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Poemas : 

Valham-me as palavras boas ...

 
Valham-me as palavras boas ...
 







Valham-me as palavras boas,
E tudo que haja a devolver
Seja composto do falar,
Natural tanto como o dia

Ao nascer e a hora que foi,
Valham-me as palavras,
As maduras e as outras
Azuis da cor dos beiços

Que trago neste lugar,
Que pra mim é a alma
E a devolvo porque real
Existe e o falar é vão e

Compósito demais, valham-
-me as palavras e o dever
De pôr o coração à frente
Das costas quando digo:

-Valham-me as palavras
Em tudo que haja a devolver
Por mais pesado ou leves
Tanto quanto folhas mortas,

Cabelos de prata, horas que fui
Real, postiça a ilusão, inútil sou
Eu só, valham-me palavras,
As más...as doces e as boas.











Jorge Santos (04/2017)
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Jorge Santos, aliás Joel Matos,aliás namastibet

 
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Jorge-Santos
 
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Enviado por Tópico
Juanito
Publicado: 04/04/2017 00:05  Atualizado: 04/04/2017 00:05
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 Re: Valham-me as palavras boas ...
As palavras são tão necessárias, quase com o ar que respiramos.

Meus parabéns!!!



Enviado por Tópico
Jorge-Santos
Publicado: 15/05/2017 17:03  Atualizado: 15/05/2017 17:03
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 A Field Guide to Getting Lost...I Love
I Love...
I love going out of my way, beyond what I know, and finding my way back a few extra miles, by another trail, with a compass that argues with the map…nights alone in motels in remote western towns where I know no one and no one I know knows where I am, nights with strange paintings and floral spreads and cable television that furnish a reprieve from my own biography, when in Benjamin’s terms, I have lost myself though I know where I am. Moments when I say to myself as feet or car clear a crest or round a bend, I have never seen this place before. Times when some architectural detail on vista that has escaped me these many years says to me that I never did know where I was, even when I was home.”
― Rebecca Solnit, A Field Guide to Getting Lost

Enviado por Tópico
Volena
Publicado: 19/05/2017 14:01  Atualizado: 19/05/2017 14:01
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 Re: Valham-me as palavras boas ... P/Jorge-Santos
...como nos entenderíamos sem elas mas prefiro as boas e doces... de longe! Um bom e um abraço Vólena

Enviado por Tópico
Jorge-Santos
Publicado: 22/05/2017 17:15  Atualizado: 01/06/2017 17:04
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 Inalterável a dor
Inalterável é a cachaça
e um antropólogo em Marte,
inalterável a minha sede de voyeur
e a metafísica do terror
inalterável até o leite da Deusa Hera
mas não altero em nada seja o que for que sinta,
seja ele quem for inclino-me ante quem é alterável quanto a minha dor
que alterna entre a brava fúria
e essa a qual me converto por amor

Quando uma pessoa quer ver
repetidamente os mesmos padrões nos gestos,
nas estrelas mestras e os mesmos sorrisos
nos rostos dos outros,
imutáveis quanto os castigos quer nos céus
como nas gentes e nos despojos
que as inúmeras vidas nos deram, quando alguém quer tudo isso herdado e
duma só vez na breve vida, torna-se autista
Inalterável incolor..

Enviado por Tópico
Joel-Matos
Publicado: 13/06/2017 12:43  Atualizado: 13/06/2017 12:43
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 Merda l´iquida tb é arte...
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Enviado por Tópico
Jorge-Santos
Publicado: 24/06/2017 13:51  Atualizado: 24/06/2017 13:51
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 Nem lande nem grão ...
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Enviado por Tópico
sisnando
Publicado: 29/11/2017 23:10  Atualizado: 29/11/2017 23:10
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 Re: Valham-me as palavras boas ..
Valha-te o prazer de as descobrir, porque depois não passam de coisas fáceis! Gostei de ler, essa irreverencica que te morde os calcanhares! Abraço amigo


Enviado por Tópico
atizviegas68
Publicado: 30/11/2017 20:36  Atualizado: 30/11/2017 20:36
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Mensagens: 1425
 Re: Valham-me as palavras boas ..
na palavra escrita se ouve um pedaço do pensamento, que nem sempre vem na voz.
Um abraço pela magia



Enviado por Tópico
Rogério Beça
Publicado: 23/05/2020 07:38  Atualizado: 23/05/2020 07:38
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Online!
 Re: A sucessão dos dias e a sede de vouyeur
Como diria a minha ex-mulher (acho que ainda não tinha falado dela aqui no Luso) que não percebia um único verso meu e não suporta poesia, "tu viajas na maionese", ou andas a viajar.
Repara, ela é uma pessoa instruída, honesta, boa mãe, trabalhadora, além de ter tido a capacidade de me suportar (por vezes sou um bocado insuportável), mas no que diz respeito a leitura, ela precisa de se sentir educada ao ler. Não se diverte. É um direito seu.
Já te disse antes que não sabes escrever mal. Quem me dera ter o teu vocabulário, a tua fluência, esse teu jeito de dares largas ao teu eu e nele viajares.
A mancha gráfica desta prosa é muito compactada. Torna um pouco aborrecida a leitura na diagonal.
Palavra a palavra a conversa é com verso.
Dum tom confessional intenso, reflectindo o que se tem passado pelo site, por vezes esqueço-me que é um comentário a uma carta aberta.
Não desgostaria se o publicasses sob a forma de texto, ou crónica. Porque é um pouco o que parece.
Adorei a citação do Bernardo Soares (que não conhecia) que diz, na perfeição, esta necessidade absurda que ele chama de vil. Má.
Má para quem?
Eu sei que é auto-explicativo e corro o risco de soar a tolinho, mas todos vivemos de necessidades, como estipulou Maslow, ou constatou, na sua pirâmide, e cada uma delas nos diminui. Desde as mais básicas, como a sede, ou a fome, ou o sexo, às menos básicas como a ostentação e o orgulho.
Ganhará o leitor quando a escrita for conforme o seu gosto.
É este texto, irremediavelmente, um a declaração de amor, com laivos (ando a usar muito a palavra) de mea culpa, sem ponta de boçalidade, sem a vileza que referes, fora uma palavra ou duas para verificar a regra.
Tem excepção.

Abraço