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Poemas : 

Silhuetas

 
Não nos consentimos
no que imperfeitamente somos
nem deitamos fora
os rostos sem voz.

Soletramo-nos em silhuetas mergulhadas num tempo
escuro e inabalável.

Em cada fio de palavras
teço a luz
que arrefece
e me arrasta à boca do silêncio.

Ausência indecifrável. Árvore a adormecer
no tremor dos ramos.

Cinge-me um vazio no horizonte
uma solidão pesada
que antecipa a densa noite
ou os nomes adiados
em que as coisas sobrevivem.



maria

 
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outonal_idade(s)
 
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Enviado por Tópico
martisns
Publicado: 10/08/2016 11:23  Atualizado: 10/08/2016 11:23
Colaborador
Usuário desde: 13/07/2010
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Mensagens: 29159
 Re: Silhuetas
Palavras que vem dos horizontes dos olhos formamndo essa maravilha de poesia


Enviado por Tópico
visitante
Publicado: 10/08/2016 15:01  Atualizado: 10/08/2016 15:01
 Re: Silhuetas
...sobrevivem os versos, a poesia que a vida traz. Parabéns pelo encantamento de cada linha, tecida com o rigor da alma.


Enviado por Tópico
Nininha
Publicado: 10/08/2016 22:50  Atualizado: 10/08/2016 22:50
Colaborador
Usuário desde: 14/04/2016
Localidade:
Mensagens: 1717
 Re: Silhuetas P/ outonal_idade(s)
Olá Maria;
As silhuetas vislumbram-se através do poema e o som emerge do horizonte - ponte que leva à voz amada!
Gostei muito da leitura. Obrigada pela partilha.
Beijinho


Enviado por Tópico
Margô_T
Publicado: 11/08/2016 19:32  Atualizado: 11/08/2016 19:32
Da casa!
Usuário desde: 27/06/2016
Localidade: Lisboa
Mensagens: 277
 Re: Silhuetas
Não aceitamos as nossas imperfeições/limites, por isso procuramos contorná-las, sentindo-nos constrangidos por elas.
Não “deitamos fora” os “rostos”, agora “sem voz”, que nos foram presentes e, por isso, esses “rostos” ficarão na nossa memória, ecoando.

Somos “silhuetas mergulhadas num tempo”… corpos que, por vezes, se sentem perdidos - como se fossem apenas contornos, sem núcleo/opacidade - corpos que, por vezes, se sentem esguios na imensidão desse tempo “escuro e inabalável” que seguirá sempre à sua frente.
Mas as “palavras” trazem-nos “luz”…
Tecendo-as, fio a fio, forma-se o poema e, com ele, a luz… Porém, também a luz se esvai, “arrefece”, arrastando-nos até “à boca do silêncio”: lugar de “ausência indecifrável” onde nos sentimos ainda mais como uma silhueta e onde até a “árvore” que adormece não dorme em quietude, mas sim sob o “tremor” dos seus “ramos”, em alvoroço.
O resultado é um “vazio no horizonte”, uma “solidão pesada/que antecipa a densa noite”. Ou, então, uma meditação melancólica acerca dos “nomes adiados” (e aqui regressamos aos “rostos sem voz”) “em que as coisas sobrevivem”, levando-nos a pensar nas presenças que se tornaram ausências em nós.


Enviado por Tópico
ÔNIX
Publicado: 11/08/2016 21:17  Atualizado: 11/08/2016 21:17
Colaborador
Usuário desde: 08/09/2009
Localidade: Lisboa
Mensagens: 2695
 Re: Silhuetas
Silhuetas...formas, ainda que sombras de nós mesmos numa imensa solidão onde o tempo nem sempre é senhor

Abraços