https://www.poetris.com/
 
Prosas Poéticas : 

atrás das pálpebras.

 







atrás das pálpebras o amor, lisonjeiro, desfila nas trevas.
haverá outro, tão perdido, que se manifeste à luz do dia pro louco, enigmático, que se esconde
sob os disfarces da razão até que o delírio dele se apodere atirando-o a um corpo onde
enterra, sem desejo, tudo que a vida oferece de mais terrível?



atrás das pálpebras vagam sonhos natimortos capazes de moldar olhares funestos e
enfurecidos numa sinfonia de réquiens dissonantes pela única certeza pendente:
a da inércia dos pulos emocionais a vazarem em gotas lacrimais no vasto
oceano: espelho da própria existência.



atrás das pálpebras tecem-se teias de inconformismo, prazeres ineludíveis,
situações indescritíveis de uma prisão inobservada pelo interior de almas
gravitantes, geradoras da realidade.



atrás das pálpebras mora o esgotamento de novos experimentos, um dínamo vagaroso e, talvez,
a libertação de tudo esteja no ato de fingir sobre coisas e fatos inalcançáveis para, após, somente
se observar a intermitente metamorfose dos peregrinos de uma certeza única, ou, ainda, nichos
de interiores cegos, surdos e mudos com intuições irrespondíveis.




***


Eu escrevo a poesia, e a poesia escreve o que Eu nem quero ter entre as mãos.
Rehgge


 
Autor
CamargoRehgge
 
Texto
Data
Leituras
668
Favoritos
0
Licença
Esta obra está protegida pela licença Creative Commons
3 pontos
1
1
0
Os comentários são de propriedade de seus respectivos autores. Não somos responsáveis pelo seu conteúdo.

Enviado por Tópico
Semente
Publicado: 30/07/2017 23:03  Atualizado: 30/07/2017 23:03
Colaborador
Usuário desde: 29/08/2009
Localidade: Ribeirão Preto SP Brasil
Mensagens: 8375
 Re: atrás das pálpebras./ Para Camargo Rehgge
Amigo poeta, transponho do sarau para cá, o comentário que fiz ao teu magnífico poema !

A alegria só aumenta para nós idealizadoras desse evento poético, e com emoção pela receptividade dos poetas e poetisas que nos aceitaram o convite para esse sarau virtual, bem diferente dos sarais no mundo real. Contudo, nos oferece a mesma oportunidade que é a de (re)unir num só espaço, principalmente o Forum, tão pouco visitado por alguns amigos, para postarem o melhor de si em palavras.


Penso que quando Platão expulsou a poesia do mundo intelectual foi porque esse gênero tem alto poder de sedução, versando o comum de forma incomum, desprezando a racionalidade.
E aqui no teu poema caro Camargo eu noto logo no início o amor desfilando nas trevas, Só o amor pode, desfilar lisongeiro nas trevas, desenvolto , fazendo luz. Que racionalidade entenderia isso?

E sob as pálpebras, sob a capa, sob a máscara de sorriso, quantos de nós não guardamos o inconformismo com que não conseguimos aceitar, ainda?
Mas a poesia, vem em socorro pra dar esse grito espontâneo, que está caladinho sob as pálpebras, muitas vezes, cheias de lágrimas!

Bravos, bravos, amei esse poema. Tocou-me .

Beijos