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Poemas : 

Diverso-me a julgar, excede-me o compreender.

 
Diverso-me a julgar, excede-me o compreender.
 



Diverso-me a julgar,

Esta a hora que passo a cego,
Que importa a parte em
Que possa ser diferente,
Não sei, leio-nem sei bem,

Diverso-me agora, a julgar
Plo que escrevo ao espelho,
Quantos diversos modos,
Este sentir sem olhos d'ver

Em que importa não só
Ser diverso, quanto lúcido,
lírico, porventura Deus,
Dos que fecham sobre

Os olhos, as pálpebras,
Tanta indiferença já vi nelas,
Se houvesse janelas no corpo,
Queria que fosse nos dedos,

Sentiria emoção palpando,
Assim diverso-me a julgar,
Sem ver na paisagem
Conclusão pra o que penso.

Antecipo o prazer de esculpir
A realidade sem sorrir,
Alego emoção perante o vinil
De um antigo disco,

Uma canção que me fazia
Dormir, as memórias são crianças
E nós o futuro delas,
Porventura diversos

Quanto o capital dos desejos,
As opiniões nossas, espelhos
Dos que se fecham
Sobre os olhos, cansados de ver.

Esta a hora que passo a cego,
Diverso-me agora, a julgar
Plo que escrevo ao espelho,
Excede-me o compreender ...






Joel Matos (08/2017)
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Joel Matos , aliás namastibet

 
Autor
Joel-Matos
 
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Enviado por Tópico
Jorge-Santos
Publicado: 31/08/2017 17:27  Atualizado: 31/08/2017 17:27
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 Re: Diverso-me a julgar, excede-me o compreender ...
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Enviado por Tópico
Jorge-Santos
Publicado: 01/09/2017 16:20  Atualizado: 01/09/2017 16:20
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 Re: Diverso-me a julgar, excede-me o compreender ...
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Enviado por Tópico
Joel-Matos
Publicado: 01/09/2017 16:23  Atualizado: 01/09/2017 16:23
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 Re: Diverso-me a julgar, excede-me o compreender ...
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Enviado por Tópico
verasalviano
Publicado: 02/09/2017 10:43  Atualizado: 02/09/2017 10:43
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 Re: Diverso-me a julgar, excede-me o compreender ...
Joel-Matos,
Me vi nesse julgar.
Se houvesse janelas no corpo, queria que fossem nos dedos...
Acredito sua proximidade da pessoa a quem vc julga.
No meu caso, se houvesse janelas no corpo, queria que fossem os olhos e assim pudesse enxergar o.ciração. Só isso me bastava.
Ou morreria de amor ou de dor. Porém de dúvidas não.
Abraço mineiro.

Enviado por Tópico
Joel-Matos
Publicado: 04/09/2017 10:35  Atualizado: 05/09/2017 12:21
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 Re: Diverso-me a julgar, excede-me o compreender ...



Todos os pássaros sossegaram.

As crianças desceram das árvores, guardaram os jogos,
recolheram a casa. Levanto a cabeça e deixo a voz deambular
por dentro deste silêncio de água e de estrelas.

A noite está próxima.
Deixo o corpo escorregar na poeira luminosa.
Acendo um cigarro, ponho-me a falar com o meu fantasma.

Longe daqui, a cidade enfeitou-se com os seus crimes de néon,
com suas traições… ouço hélices de barcos,
motores… quando um rosto esvoaça ao alcance da mão.

A verdade é que passei a vida a fugir, de cidade em cidade,
com um sussurro cortante nos lábios.
E atravessei cidades e ruas sem nome, estradas, pontes
que ligam uma treva a outra treva.

Caminho como sempre caminhei, dentro de mim
─ rasgando paisagens, sulcando mares, devorando imagens.

O absinto… esse álcool que me permitiu medir o tempo no movimento dos astros.

