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Poemas : 

I'nda ontem...

 
I'nda ontem...
 






I'nda ontem...

I'nda ontem era em azul o tom das tuas íris
E imensa a solidão dos teus dias/meses, dirias
Inúteis os malmequeres e os campos verdes
Ou o regresso das estações q'inda ontem eram
Certas, azuis e bege como os planetas que vias

Luzindo, Sírius Pólux Arcturus, em torno
De ti paisagem, ontem azul hoje bocados lembram
A natureza que não fala que não tenho, pensar
Não pertence a ninguém nem a mim mesmo,
Natureza somos todos, cremos na passagem,

I'nda ontem pensava assim das coisas que digo
Como se faltasse dizer ainda alguma coisa,
Interpretar os sentimentos, ter opinião capaz
De governar uma sociedade ou tornar lúcido o instinto,
I'nda ontem era em azul o tom das tuas íris.

A solidão tem dias tal como a alma tem figura,
A gente nega o que são vultos negros no chão,
Por serem negros, porque o são, sombra é ruído,
Regressa com as estações do ano ou uma roda partida,
O barulho do sistema solar sem freio,

Luzindo, Sírius Pólux Arcturus, Betelgeuse,
Cephei, em torno de mim paisagens de quanto
O deserto me faz chorar e se parece comigo
Até ao mais ínfimo grão de areia,
Assim os malmequeres nos campos verdes,

Inúteis ao meu ver ...











Jorge Santos(07/2107)
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Jorge Santos, aliás Joel Matos,aliás namastibet

 
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Jorge-Santos
 
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Enviado por Tópico
Joel-Matos
Publicado: 25/07/2017 16:03  Atualizado: 25/07/2017 16:03
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 Re: I'nda ontem...
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Enviado por Tópico
Joel-Matos
Publicado: 25/07/2017 16:13  Atualizado: 25/07/2017 16:13
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 Até ao mais ínfimo grão de areia.
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Enviado por Tópico
Jorge-Santos
Publicado: 25/07/2017 17:29  Atualizado: 25/07/2017 17:37
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 Theo & Van Gogh
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Peasant Burning Weeds

Painted October 1883, Nieuw-Amsterdam, Drenthe
F 20, JH 417

Vincent was working hard every day, keeping the same long hours as the local farmers and peat gatherers, working to perfect his ability to capture the spirit of the peasant class. His letters at this time frequently include small sketches relating to the finished painting. In one letter he tells Theo, "I’m still working on that weed burner, whom I’ve caught better than before in a painted study as far as the tone is concerned, so that it conveys more of the vastness of the plain and the gathering dusk, and the small fire with the wisp of smoke is the only point of light." The work captures well the effect he describes, and the sot of hard, dreary existence he was living at this time, much to the dismay of his family.
To Theo van Gogh, circa 22 October 1883

The letter drawing called Man Burning Weeds (F No Number Assigned, JH 419) is included below.


Enviado por Tópico
cavaleiro.sem.dama
Publicado: 26/07/2017 09:11  Atualizado: 26/07/2017 09:11
Da casa!
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 Re: I'nda ontem...
I´nda ontem era alegria , hoje não passa de uma ressaca danado, fiz d´noite uma alvorada c`as meninas que havia :)


Enviado por Tópico
visitante
Publicado: 27/07/2017 00:52  Atualizado: 27/07/2017 00:52
 Re: I'nda ontem...
*sensibilidade explícita.
Poesia em movimento, circulaçao de Vida ante tantos desertos e por vezes bosques verdejantes...
Assim é viver. Uma odisseia penso eu.

Obrigado por estar aqui
Beijoka*

Enviado por Tópico
martisns
Publicado: 01/08/2017 13:43  Atualizado: 04/08/2017 20:39
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 Re: I'nda ontem...
A natureza vive dentro de uma solidão dentro, de uma desilusão, onde o homem com sua irracionalidade esta aos poucos a desfazendo. Pois destruindo seu próprio habitar. E vejo de uma maneira que ninguém faz nada para isso acabar.


