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Poemas : 

Sinto saudade do que não sou ...

 
Sinto saudade do que não sou ...
 










Sinto saudade do que não sou,
O que vês é nada, esqueci
O pensar como fosse palha
Ao vento, como vês deixei

De ser outro pra tornar ao nada
Que sempre fui, esqueci por
Momentos que o nada basta
E sempre fui e serei o quanto

Sinto, saudade de quem sou,
Normalmente um nada eu todo,
Um todo-nada eu, nem mais
Nem menos que um morto-vivo

Sempre, o plural de nada ou
A definição nítida de um vazio qualquer,
Sem expressão, quanto à minha vista.
Lei ou justiça, quem dera não ser,

Nem formar sombra na rua,
Em redor do rosto banal, estúpido
Embrulho de um insatisfeito,
Sinto saudade da realidade

Construída a brincar, do brilhar
Dos pastos lá fora quando há lua,
Para quê pensar se a forma é humana
A que o espelho tem, vulgar

Quanto a justiça e a lei, importância
Nenhuma, pois ainda não sou
Ideia absoluta baseada no que creio
Ser, sou a noção que alguém teve d'mim

Outrora e antes e em mim mora rente,
E eu esse sou, sinto.










Jorge Santos (06/2017)
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Jorge Santos, aliás Joel Matos,aliás namastibet

 
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Jorge-Santos
 
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Enviado por Tópico
Jorge-Santos
Publicado: 08/06/2017 23:19  Atualizado: 08/06/2017 23:19
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 Re: Sinto saudade do que não sou
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Enviado por Tópico
Absalao
Publicado: 09/06/2017 08:09  Atualizado: 09/06/2017 08:09
Da casa!
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Localidade: Moçambique, Maputo, Manhiça
Mensagens: 318
 Re: Sinto saudade do que não sou
Mestre, parabéns pelo texto...
Está delicioso.

Gostei.

Aplausos...



Enviado por Tópico
Joel-Matos
Publicado: 09/06/2017 10:58  Atualizado: 22/11/2017 17:59
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 Contudo vale-a-pena


Contudo vale a pena

Haver amanhã, haver outro dia
Contudo vale a pena, espécie de
Continuação de mim, perdão dos
Céus amnistia caminho de quem

Se perdeu dum outro dia, eu.
Haver amanhã, haver outro dia
Contudo vale a pena ser feliz
Enquanto ouço em mim dentro

O pensar suposto ou intuição
Instinto combinação de ambos,
Consciência e sonho, vazio
Que faz lembrar ruído e se sente,

Contudo vale a pena quando
Tudo parece estar aquém do que é
E existe, continuação de mim, incenso
Espécie de música que flutua,

Interlúdio às vezes, balada do terço,
Igreja vazia, contudo vale a pena
Ser hoje admirável tanto quanto
Um Audi ou um quadro apresentando

Nada em continuação de mim ...



Enviado por Tópico
visitante
Publicado: 09/06/2017 12:53  Atualizado: 09/06/2017 12:53
 Re: Sinto saudade do que não sou
sou. sinto
muito, suscito
sucinto


Enviado por Tópico
silva.d.c
Publicado: 09/06/2017 23:49  Atualizado: 09/06/2017 23:49
Da casa!
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Mensagens: 409
 Re: Sinto saudade do que não sou
o que me faz não sentir saudade do que não sou, é saber que aquilo que sou é temporário...muito bom ler te e pensar...abraços



Enviado por Tópico
MarySSantos
Publicado: 10/06/2017 01:34  Atualizado: 10/06/2017 01:34
Luso de Ouro
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 Re: Sinto saudade do que não sou
do que não sou
a saudade
sente
e maltrata
o que sou.


Excelente poema,
como sempre.

Bjo



Enviado por Tópico
martisns
Publicado: 11/06/2017 11:54  Atualizado: 11/06/2017 11:54
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 Re: Sinto saudade do que não sou
Sentir saudade do que não sou, é ter nos olhos aquilo que verdadeiramente será


Enviado por Tópico
boxer
Publicado: 01/07/2017 17:38  Atualizado: 01/07/2017 17:38
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 Re: Sinto saudade do que não sou
Perdi-me dentro de mim
Porque eu era labirinto,
E hoje, quando me sinto,
É com saudades de mim.

Mário de Sá-Carneiro (Dispersão)




Enviado por Tópico
Joel-Matos
Publicado: 11/11/2017 20:17  Atualizado: 11/11/2017 20:17
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 I love a little cottage
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Enviado por Tópico
sisnando
Publicado: 25/11/2017 12:19  Atualizado: 25/11/2017 12:19
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 Re: Sinto saudade do que não sou
Gostei de ler! Sentes saudades daquilo que não és? Não sentimos todos? Sobram-nos os sonhos, abraço amigo


Enviado por Tópico
Volena
Publicado: 25/11/2017 22:19  Atualizado: 25/11/2017 22:19
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 Re: Sinto saudade do que não sou P/Jorge-Santos
Matando saudades, de um de um poeta excelente Vó

Se sou um nada, nada sou
se nada sou, que sou então?
Se nada sou sendo, que é ser…
Ser ou não ser, eis a questão.