E vi a vida como um barco à deriva. Vi esse barco tentar regressar
ao porto - mas os portos são olhos enormes
que vigiam os oceanos, servem para levarmos o corpo até um deles e morrer.
A noite está próxima.

Vejo acenderem-se mãos voláteis, e uma sede de poços e de nomadismo.
Sulco a areia que sitia as cidades para trás abandonadas.

abro fendas na memória, e a noite surge com suas
cidades queimadas, desertas… e o vento… o vento cintila
onde cresce o lobo que me ronda o sono.

Estendo a mão, pego no revólver, mas nada acontece.
De nada me serviria inventar outra vez o rio das palavras,
de nada me serviria saber a geometria exacta dos
cristais, ou redesenhar o corpo e aperfeiçoá-lo.

Fico assim, inerte, à beira da noite… olhando o brilho da lua jorrando águas.
O regresso nunca foi possível. - O verdadeiro fugitivo não regressa,
não sabe regressar, reduz os continentes a distâncias mentais.

Aprende a fala dos outros - e, por cima dele, as constelações vão esboçando
o tormentoso destino dos homens.
Pressinto uma sombra, a envolver-me. Ouço músicas…
espirais de som subindo aos subúrbios da alma.

E acendo o lume das pirâmides, onde o tempo não foi inventado,
e renego a alegria.
Não semearei o meu desgosto, por onde passar.
Nem as minhas traições.

Al Berto

Enviado por Tópico
visitante
Publicado: 06/09/2017 19:44  Atualizado: 06/09/2017 19:44
 Re: Diverso-me a julgar, excede-me o compreender ...
Os nossos olhos são a janela do corpo!



Enviado por Tópico
Joel-Matos
Publicado: 11/09/2017 09:52  Atualizado: 11/09/2017 09:55
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 Les statues meurent aussi ...
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Enviado por Tópico
Joel-Matos
Publicado: 11/09/2017 15:46  Atualizado: 11/09/2017 21:25
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 ...

Enviado por Tópico
Jorge-Santos
Publicado: 01/01/2018 18:25  Atualizado: 01/01/2018 18:25
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 Re: Diverso-me a julgar, excede-me o compreender.
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Enviado por Tópico
atizviegas68
Publicado: 02/01/2018 17:27  Atualizado: 02/01/2018 17:28
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 Re: Diverso-me a julgar, excede-me o compreender o eu

Enviado por Tópico
Volena
Publicado: 03/01/2018 15:29  Atualizado: 03/01/2018 15:29
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 Re: Diverso-me a julgar, excede-me o compreender. P/Joel-Matos
...também!

Não, janelas no corpo mem pensar
cobertas por estores e sanefas?
Só na cabeça e sempre abertas
entrar muita luz! Por fás ou nefas…

Um ano de paz e elevação de espírito,
Abraço de amizade Vó

Enviado por Tópico
Jorge-Santos
Publicado: 05/06/2018 18:06  Atualizado: 05/06/2018 18:06
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 (A Natureza é partes sem um todo)


(A Natureza é partes sem um todo)






Nada há mais fácil que fazer coisas análogas,
A par da profunda originalidade do género de emoções,
há a profunda originalidade das ideias, suas pares, que as acompanham, e onde, a par da profundeza que comportam essas ideias e essas emoções, há a grande simplicidade da forma e da expressão ideativa.
Não julgue, porém, um poetastro qualquer dentre os leitores que, a não ser o plágio vulgar, ou o decalque directo de Caeiro, é fácil escrever neste género coisas que sejam sentidas e fortes. Nem julgue — muito menos o julgue — que é fácil, ou que é possível, fazê-las originais dentro da mesma orientação.
Porque esta obra, fora de ser o que é de inovador, é um repouso e um livramento, um refúgio e uma libertação.















Ricardo Reis




Enviado por Tópico
Namas-tibet
Publicado: 16/01/2019 20:05  Atualizado: 16/01/2019 20:05
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 "Duplipensar"
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