Enviado por Tópico
Jorge-Santos
Publicado: 01/08/2017 18:20  Atualizado: 01/08/2017 18:21
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 Re: I'nda ontem ...
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Enviado por Tópico
Jorge-Santos
Publicado: 02/08/2017 17:02  Atualizado: 02/08/2017 17:02
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 «Minha pátria é a língua portuguesa.»
«Minha pátria é a língua portuguesa.»

Gosto de dizer. Direi melhor: gosto de palavrar. As palavras são para mim corpos tocáveis, sereias visíveis, sensualidades incorporadas. Talvez porque a sensualidade real não tem para mim interesse de nenhuma espécie - nem sequer mental ou de sonho -, transmudou-se-me o desejo para aquilo que em mim cria ritmos verbais, ou os escuta de outros. Estremeço se dizem bem. Tal página de Fialho, tal página de Chateaubriand, fazem formigar toda a minha vida em todas as veias, fazem-me raivar tremulamente quieto de um prazer inatingível que estou tendo. Tal página, até, de Vieira, na sua fria perfeição de engenharia sintáctica, me faz tremer como um ramo ao vento, num delírio passivo de coisa movida.

Como todos os grandes apaixonados, gosto da delícia da perda de mim, em que o gozo da entrega se sofre inteiramente. E, assim, muitas vezes, escrevo sem querer pensar, num devaneio externo, deixando que as palavras me façam festas, criança menina ao colo delas. São frases sem sentido, decorrendo mórbidas, numa fluidez de água sentida, esquecer-se de ribeiro em que as ondas se misturam e indefinem, tornando-se sempre outras, sucedendo a si mesmas. Assim as ideias, as imagens, trémulas de expressão, passam por mim em cortejos sonoros de sedas esbatidas, onde um luar de ideia bruxuleia, malhado e confuso.

Não choro por nada que a vida traga ou leve. Há porém páginas de prosa que me têm feito chorar. Lembro-me, como do que estou vendo, da noite em que, ainda criança, li pela primeira vez numa selecta o passo célebre de Vieira sobre o rei Salomão. «Fabricou Salomão um palácio...» E fui lendo, até ao fim, trémulo, confuso: depois rompi em lágrimas, felizes, como nenhuma felicidade real me fará chorar, como nenhuma tristeza da vida me fará imitar. Aquele movimento hierático da nossa clara língua majestosa, aquele exprimir das ideias nas palavras inevitáveis, correr de água porque há declive, aquele assombro vocálico em que os sons são cores ideais - tudo isso me toldou de instinto como uma grande emoção política. E, disse, chorei: hoje, relembrando, ainda choro. Não é - não - a saudade da infância de que não tenho saudades: é a saudade da emoção daquele momento, a mágoa de não poder já ler pela primeira vez aquela grande certeza sinfónica.

Não tenho sentimento nenhum político ou social. Tenho, porém, num sentido, um alto sentimento patriótico. Minha pátria é a língua portuguesa. Nada me pesaria que invadissem ou tomassem Portugal, desde que não me incomodassem pessoalmente. Mas odeio, com ódio verdadeiro, com o único ódio que sinto, não quem escreve mal português, não quem não sabe sintaxe, não quem escreve em ortografia simplificada, mas a página mal escrita, como pessoa própria, a sintaxe errada, como gente em que se bata, a ortografia sem ípsilon, como o escarro directo que me enoja independentemente de quem o cuspisse.

Sim, porque a ortografia também é gente. A palavra é completa vista e ouvida. E a gala da transliteração greco-romana veste-ma do seu vero manto régio, pelo qual é senhora e rainha.




Bernardo Soares

Enviado por Tópico
SoniaNogueira
Publicado: 04/08/2017 19:59  Atualizado: 04/08/2017 19:59
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Mensagens: 665
 Re: I'nda ontem...
Foi tudo ontem, hoje a vida continua com suas cores e cinzas. Abs.







Enviado por Tópico
Jorge-Santos
Publicado: 07/05/2019 18:34  Atualizado: 07/05/2019 18:34
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 Re: I'nda ontem...
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