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Poemas -> Amor : 

Fala.

 
Tags:  Fala.  
 
Basta o andar,
o dedilhar
nos cabelos,
o olhar,
a quietude...

o seu corpo,
l i t e r a l m e n t e,
fala,
eu, observador,
compreendo...

minha ambição
é ser o vestido
que acoberta sua pele,
sublimemente,
tal uma língua...

a lambear o corpo,
a definir curvas,
a experienciar
o gosto,
a incitar o sol.
------
autor: Roberto Cavenatti.










 
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Enviado por Tópico
Margô_T
Publicado: 27/07/2016 18:09  Atualizado: 27/07/2016 18:09
Da casa!
Usuário desde: 27/06/2016
Localidade: Lisboa
Mensagens: 277
 Re: Fala.
O “observador” observa os sinais e interpreta-os: “o andar”, “o dedilhar/nos cabelos”, “o olhar”, “a quietude”.
Esta “fala” do corpo toma o observador de assalto que, dialogando com o leitor, revela a sua “ambição” de ser “vestido”, encobrindo a “pele” que observa para, “sublimemente” e subliminarmente, o rasar – tal como uma “língua”. Língua que, à semelhança do corpo observado, também dialoga numa linguagem própria: lambeando “o corpo”, delineando a “curvas”, experienciando o “gosto” e incitando esse “sol” que surge quando a pele queima e não há sombra que baste para o resfriar.
Um poema com falas que falam, não falando.