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Poemas : 

P'la causa das Palavras ...

 
P'la causa das Palavras ...
 








(Por causa das Palavras)


Por causa das palavras
Minh'alma mora só,
Numa casa de terra chã
Sem vista pra lua, vazia

Ou cheia, Ilude-me
O que vejo, escrevo paredes
E paredes em cal viva,
Minh'alma mora'í só,

Debruçada no meu queixo
E gestos, são palavras
De saltos-altos e passadas
Rápidas pela casa das palavras,

Pla causa das Palavras
Minha casa é uma e uma só,
Escutai apenas o pregão,
Como um grito mudo, ouçam

Quartos de lua e o halo que a
Circula, o postigo em que me
Debruço e sonho de tudo
Um pouco, minh'alma mora'í

Por castigo, nas paredes de cal,
Vivo numa casa de telha vã,
A memória, os meus sentidos
Fazem parte do que escrevo

P'las paredes e janelas de vidro,
Desta casa pouco fixa...









Jorge Santos(01/2017)
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Jorge Santos, aliás Joel Matos,aliás namastibet

 
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Jorge-Santos
 
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Enviado por Tópico
Joel-Matos
Publicado: 14/01/2018 19:28  Atualizado: 14/01/2018 19:28
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 Re: Por causa das Palavras
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Enviado por Tópico
Joel-Matos
Publicado: 15/01/2018 17:18  Atualizado: 06/02/2018 09:18
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 The Phoenix and the Turtle









The Phoenix and the Turtle (Turtle-dove)

WILLIAM SHAKESPEARE


Let the bird of loudest lay
On the sole Arabian tree
Herald sad and trumpet be,
To whose sound chaste wings obey.

But thou shrieking harbinger,
Foul precurrer of the fiend,
Augur of the fever's end,
To this troop come thou not near.

From this session interdict
Every fowl of tyrant wing,
Save the eagle, feather'd king;
Keep the obsequy so strict.

Let the priest in surplice white,
That defunctive music can,
Be the death-divining swan,
Lest the requiem lack his right.

And thou treble-dated crow,
That thy sable gender mak'st
With the breath thou giv'st and tak'st,
'Mongst our mourners shalt thou go.

Here the anthem doth commence:
Love and constancy is dead;
Phoenix and the Turtle fled
In a mutual flame from hence.

So they lov'd, as love in twain
Had the essence but in one;
Two distincts, division none:
Number there in love was slain.

Hearts remote, yet not asunder;
Distance and no space was seen
'Twixt this Turtle and his queen:
But in them it were a wonder.

So between them love did shine
That the Turtle saw his right
Flaming in the Phoenix' sight:
Either was the other's mine.

Property was thus appalled
That the self was not the same;
Single nature's double name
Neither two nor one was called.

Reason, in itself confounded,
Saw division grow together,
To themselves yet either neither,
Simple were so well compounded;

That it cried, "How true a twain
Seemeth this concordant one!
Love has reason, reason none,
If what parts can so remain."

Whereupon it made this threne
To the Phoenix and the Dove,
Co-supremes and stars of love,
As chorus to their tragic scene:

threnos

Beauty, truth, and rarity,
Grace in all simplicity,
Here enclos'd, in cinders lie.

Death is now the Phoenix' nest,
And the Turtle's loyal breast
To eternity doth rest,

Leaving no posterity:
'Twas not their infirmity,
It was married chastity.

Truth may seem but cannot be;
Beauty brag but 'tis not she;
Truth and beauty buried be.

To this urn let those repair
That are either true or fair;
For these dead birds sigh a prayer.



A FÊNIX E A POMBA

Pouse o pássaro cantante
sobre a solitária árvore da Arábia,
A anunciar e proclamar, triste,
Aos que obedecem às castas asas.

Mas tu, esganiçado mensageiro,
Precursor terrível do demônio,
Augúrio dos estertores,
Destes dois não te aproximes.

Afasta neste momento
Todo pássaro tirânico,
Exceto a águia, rei das aves:
Mantém o acesso restrito.

