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Poemas : 

Ser corpo e lugar

 
Os violinos da tarde a gemerem
um tempo líquido
transparência verde
e infinita
lugar levíssimo a permanecer dentro da pele.

Como um eco sentado à beira
das águas que correm
voltar a ser espiral
de palavras antigas num coração de memórias
onde cabemos corpo.

Reter a dimensão do silêncio na placidez
do olhar
sem procurar as incertezas
da voz
ou a exaustão da luz
nos pássaros do poema.




maria

 
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Enviado por Tópico
Margô_T
Publicado: 15/08/2016 11:04  Atualizado: 15/08/2016 11:04
Da casa!
Usuário desde: 27/06/2016
Localidade: Lisboa
Mensagens: 277
 Re: Ser corpo e lugar
“Ser corpo e lugar” num lugar onde os violinos gemem, o tempo escorre sempre “líquido” e há um “verde” transparente (muito sumido) que nos traz a sensação de sermos algo “levíssimo” que permanece “dentro da pele”.
Seremos esse “eco sentado à beira/das águas” do tempo, desejando ser espiral desenhada de dentro para fora (ou teremos um limite)... Porém, estamos cheios de “palavras antigas” e o nosso “coração de memórias” confunde-se com o próprio corpo.
Sob o gemer dos violinos, há que “reter a dimensão do silêncio”, na “placidez” de um “olhar” sereno, e não procurar “as incertezas/da voz” (nem se deixa apagar por elas), conduzindo a “exaustão da luz/nos pássaros do poema” (belíssimo trecho!).
Os pássaros saberão domar a luz melhor do que nós... e o poema saberá fazer-se pássaro irradiando a sua luz em cada veio seu - como nos prova o teu poema.

Bjs

PS: Ainda estou a ouvir o som dos violinos mas já cá canta uma luz também…


Enviado por Tópico
Nininha
Publicado: 17/08/2016 17:52  Atualizado: 17/08/2016 17:52
Colaborador
Usuário desde: 14/04/2016
Localidade:
Mensagens: 1717
 Re: Ser corpo e lugar
Olá Maria;
Os pássaros do poema voam nessa brevidade levíssima d'alma e roçam as suas asas nos olhos que o leem...adoro! Parabéns!


Enviado por Tópico
visitante
Publicado: 23/08/2016 20:35  Atualizado: 23/08/2016 20:35
 Re: Ser corpo e lugar
E é nesse voo sublime que o poema se faz canção ao som de mágicos violinos...

Belíssimo teu poema!

Um beijo Maria,

Anggela