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Poemas : 

Na inclinação do tempo

 
A pedra a decair
na inclinação do tempo.
Ao fundo da solidão uma neblina espessa
chamamento de silêncios e memórias.
Da lonjura de nomes incertos
uma rua a crescer
serena e branda
como se sonhasse margens improváveis.
Há trevos de quatro folhas
e pétalas de sílabas brancas
sobre os ponteiros do crepúsculo.
Deixo-me tocar pela ilusão da árvore de passos inquietos.
Sabe de um lugar
onde a pedra sobrevive
na soleira do esquecimento.

Tudo o resto é monólogo
é deserto
no que fica por dizer.



maria

 
Autor
outonal_idade(s)
 
Texto
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Enviado por Tópico
Nininha
Publicado: 28/08/2016 22:49  Atualizado: 28/08/2016 22:49
Colaborador
Usuário desde: 14/04/2016
Localidade:
Mensagens: 1717
 Re: Na inclinação do tempo P/ outonal_idade(s)
Olá Maria;
Quando o tempo se inclina e a pedra decai sob os nossos olhos, há uma saudade que se evade sob a forma de lágrima e a sombra é acolhe-se junto às pestanas! (Não ligue, são devaneios!)
Muito inspiradores os seus textos.
Obrigada pela partilha linda!


Enviado por Tópico
visitante
Publicado: 29/08/2016 11:12  Atualizado: 29/08/2016 11:12
 Re: Na inclinação do tempo
Maria,

O que eu poderia dizer diante de tanta beleza?

Hoje estou quase sem palavras....apenas Obrigada!

Um beijo maria!

Anggela


Enviado por Tópico
visitante
Publicado: 30/08/2016 14:20  Atualizado: 30/08/2016 14:20
 Re: Na inclinação do tempo
...teu poema é um mundo, algo que merecesse ser colocado numa moldura, lido diariamente , aprecidao e evoluído com o Tempo. è perfeito leva para o espírito todo a emoção. Parabéns pelo texto favorito.


Enviado por Tópico
Margô_T
Publicado: 01/09/2016 08:09  Atualizado: 01/09/2016 08:09
Da casa!
Usuário desde: 27/06/2016
Localidade: Lisboa
Mensagens: 277
 Re: Na inclinação do tempo
Vendo o tempo como uma enorme rampa, a pedra decai dela percorrendo a sua inclinação.
Colocando-me no topo da rampa, “ao fundo” vejo a “neblina espessa” desse futuro incógnito que une “chamamentos de silêncios” a “memórias”
e, após um impulso inicial, desço pela inclinação do tempo, deixando-me levar pelo teu poema…
Serão “incertos” os nomes que estarão no final desta rampa-tempo e, enquanto a desço, a rua que percorro cresce “serena e branda” - se excluirmos as abanadelas do costume: zonas de rampa menos polidas; zonas de rampa mais arenosas e agrestes; zonas da rampa derrapantes à fartura; zonas da rampa ardilosas, esburacadas…
Ainda assim, e apesar dos estorvos, o fundo será feito dessas “margens improváveis” onde ainda há lugar para “trevos de quatro folhas” e “pétalas de sílabas brancas” (ainda que os “ponteiros do crepúsculo” se façam ouvir como banda sonora infindável).
“Deixo-me tocar pela ilusão da árvore de passos inquietos” e desligo-me, por momentos, das raízes que me prendem, acreditando – até - que “a pedra sobrevive” depois de percorrida toda a rampa…
mas volto a acordar para a realidade e reúno-me à terra, pousando as palmas no chão que se farão raízes, tendo como certeza que voltarei ao “monólogo” e ao “deserto”
e achando que o “que fica por dizer” se diz num poema
como agora te disseste e me disseste
nestas “pétalas de sílabas brancas”.

Bjs

PS: Voltamos ao início da rampa para vermos os trevos de quatro folhas lá de cima? (gostei da paisagem…)


Enviado por Tópico
Volena
Publicado: 09/09/2016 11:58  Atualizado: 09/09/2016 11:58
Colaborador
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Localidade:
Mensagens: 12439
 Re: Na inclinação do tempo P/outonal_idade(s)
Magnífico o seu poema! Acabamos por nos inclinar, somos como a pedra que rola no tempo, quando na terra, os trevos fazem-nos companhia, eu até tenho um de quatro folhas na minha Bíblia nem sei dizer por que... Sim um favorito e lindo poema que será relido
muitas vezes, beijinho grande Vólena