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Poemas : 

RUDE DE AFETOS 💖

 
RUDE DE AFETOS 💖
 
Óculos escuros, caligrafia ao luar
Tento escrever para não ter medo
De sofrer, de pensar, de amar
Partir as correntes, que prendem o silêncio
Grito ao vento, para não viver um inferno
O sofrimento que dura momentos
Dança nocturna feita em desenho
Na areia da praia, estratégia da alma
Ferida, magoada, saciada de desejo salgado
Ocultos sentidos de esguios instantes
Promessas alimentadas numa fogueira de cinzas
Rochas plantadas no coração rude infeliz
Sobre os pés de um pobre coitado, abandonado
Braços abertos, loucos de poesia
Sobre o regaço da imensidão
Mente fria, fechada, alheia a tudo
Luz que procria, que prevalece, na lucidez
Chama reflectida nas profundidades
Dos olhos cegos, doentes, disfarçados, massacrados
Nas ventanias do desassossego, arrancadas de dor
Solitária escuridão de um caminho perdido
No tempo esquecido de afectos sentidos de flores
De amores, de emoções, rude talvez de afetos.



╭✿ ♥
Não me considero poeta
Descobri escrevendo por acaso

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desde que seja dado crédito ao autor original.


💖🍁
Isabel Morais Ribeiro Fonseca
 
Autor
IsabelRFonseca
 
Texto
Data
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858
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Esta obra está protegida pela licença Creative Commons
88 pontos
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7
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Enviado por Tópico
visitante
Publicado: 04/05/2015 14:08  Atualizado: 04/05/2015 14:08
 Re: RUDE DE AFETOS
Gosto de ler teus poemas, Isabel
Este entrou em meu peito.
Lindo demais!
Parabéns!


Enviado por Tópico
visitante
Publicado: 04/05/2015 14:34  Atualizado: 04/05/2015 14:34
 Re: RUDE DE AFETOS
É muito bonito!

Gostei imenso!

*Anggela*


Enviado por Tópico
martisns
Publicado: 04/05/2015 15:48  Atualizado: 04/05/2015 15:49
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Localidade:
Mensagens: 29428
 Re: RUDE DE AFETOS
Olhos que se desmancham, que se desenham das ansiedades que esta em nossos seios, que os silêncio se faz em afeto os manticos sentidos, dos verdadeiros sentimentos.

lindo poema, beijos adorável poestisa


Enviado por Tópico
Transversal
Publicado: 04/05/2015 19:46  Atualizado: 04/05/2015 19:46
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Usuário desde: 02/01/2011
Localidade: Fortaleza - Lisboa
Mensagens: 3687
 Re: RUDE DE AFETOS
algum tempo que não te lia Poetisa, mas continuo a considerar a tua escrita, muitas vezes sofrida (a vida não são só alegrias, não) como poeticamente bela mas diferente daquilo a que estou habituado a ler.
"Tento escrever para não ter medo", ou "Mente fria, fechada, alheia a tudo
Luz que procria, que prevalece, na lucidez",ou "Nas ventanias do desassossego, arrancadas de dor". Que posso dizer mais senão dar-te os Parabéns. Obrigado.

Agradeço-te


Enviado por Tópico
Norberto Lopes
Publicado: 27/05/2015 13:02  Atualizado: 27/05/2015 13:02
Colaborador
Usuário desde: 15/03/2008
Localidade: Lisboa
Mensagens: 970
 Re: RUDE DE AFETOS
"Olhos desassossegados pelo massacre das ventanias!... Esquecidos na rudeza dos afectos"
... Gostei

nl


Enviado por Tópico
AntónioFonseca
Publicado: 13/08/2018 22:49  Atualizado: 13/08/2018 22:49
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Usuário desde: 31/05/2013
Localidade: Portugal
Mensagens: 892
 Re: RUDE DE AFETOS
Poema encantador o teu, triste mas inteligente.
Em boa verdade a vida chega a ser mais de rude do que afável, tem duas faces a positiva e a negativa, portanto saber viver é a grande sabedoria, lutar contra as contradições, as lutas e as pedras no caminho, onde o silêncio por vezes é arma protetora ou não, dependendo das circunstâncias e momentos na vida.



Enviado por Tópico
AntonioCosta
Publicado: 22/05/2020 10:52  Atualizado: 22/05/2020 10:52
Muito Participativo
Usuário desde: 02/05/2020
Localidade:
Mensagens: 69
 Re: RUDE DE AFETOS 💖
ERROS MEUS, MÁ FORTUNA, AMOR ARDENTE

Erros meus, má Fortuna, Amor ardente
Em minha perdição se conjuraram;
Os erros e a Fortuna sobejaram,
Que para mim bastava Amor somente.

Tudo passei; mas tenho tão presente
A grande dor das cousas que passaram,
Que já as frequências suas me ensinaram
A desejos deixar de ser contente.

Errei todo o discurso de meus anos;
Dei causa a que a Fortuna castigasse
As minhas mal fundadas esperanças.

De Amor não vi senão breves enganos.
Oh! Quem tanto pudesse, que fartasse
Este meu duro Génio de vinganças!

Luís Vaz de Camões, in "Sonetos"