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Poemas : 

mágoa matura

 


escreveu um poema desses outros quando era outro
feito de pássaros acorrentados por linhas de seda de aromas libertados de uma primavera chuvosa recheado de borboletas - tantas que havia! - e não percebeu não viu não sentiu que a mágoa no olhar dela tinha a força dos enganos do passado do poema.

desses outros
passados que tinham sido

[quando ele era a sombra de um sonho e ela era outra acreditando na luz inexistente]





o que eu ainda possa ser, não significa nada com a força renovada do que desejo dar.

 
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Enviado por Tópico
Rogério Beça
Publicado: 21/04/2017 18:17  Atualizado: 21/04/2017 18:17
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 Re: mágoa matura
Vivemos corroídos de ilusões sempre que abrimos os olhos. Porventura de impressões olfactivas, auditivas, gustativas... É inevitável, mesmo que sejamos cegos ou surdos.
A construção da realidade começa aí. Se for comum a outros estabelece-se duma forma que nos é querida. Sobretudo necessária.
Há dois tempos no poema. Um antes e um depois. O antes condiciona todo o poema. Em que todo e qualquer esforço para mudar é infortuito.
Precisamente porque não é uma mágoa recente, como nos diz o título.
Pena que a luz, inexistente, não possa ser reiluminante (agora dá-me para inventar palavras...) deixando-no este amargo de boca. E se tudo é ilusão, resta-nos quiça, arranjar força para nos deixarmos iludir (mais) uma outra vez.

Bj