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"PEDAÇOS NOSSOS"

 
Tags:  Portugal  
 
"PEDAÇOS NOSSOS"
 

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Canta o galo em cima do telhado
Velho de podre a cair aos pedaços
Dormem os campos serenos
Agitam à passagem de uma suave brisa
Que acompanham os meus passos

Dormem sossegados já sem desassossego
Dos dias de férias passados na aldeia
Das idas à barragem do azibo
Água fresca, limpa, de pedras e fragas

Caminhos de lama, trilhos de fragas, de pedras,
Pelas ruas de casas caídas em ruínas
Onde as migalhas de pão caíam no chão
De soalho, tábuas corridas
Onde outrora não havia fome

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Havia trabalho, trabalho duro, de sol a sol
Onde o pão não faltava e alegria também não
Ouvia-se o riso e o cantar das gentes
Das crianças a ir para escola alegres e felizes
Com um pedaço de pão na algibeira

Agora é só dor da partida, partida permanente,
Onde vai-se e não voltam.
Casas em agonias e tormentos onde
Os velhos gemem as suas mágoas, os seus desenganos
Embriagam-se nas dores que os atormentam
Prostram-se cansados pelos anos
Choram no banco da igreja, no banco de um jardim

Perdem o rumo da vida, da alegria
Como se navegassem sem mastro, sem leme
Das aldeias perdidas esquecidas e dizem
Estes velhos sábios das nossas aldeias
Hei-de morrer algum dia.

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╭✿ ♥
Não me considero poeta
Descobri escrevendo por acaso

Isabel Norais Ribeiro Fonseca
 
Autor
IsabelRFonseca
 
Texto
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Enviado por Tópico
visitante
Publicado: 03/10/2014 11:35  Atualizado: 03/10/2014 11:42
 Re: Canta o galo em cima do telhado,
Quando olho para mim de cima de meus passos
e´que sinto as mágoas e percebo
a razão deste existir anão, junto ao chão
da azia e da sensação de respirar

tão parecida com o medo de morar
no dia no dia, de existir, se deixei
pra traz a alegria de ser criança
da aldeia dos meus caiados traços

não, nunca olho para cima
talvez por isso não reparei
se sou eu quem senta nos telhados
ou nas tábuas e estas ripas cortadas rente

aos campos cansados de pertencer
a fadiga e à dor da sua gente
quando olho para cima dos meus passos
é que percebo a dor que é partir

do ar que respiro, por outro
que nem a mim me pertence
nem foi pra mim talhado
por machado algum perecido ou criado

Sou filho de terra pobre e perdida
não sendo fraco nem forte .sou vida
duma casta nobre chamada esperança
que cresce cresce pla Arriba acima

assim me olho de cima destes passos

jorge santos


Enviado por Tópico
IsabelRFonseca
Publicado: 19/08/2018 16:51  Atualizado: 20/05/2019 15:55
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Usuário desde: 25/05/2013
Localidade: Algures em Portugal
Mensagens: 2718
 Re: "PEDAÇOS NOSSOS"
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Enviado por Tópico
AntónioFonseca
Publicado: 19/08/2018 21:45  Atualizado: 19/08/2018 21:45
Colaborador
Usuário desde: 31/05/2013
Localidade: Portugal
Mensagens: 617
 Re: "PEDAÇOS NOSSOS"
🐓🚜🐓
Bonito poema o teu, que homenageia as gentes do campo.
A dureza rude da vida do campo, das suas gentes simples, lutadoras, abnegadas e empenhadas com alegria aos seus hábitos da labuta essencialmente na lavoura de sol a sol e fieis aos seus costumes.
O galo canta em cima do telhado, um dos rituais madrugadores em qualquer vila, aldeia ou local.
E mais haveria para contar sobre a vida dura do campo e as suas gentes.




Enviado por Tópico
Jorge-Santos
Publicado: 20/05/2019 15:57  Atualizado: 20/05/2019 15:57
Subscritor
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Localidade: Azeitão/Setúbal, Portugal
Mensagens: 1917
 Tida



"Tida"

Quando olho para mim, de cima de meus passos
E’ que sinto as mágoas e percebo
A razão deste existir nascido anão, junto ao chão,
Da azia e da sensação de respirar,

Tão parecida com o medo de morar
No dia a dias da vida, de existir, se deixei
Pra traz a alegria de ser criança,
A aldeia dos meus caiados traços…

Não, nunca olho para cima não,
Porventura não reparei,
Se sou eu, quem se senta nos telhados
Ou nas tábuas e nestas ripas cortadas rente,

Nos campos cansados de pertencer
À fadiga e à dor da sua gente.
Quando olho, por cima dos meus passos,
É que percebo, a dor que é partir,

Do ar que respiro, pra outro
Que nem a mim me pertence,
Nem foi pra mim, talhado
Por machado algum, perecido ou criado,

Sou filho de terra pobre e fendida,
Não sendo fraco nem forte, sou vida
Duma casta nobre e diferente, chamada d’alma
Gentia, que cresce, cresce pla Arriba acima.

Perene, assim haja não outra vida em mim,
Como esta eu tenho…tida.

Joel Matos (10/2014)

http://namastibetpoems.blogspot.com