https://www.poetris.com/
 
Poemas : 

Invejo aquele que nasce e não morre, o Tejo ...

 
Invejo aquele que nasce e não morre, o Tejo ...
 


Tudo o que sorri me alegra
O rio, sobretudo o céu azul
Um barco, o embarque no
Cacilheiro, Porto Brandão

Cacilhas, ao raiar do dia
O Barreiro, parte de mim,
Ou o que eu mesmo fui.
Tenho no rio a quietude

E a surpresa se se pode
Chamar assim à tristeza
Que me dá quando vejo
Aquele que nasce e corre,

Como nas veias sangue
Verde/azul-cinza, mar
Tagus, tudo que sorri
Me alegra,sobretudo

O rio ...



Jorge Santos (07/2017)
HTTP://namastibetpoems.blogspot.com




Jorge Santos (Namastibet)

 
Autor
Jorge-Santos
 
Texto
Data
Leituras
282
Favoritos
2
Licença
Esta obra está protegida pela licença Creative Commons
40 pontos
14
5
2
Os comentários são de propriedade de seus respectivos autores. Não somos responsáveis pelo seu conteúdo.

Enviado por Tópico
Joel-Matos
Publicado: 06/07/2017 10:17  Atualizado: 06/07/2017 11:02
Subscritor
Usuário desde: 24/02/2017
Localidade: Setúbal, Portugal, Azeitão
Mensagens: 686
 Re: o que corre nas minhas veias de mar e me mata lento ?...
Open in new window

Enviado por Tópico
silva.d.c
Publicado: 16/07/2017 01:11  Atualizado: 16/07/2017 01:13
Da casa!
Usuário desde: 26/10/2010
Localidade:
Mensagens: 408
 Re: da certeza de que fui triste p/ Jorge
da certeza do que fui, e já não posso ser, alegra-me a sensação de viver, camuflada entre as rotinas das quais não consinto mais o molde...e ontem, era na realidade consentida, apenas medo e visão indefinida, era névoa... hoje, pelos cortes na pele infringidos por esta estranha aparência de ser perante os outros, deixei verter as dores, vazou-se-me o sangue pelas feridas e o que me corre agora nas veias, é só o que deixo e quero que seja o meu novo mundo e gente nova...somente o que para a alma me serve de alimento e felicidade...triste, já não posso ser...abraços


Enviado por Tópico
Joel-Matos
Publicado: 22/07/2017 12:09  Atualizado: 22/07/2017 12:11
Subscritor
Usuário desde: 24/02/2017
Localidade: Setúbal, Portugal, Azeitão
Mensagens: 686
 Camões na Ilha de Moçambique

CAMÕES NA ILHA DE MOÇAMBIQUE

É pobre e já foi rica. Era mais pobre
quando Camões aqui passou primeiro,
cheia de livros a cabeça e lendas
e muita estúrdia de Lisboa reles.
Quando passados nele os Orientes
e o amargor dos vis sempre tão ricos,
aqui ficou, isto crescera, mas
a fortaleza ainda estava em obras,
as casas eram poucas, e o terreno
passeio descampado ao vento e ao sol
desta alavanca mínima, em coral,
de onde saltavam para Goa as naus,
que dela vinham cheias de pecados
e de bagagens ricas e pimentas podres.
Como nau nos baixios que aos Sepúlvedas
deram no amor corte primeiro à vida,
aqui ficou sem nada senão versos.
Mas antes dele, como depois dele,
aqui passaram todos: almirantes,
ladrões e vice-reis, poetas e cobardes,
os santos e os heróis, mais a canalha
sem nome e sem memória, que serviu
de lastro, marujagem, e de carne
para os canhões e os peixes, como os outros.
Tudo passou aqui ─ Almeidas e Gonzagas,
Bocages e Albuquerques, desde o Gama.
Naqueles tempos se fazia o espanto
desta pequena aldeia citadina
de brancos, negros, indianos e cristãos,
e muçulmanos, brâmanes, e ateus.
Europa e África, o Brasil e as Índias,
cruzou-se tudo aqui neste calor tão branco
como do forte a cal no pátio, e tão cruzado
como a elegância das nervuras simples
da capela pequena do baluarte.
Jazem aqui em lápides perdidas
os nomes todos dessa gente que,
como hoje os negros, se chegava às rochas,
baixava as calças e largava ao mar
a mal-cheirosa escória de estar vivo.
Não é de bronze, louros na cabeça,
nem no escrever parnasos, que te vejo aqui.
Mas num recanto em cócoras marinhas,
soltando às ninfas que lambiam rochas
o quanto a fome e a glória da epopeia
em ti se digeriam. Pendendo para as pedras
teu membro se lembrava e estremecia
de recordar na brisa as cróias mais as damas,
e versos de soneto perpassavam
junto de um cheiro a merda lá na sombra,
de onde n’alma fervia quanto nem pensavas.
Depois, aliviado, tu subias
aos baluartes e fitando as águas
sonhavas de outra Ilha, a Ilha única,
enquanto a mão se te pousava lusa,
em franca distracção, no que te era a pátria
por ser a ponta da semente dela.
E de zarolho não podias ver
distâncias separadas: tudo te era uma
e nada mais: o Paraíso e as Ilhas,
heróis, mulheres, o amor que mais se inventa,
e uma grandeza que não há em nada.
Pousavas n’água o olhar e te sorrias
─ mas não amargamente, só de alívio,
como se te limparas de miséria,
e de desgraça e de injustiça e dor
de ver que eram tão poucos os melhores,
enquanto a caca ia-se na brisa esbelta,
igual ao que se esquece e se lançou de nós.

