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Poemas : 

Declino-me

 
O lápis a repousar
na distância.
Na brancura do lugar
ou na limpidez da voz.

Há palavras que se movem
nas paredes
e guardam os dias em que acreditei
no perfil eterno do mar.

Sei que não devo pensar
nas raízes da árvore antiga

ou no silêncio
do lume inteiro no inverno.

Mantenho-me à tona de mim

pronta para a floração
dos barcos que partiram

entregue à claridade mansa
que rodeia as águas que correm.


maria

 
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outonal_idade(s)
 
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Enviado por Tópico
Margô_T
Publicado: 16/07/2016 16:15  Atualizado: 16/07/2016 16:18
Da casa!
Usuário desde: 27/06/2016
Localidade: Lisboa
Mensagens: 277
 Re: Declino-me
Pego num lápis. Declino-o até o ver apenas como uma linha, um traço horizontal... quiçá um horizonte.
Esse horizonte pode ser uma página em branco, a “brancura do lugar”, onde o lápis se escutará, libertando a “limpidez” da tua “voz” “na distância”… porque sempre estará além de nós - etérea, imaterial.
Nessa distância onde o teu poema habita, “Há palavras que se movem” “nas paredes” dos versos onde se inserem, e nas paredes que nos fecham em nós mesmos todos os dias.
Sinto o movimento das paredes que agora me traz o mar… o “perfil eterno do mar”.
E é o marulhar dos versos que se ouve, trazendo-me as “raízes de uma árvore antiga” e o “silêncio/do lume inteiro no inverno”. Não nos foquemos demasiado neles (ou iremos sentir-lhes o frio e a vertigem) mas devemos pressenti-los e lembrar-nos que é a raiz que alimenta a flor, e que um “lume inteiro” tanto pode fazer crepitar o “silêncio”, como esmaecê-lo… aquecendo-nos.
“à tona” se encontra o leitor nos teus versos… “entregue à claridade mansa/que rodeia as águas que correm”. Esta claridade começa no teu lápis e acaba aqui, ao nosso olhar, feito clarão.


Enviado por Tópico
visitante
Publicado: 24/07/2016 00:28  Atualizado: 24/07/2016 00:28
 Re: Declino-me
Um dos poemas mais lindo hoje, a tua linguagem poética é linda e moderna, amo essa forma de escrever.