Se não sou, sinto saudades
um nada muito impreciso
se nada faz de um nada
que poema tão expressivo!

Enviado por Tópico
Jorge-Santos
Publicado: 20/12/2017 20:40  Atualizado: 20/12/2017 20:43
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 Re: Sinto saudade do que não sou ...
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Enviado por Tópico
Joel-Matos
Publicado: 10/01/2018 16:07  Atualizado: 10/01/2018 16:25
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 .
.

Enviado por Tópico
Jorge-Santos
Publicado: 10/01/2018 16:55  Atualizado: 10/01/2018 16:55
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 Informo que vou embora daqui
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Enviado por Tópico
Joel-Matos
Publicado: 13/03/2018 21:47  Atualizado: 14/03/2018 09:39
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 Re: Sinto saudade do que não sou ...
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Enviado por Tópico
Joel-Matos
Publicado: 22/05/2018 20:08  Atualizado: 22/05/2018 20:08
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 Júlio Pomar
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Enviado por Tópico
Jorge-Santos
Publicado: 26/06/2018 10:41  Atualizado: 26/06/2018 10:41
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 Re: Sinto saudade do que não sou ...

Enviado por Tópico
Namas-tibet
Publicado: 11/10/2018 12:50  Atualizado: 11/10/2018 12:50
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 Re: Sinto saudade do que não sou ...
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Enviado por Tópico
Namas-tibet
Publicado: 13/03/2019 17:37  Atualizado: 13/03/2019 17:37
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 Re: Sinto saudade do que não sou ...
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Enviado por Tópico
Jorge-Santos
Publicado: 28/03/2019 15:28  Atualizado: 28/03/2019 15:28
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 Adeus
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Enviado por Tópico
cavaleiro.sem.dama
Publicado: 29/03/2019 08:23  Atualizado: 29/03/2019 08:23
Da casa!
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 Re: Sinto saudade do que não sou ...
A insatisfação e o desassossego fazem viver o homem, nem sempre da melhor forma. Dão-lhe vida a ele e uma pedrada no charco para os que o rodeiam. A estática e a inercia, para quem não morreu já está morto; que viva a loucura da sã inconformidade :)

Enviado por Tópico
Joel-Matos
Publicado: 13/04/2019 17:00  Atualizado: 18/04/2019 11:06
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 Morto vivo eu já sou ...













Se só e rigorosamente de mortos
Se compõem museus,
Morto vivo eu já sou, não estranho
Fui partido, deixados mil e cem bocados
No labirinto em que me fingi preso,

Duvido que o vento teso
Ou o sol do meio-dia, me encontrem vivo,
Pois sinceramente me sinto morto,
Pra vida que nunca quis ter... ...
Eis quanto comum de facto sou,

Ao ponto de ter vulgar umbigo;
Peculiar adereço em mim, o estar
Sem estar, a dor sem hiato ou subtítulo,
Desprezo de inglorioso palhaço de circo,
Desses sem palco nem apreço,

Velhaco tecido a palha, pseudónimo-erudito
E canalha com firma-reconhecida, mal pago
Taberneiro, manhoso com ácaros nos
Testículos e na mal-formada verga
O sujo, besuntado a tinto e canja de

Galinha gorda, na barriga tatuo "marujo",
Sem jamais ter raspado nos flancos
Um batelão, nem de joelhos o convés,
Contramestre da ignomínia, da infâmia,
O coração, se pudesse, fugiria de mim,

Tão vulgar sou, sete sobre sete dias
Suo que nem camelo perante o alfage
Mauritano, cerebelo de Sapo e Urubu,
Pinta de fuinha, saio ao meu avô Garim,
Morto externamente vivo ...











Enviado por Tópico
Joel-Matos
Publicado: 18/07/2019 17:16  Atualizado: 18/07/2019 17:16
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 Re: Sinto saudade do que não sou ...
"Nada mais descabido que o cabide para o juízo"


"Trago em mim um cabide em falta e o juízo doado de um argonauta tirano de lata"

Enviado por Tópico
Joel-Matos
Publicado: 13/08/2019 11:43  Atualizado: 13/08/2019 11:43
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 Saudade do que fui ...
AUSÊNCIA

Por muito tempo achei que ausência era falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência, essa ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.

Carlos Drummond de Andrade

Enviado por Tópico
Joel-Matos
Publicado: 24/11/2019 00:35  Atualizado: 24/11/2019 00:35
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 Vendetta ?
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Enviado por Tópico
Lucineide
Publicado: 24/11/2019 14:44  Atualizado: 24/11/2019 14:44
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 Re: Sinto saudade do que não sou ...
Desde que nasci que procuro ser, mas não me encontrei.
Dizem que sou isso, aquilo e outras coisas mais, todavia não sei quem realmente sou, porque em nada do que dizem me satisfaço.
O passando me mostra o que fui
e, vez por outra, sinto saudade.
Mas há nele feridas e cicatrizes.
Melhor minha versão do presente.
Só sei de uma coisa: quando eu me encontrar vou agradecer .
Lucineide



Bom dia, poeta. Seu poema me tocou. Bom domingo.