Deixemos o padre em branca sobrepeliz,
Como faz o canto-chão,
Ser o cisne portador da morte,
A menos que o réquiem se subjugue.

E tu, corvo de canto agudo,
Que segues soturno
Como o ar que respiras,
Entre nossos enlutados seguirás.

Aqui começa nossa antífona:
Morreram o amor e a constância:
A Fênix e a Pomba partiram
Numa única flama daqui.

Eles se amavam ternamente,
Aspiravam à mesma essência;
Sendo dois, eram um:
No amor, eram um só.

Corações remotos, mas unidos;
Na distância, não havia espaço
Entre a pomba e sua rainha;
Mas neles, isso era um assombro.

Então, entre os dois o amor brilhava,
Assim a pomba quis
Brilhar diante da fênix:
Qualquer uma que fosse minha.

O dono estarreceu-se,
Que um deles deixou de ser quem era:
O nome duplo de uma mesma natureza,
Não chamou nenhum dos dois.

A razão, confundida,
Viu aumentar a distância;
Para eles, entretanto, seguiam
Simples e bem compostos.

Exclamaram: como dois
Podem parecer um só!
O amor sabe e, ao mesmo tempo,
Não sabe o que os mantém unidos.

Assim, compôs-se este lamento
Para a fênix e a pomba,
Tão supremas e estrelas do amor;
Como coro para seu trágico fim.

LAMENTOS.

Beleza, verdade e raridade.
A graça em toda simplicidade,
Aqui jaz reduzida a cinzas.

A morte acolhe a fênix em seu ninho;
E o peito fiel da pomba
Descansa por todo o sempre,

Sem deixar posteridade: –
Essa não era sua firmeza,
Casaram-se em castidade.

Parece verdade, mas não pode ser:
A beleza proclama, mas ela não é;
A verdade e a beleza são enterradas.

A esta urna, devemos sussurrar
Verdadeira ou justa;
Uma oração a estes pássaros feridos.

Tradução: Thereza Christina Rocque



Enviado por Tópico
Jorge-Santos
Publicado: 23/01/2018 15:50  Atualizado: 01/02/2018 08:39
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 Re: P'la causa das Palavras ...
.

Enviado por Tópico
Jorge-Santos
Publicado: 31/01/2018 18:28  Atualizado: 31/01/2018 23:55
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Localidade: Azeitão/Setúbal, Portugal
Mensagens: 2005
 JURO
7[/url]
JURO...

Ó hora do diabo! Deus do caos,
Entropia, desordem e denúncia,
-Deixa que me roa nas entranhas,
A inveja e o meu nariz falhado, débil
Pode ser que a purga me alivie

Das fraudes e da raça doutrem
E o meu corpo depois lavrado de ódio
P’la lama p’la imundice, javardo
Armado p’la cobiça, procrie
Coisas belas que estas não, estas não…

Telas falsas que se leem e consomem ocasionais
Como sandes em janelas frias em renúncias
-Deixa-me fechar nos olhos, o estar bem
E o falso bom agrado de doentias
Falácias crápulas trajadas de besta,

A morrer ao lado desta mesa
Falida do meio dia ás treze...desassossego!
-Deixa-me na soleira do fundo
Na paragem nua da rocha e da lua
- Deixa-me berrar Confúcio, Alláh…

Ralhar às hostes de Barrabás e nas talas
Do carpinteiro mas atrás do destino justo
-Juro, confuso… mas juro - hei-de riscar
Os muros das casas, os tramos e estremas
Que separam essas, destas febris entranhas,

JURO...

Joel Matos (02/2014)
http://namastibetpoems.blogspot.com

Enviado por Tópico
Joel-Matos
Publicado: 06/02/2018 08:43  Atualizado: 19/02/2018 09:20
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Mensagens: 2030
 O despropósito de saírem pombas pela fala




Aos que pensam que é
Despropósito saírem pombas pela fala,
São ultraje e ofensa aos que não percebem
A voz do "Deus-das-várias-cores" e o fazer chuva...
Sendo por isso a poesia um clima de extremos

Jorge Santos , aliás Joel Matos