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Poemas : 

Poema em branco

 
Espero-te no limite

da brevidade. Porque “em breve”

é um espaço vago e os olhos

resvalam para o tempo húmido

que se projeta da raiz das nuvens.



Breve foi a vertigem que atravessou

o mistério da luz.

Saboreei a profundidade do vento

a cadência da manhã por dentro das árvores



[ os frutos ainda por amadurar ]



Tombaram as folhas

arrastadas pelas águas que correram

ao invés. Esboços de todas as ilusões.



Traços rasurados na penumbra

da pedra. A deslizar rente à parede

em branco

à procura de uma porta

que a viesse buscar.




maria

 
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outonal_idade(s)
 
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Enviado por Tópico
Rogério Beça
Publicado: 31/08/2016 05:18  Atualizado: 31/08/2016 05:19
Colaborador
Usuário desde: 06/11/2007
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Mensagens: 1579
 Re: Poema em branco
"... a deslizar rente rente à parede
em branco
à procura duma porta
que a viesse buscar."

O que são quatro paredes sem pelo menos uma porta?
Esta imagem belissima marcou-me o poema.
O quase breve da primeira estrofe leva-nos pelos tempos por saborear. Ou que se saboreiam tão intensamente que se torna tudo tão breve.
Contudo as folhas caiem rotundas no chão. Levadas pelas águas levam o tempo, que levam nesta nossa ilusão de tempo.

Boa

Bj


Enviado por Tópico
Volena
Publicado: 31/08/2016 12:30  Atualizado: 31/08/2016 12:30
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Mensagens: 12439
 Re: Poema em branco P/outonal_idade(s)
Poema de branco vestido que encontrou a porta no meio do vento que passava rente à parede e se projectou no mistério da Luz que mostrará os frutos,
já maduros, gostei muito e foi a interpretação que eu lhe dei. Um beijinho e afecto Vólena


Enviado por Tópico
Margô_T
Publicado: 03/09/2016 11:40  Atualizado: 03/09/2016 11:54
Da casa!
Usuário desde: 27/06/2016
Localidade: Lisboa
Mensagens: 277
 Re: Poema em branco
“Poema em branco” porque a página onde surgirá escrito está ainda branca, por escrever, “no limite da brevidade”…
nesse “espaço vago”, onde alguns “traços rasurados na penumbra da pedra” deslizam rente à “parede em branco” do poema, abrindo uma “porta” que nos desperta para “o mistério da luz”.

Espera-se “no limite da brevidade” onde o tempo se “projecta da raiz das nuvens”, mostrando ser tão profundo quanto breve.
Enquanto isso, “a vertigem” atravessa-nos, trazendo a “cadência da manhã por dentro das árvores”, e a “profundidade do vento” faz tombar “as folhas”, fazendo-nos sentir os frutos que ficaram por amadurecer e colher.
Saboreemos a brevidade deste poema enquanto nos deixemos arrastar pelas suas imagens e abrimos uma porta algures atrás deste “poema em branco” que, afinal, só é branco porque se escreve dentro de nós, deixando-nos traços de penumbra e esboços de ilusões…


Bjs


Enviado por Tópico
visitante
Publicado: 08/09/2016 19:02  Atualizado: 08/09/2016 19:02
 Re: Poema em branco
maria,

Já tornei-me a tua fã...

Uma imensidão de palavras que me enchem de alegria.

Adorei!

Um beijo maria,

Anggela


Enviado por Tópico
MarySSantos
Publicado: 16/09/2016 17:16  Atualizado: 16/09/2016 17:16
Luso de Ouro
Usuário desde: 06/06/2012
Localidade: Macapá/Amapá - Brasil
Mensagens: 5282
 Re: Poema em branco
todos os dias fico embevecida com tuas inspirações e, talvez por isso, nem sempre encontro palavras para comentar. Agradeço pela partilha.

bjo


Enviado por Tópico
martisns
Publicado: 16/09/2016 19:13  Atualizado: 16/09/2016 19:13
Colaborador
Usuário desde: 13/07/2010
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Mensagens: 29152
 Re: Poema em branco
Lindas palavras que se alicerçam dos sentidos que entram altos onde os encantos se flutuam