Enviado por Tópico
antenorribas
Publicado: 13/12/2019 18:43  Atualizado: 13/12/2019 18:43
Muito Participativo
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Localidade: Belo Horizonte
Mensagens: 60
 Re: Sinto saudade do que não sou...
CARO JOEL-MATOS:

NÃO SEI SE ESSE É OU NÃO O SEU NOME VERDADEIRO, MAS É COM ESSA ALCUNHA QUE VOCÊ ESTÁ SE APRESENTANDO NAS MINHAS PÁGINAS, NÃO PARA COMENTAR MEUS TEXTOS, MAS SIM PARA OFENDER, DE UMA MANEIRA QUE JAMAIS ALGUÉM FEZ, A RESPEITO DO QUE ESCREVO.

JAMAIS ENTREI NAS SUAS PÁGINAS PARA LHE OFENDER, JAMAIS PENSEI EM SEQUER OFENDER QUEM ESCREVE SUAS OPINIÕES DIFERENCIADAS DAS MINHAS.

SEMPRE ME PROPUS A TRATAR COM IGUALDADE TODOS OS ESCRITORES E POETAS, LENDO SEUS ESCRITOS COM VISÃO DE LIBERDADE E DE MUITO RESPEITO.

NÃO ENCONTRO ESSAS QUALIDADES EM SUA PESSOA, QUE, SEM MAIS NEM MENOS, COMEÇOU A VISITAR TODOS OS MEUS TEXTOS, COM A SIMPLES INTENÇÃO DE ME OFENDER TERRIVELMENTE.

NÃO PRECISO DE SUAS OPINIÕES MALDOSAS.

SEQUER TENHO VONTADE DE LER O QUE VOCÊ ESCREVE, POIS DEVEM SER POEMAS CHEIOS DE ÓDIO CONTRA TUDO O QUE NÃO É VOCÊ!

SE VOCÊ CONTINUAR ME VISITANDO E OFENDENDO, SAIREI DO LUSO-POEMAS DEFINITIVAMENTE, POIS NÃO MEREÇO TANTA MALDADE NA MINHA DIREÇÃO.

SOU UMA PESSOA DE BEM, RESPEITO QUEM MERECE, E ESCREVO NÃO SÓ COISAS ROMÂNTICAS SOBRE IDEOLOGIAS, MAS SOBRE A REALIDADE, QUE NÃO VEM DE UM LADO SÓ, MAS DE MUITOS CAMINHOS DIFERENTES E CONTRÁRIOS.

A PRÓPRIA BÍBLIA DIZ, NUMA DE SUAS PASSAGENS, QUE, "HÁ VÁRIOS CAMINHOS QUE LEVAM AO MEU PAI"....

.... OU ENTÃO, "HÁ VÁRIOS CAMINHOS QUE LEVAM A ROMA"...

COM TRISTEZA....

SALETI HARTMANN
Professora e Poeta
Cândido Godói-RS


Leia mais: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=347012 © Luso-Poemas

Leia mais: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=347041 © Luso-Poemas

Enviado por Tópico
Joel-Matos
Publicado: 09/01/2020 18:31  Atualizado: 08/03/2020 19:27
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 Re: Sinto saudade do que sou...?
Sinto saudade do que sou
sE tudo volta ao que era, sem nada que acontecesse.
A tarde calma, a eterna calma de que se adormece
Na suposta impressão de quem nada sente,
O grão de pó que pousa na estrada de terra, inerte,



A miragem do que de real existe, indefinida como sempre,
A lua cheia que aparece e depois desaparece indiferente;
-Não viesse o amanhã, eu seria imponderável no que sinto,
Como se uma descoberta nova, fosse o pensamento



E, se sei que existe uma razão para tudo o que acontece,
Até mesmo na inacção ou na vontade presa ao destino
Ainda viajaria de vida em vida, fiel a uma incompleta prece.
“E tudo volta ao que era…” tudo se repete no sonho…


(Na tarde calma, na eterna calma de que se adormece.)
sem que nada acontecesseA mão invisível do vento roça por cima das ervas.
Quando se solta, saltam nos intervalos do verdePapoilas rubras, amarelos malmequeres juntos,
E outras pequenas flores azuis que se não vêem logo.
Não tenho quem me ame, ou vida que me queira, ou morte que me roube.


Por mim, como pelas ervas um vento que só as dobra
Para as deixar voltar àquilo que foram, passa.
Também por mim um desejo inutilmente bafeja
As hastes das intenções, as flores do que imagino,
E tudo volta ao que era sem nada que acontecesse.