do meu sangue acabou por anoitecer,
as minhas lágrimas acabaram por virarem tinta,
os meus olhos virariam canetas,
e a minha mãe viraria apenas um sonho,
quando fechava os olhos eu vi-a o problema era quando os abria e não a via,
Quando gritava num berro do mais alto silencio na boca da desesperante alma e ela não vinha para mim,
quando eu me arrependi e pedi para deus parar com a brincadeira,
Gritei horas, passaram milénios, e hoje sei que a religião é fantochada,
não sei se acredito e me revolta ou se apenas acho que é fachada,
Só sei que nada sei e de um quadro pintado fiquei apenas com as paisagens,
Onde vi o morrer das personagens,
Onde tudo vi e me apercebi que dói porque não soube o que significavas para mim,
mas hoje sim sei que aquela foi a mais bela época que vivi,
que foi a melhor mulher que conheci,
Que foi a mãe que relembro amo e sempre amarei de Dezembro a Dezembro.

 
Autor
Acef
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