(Jorge de Sena)

Enviado por Tópico
Joel-Matos
Publicado: 22/07/2017 12:12  Atualizado: 22/07/2017 12:12
Subscritor
Usuário desde: 24/02/2017
Localidade: Setúbal, Portugal, Azeitão
Mensagens: 686
 Re: Invejo aquele que nasce e não morre, o Tejo ...
Open in new window


Enviado por Tópico
Joel-Matos
Publicado: 02/08/2017 18:54  Atualizado: 02/08/2017 18:55
Subscritor
Usuário desde: 24/02/2017
Localidade: Setúbal, Portugal, Azeitão
Mensagens: 686
 Re: Invejo aquele que nasce doce e corre salgado nas veias
Open in new window




Enviado por Tópico
Semente
Publicado: 06/08/2017 13:59  Atualizado: 06/08/2017 14:01
Colaborador
Usuário desde: 29/08/2009
Localidade: Ribeirão Preto SP Brasil
Mensagens: 8382
 Re: Invejo aquele que nasce e não morre, o Tejo .../ PARA JORGE -SANTOS
Olá Jorge!

Tão falado, tão comentado esse Rio que dá vontade de conhecê-lo.
As palavras por aqui, como um rio, trilham seu caminho que nasce da fonte e com altivez segue seu curso, vivificando o olhar de quem o lê...

Parabéns, amei de paixão, poeta !!
Beijos


Enviado por Tópico
atizviegas68
Publicado: 06/08/2017 14:32  Atualizado: 06/08/2017 14:32
Colaborador
Usuário desde: 09/08/2014
Localidade: Açores
Mensagens: 1155
 Re: Invejo aquele que nasce e não morre, o Tejo ...
O Cão Sem Plumas

A cidade é passada pelo rio
como uma rua
é passada por um cachorro;
uma fruta
por uma espada.

O rio ora lembrava
a língua mansa de um cão
ora o ventre triste de um cão,
ora o outro rio
de aquoso pano sujo
dos olhos de um cão.

Aquele rio
era como um cão sem plumas.
Nada sabia da chuva azul,
da fonte cor-de-rosa,
da água do copo de água,
da água de cântaro,
dos peixes de água,
da brisa na água.

Sabia dos caranguejos
de lodo e ferrugem.

Sabia da lama
como de uma mucosa.
Devia saber dos povos.
Sabia seguramente
da mulher febril que habita as ostras.

Aquele rio
jamais se abre aos peixes,
ao brilho,
à inquietação de faca
que há nos peixes.
Jamais se abre em peixes.
João Cabral Melo Neto, in Obra Completa”, editora Nova Aguilar, publicada em 1999


Nas margens do rio, as veias abrem-se como trombas para deixar entrar essa perenidade.
Transbordei de inveja com o título. Belíssimo poema!

Um abraço