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Poemas : 

Moinhos de vento

 
Deslizávamos por um fio de palavras irreversíveis.
A morte
diziam uns.
Renegação
gritou aquele

que procurou refúgio no interior
do silêncio.

Levámos connosco a chuva de um tempo
que permaneceu
ausente
dentro de nós.

Vivemos mil vidas e

longe de um fio de palavras irreversíveis
desfiámos as frases que ficaram por dentro dos olhos
paradas
a olharem para trás.

O acaso e os afetos a moldarem-nos lugares
em barro de encantamento.

Desenrolámos as veias do tempo

e o verde de uma teia de luz a entrançar dedos indefiníveis
em folhas de impressões digitais

e moinhos de vento.




maria

 
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outonal_idade(s)
 
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Enviado por Tópico
Rogério Beça
Publicado: 26/08/2016 06:29  Atualizado: 26/08/2016 06:29
Colaborador
Usuário desde: 06/11/2007
Localidade:
Mensagens: 1579
 Re: Moinhos de vento
Pois,
as palavras levam-nas o vento...

Por momentos fui a uma arena onde gladiadores lutam com palavras que ferem.
Alguém do público sedento de sangue a clamar por morte, ou sofrimento.
E depois?

Depois, através de palavras levas-nos para as acções, essas que a memória esbate, mas que o vento não pode levar.

Obrigado

Bj


Enviado por Tópico
visitante
Publicado: 27/08/2016 02:34  Atualizado: 27/08/2016 02:34
 Re: Moinhos de vento
...completou-se girando a grande roda da compreensão. O poema só é poesia, quando decola, ou rola como as folhas varridas pelo vento. Parabéns querida, lindíssimo.


Enviado por Tópico
Volena
Publicado: 29/08/2016 12:17  Atualizado: 29/08/2016 12:17
Colaborador
Usuário desde: 10/10/2012
Localidade:
Mensagens: 12439
 Re: Moinhos de vento P/outonal_idade(s)
Cervantes e os seus moinhos de vento...e as nossas fantasias que rolam com o vento que as velas levam para o alto...com saudade e amor digital de valor discreto. Achei original, gostei e interpretei assim, parabéns! BEIJINHO Vólena


Enviado por Tópico
Margô_T
Publicado: 31/08/2016 08:52  Atualizado: 31/08/2016 08:52
Da casa!
Usuário desde: 27/06/2016
Localidade: Lisboa
Mensagens: 277
 Re: Moinhos de vento
Até as “palavras irreversíveis” como “morte” e “renegação” não passam de “um fio”… de “um fio” por onde deslizamos.
A renegação traz-nos um “refúgio no interior/do silêncio”, já a morte traz-nos o silêncio em bruto, a pura ausência.
Levamos a “chuva” dos tempos que passamos aos ombros, como bagagem, mas se conseguirmos que ela se mantenha “ausente/dentro de nós” poderemos usufruir do seu ensinamento sem sermos esmagados por ele, vivendo “mil vidas” enquanto desfiamos “as frases que ficaram por dentro dos olhos”, lembrando-nos a “chuva” que passou (sem nos levar).
Entre o “acaso” e os “afectos” vamos moldando o nosso lugar de “encantamento”, desenrolando os veios do tempo enquanto uma “teia de luz” nos lembra que, fio a fio, os nossos “dedos indefiníveis” criam algo com forma e significado…
mantendo as nossas “impressões digitais” neste tempo por onde deslizamos como “moinhos de vento” seguindo a força de um sopro irreversível.

Bjs