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Poemas : 

A anteceder o naufrágio

 
Deixar que os gestos do sol me poisem sobre o rosto
a desenharem os contornos dos pensamentos.
Desprevenidos
em repouso
como se os dedos entranhados de eternidade
pudessem transpor a lonjura do olhar
ou habituarem-se, serenos, à voz do derradeiro sono.
A aceitação do tempo parado. Ou de uma
luz sem nome
a anteceder o naufrágio.


maria

 
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outonal_idade(s)
 
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Enviado por Tópico
Nininha
Publicado: 08/10/2016 21:38  Atualizado: 08/10/2016 21:38
Colaborador
Usuário desde: 14/04/2016
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 Re: A anteceder o naufrágio P/ outonal_idade(s)
Olá Maria;

Nunca será fácil aceitar o tempo...e como é impossível anteceder o naufrágio, o melhor é viver no presente como se fosse o único tempo que existe!
Um abraço apertado
Felisbela


Enviado por Tópico
Semente
Publicado: 24/01/2017 23:33  Atualizado: 24/01/2017 23:33
Colaborador
Usuário desde: 29/08/2009
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Mensagens: 8696
 Re: A anteceder o naufrágio
Olá Maria!!

Poema de sensibilidade aflorada, cuja introspecção é um mergulho no mundo interior, no qual o Eu poético antevê um futuro pouco feliz que se desdobra em imagens.

O momento presente é tudo o que temos de real, e vivê-lo intensamente até a última gota, é o melhor pra todos nós.
Parabéns!!

Obrigada pela partilha, quando pude refletir sobre a importância do instante...


Enviado por Tópico
Margô_T
Publicado: 28/01/2017 19:45  Atualizado: 28/01/2017 19:45
Da casa!
Usuário desde: 27/06/2016
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Mensagens: 277
 Re: A anteceder o naufrágio
Como “gestos”, os raios solares pousam “sobre o rosto”, nele desenhando “os contornos dos pensamentos”.
“Desprevenidos/em repouso”, estes dedos convidam-nos a “transpor a lonjura do olhar” trazendo-nos uma perpetuidade de ideias que se concretizam sob a forma de imagens na nossa mente.

Também o “derradeiro sono” tem esta dimensão de “eternidade” e, por isso, se encontra aqui em paralelo com uma distância ilimitada num ilimitado tempo (ainda que o seja apenas para nós).
Aceitar este “tempo parado” (“derradeiro sono”?), esta “luz sem nome” (a eternidade que vem quando transpomos “a lonjura do olhar”?), faz-nos “anteceder o naufrágio”… Talvez porque este último seja inevitável
e alguns mergulhos nos façam aprender a conviver melhor com a profundeza e voragem dos oceanos.


PS: não deveria ser "ou habituarem-se, serenos"? parece-me precisar do plural já que são "os dedos"


Enviado por Tópico
visitante
Publicado: 17/02/2017 09:45  Atualizado: 17/02/2017 09:45
 Re: A anteceder o naufrágio
...vida. Existe um ciclo, tua poesia é estar atenta aos sinais. Parabéns, belo e emocionante.