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Poemas : 

nonas

 
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… deixas escapar esse marulhar efêmero
e único
da certeza já moldada no barro

tantas as correntezas superadas

oh l’amour!

Pergunto-te por entre algumas gotas de chuva
como antecipamos o brilho dos olhares
sem vermos os olhos do outro[?].

I

Ou
se a vida desalaga sempre da terra
regressando espasmodicamente
atrelada

ao cântico triste
da saudade [?]. O nosso.




[segundo texto da trilogia “oh l’amour”]

(Ricardo Pocinho – O Transversal)



"Floriram por engano as rosas bravas
No inverno:veio o vento desfolha las..."
(Camilo Pessanha)

http://ricardopocinho.blogspot.com/

 
Autor
Transversal
 
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Enviado por Tópico
Gyl
Publicado: 13/08/2017 12:20  Atualizado: 13/08/2017 12:20
Membro de honra
Usuário desde: 08/08/2009
Localidade: Brasil
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 Re: nonas
Um canto cheio de ternura e mansidão. Destaco: oh, l’amour!

Pergunto-te por entre algumas gotas de chuva
como antecipamos o brilho dos olhares
sem vermos os olhos do outro[?]. Lembrou-me os românticos ingleses do século XIX. Muito bom. Abraços!

Enviado por Tópico
Semente
Publicado: 13/08/2017 13:47  Atualizado: 13/08/2017 13:47
Colaborador
Usuário desde: 29/08/2009
Localidade: Ribeirão Preto SP Brasil
Mensagens: 8012
 Re: nonas/ PARA TRANSVERSAL
Olá Ricardo Transversal, encanto-me com essa poesia de amor que não rima com dor ou flor, mas rima com a originalidade, de dizer o comum, de forma incomum!

Lembro-me de ter lido algo sobre o que pensava o escultor italiano Michelangelo em relação à escultura. Ele via a figura antes de ser esculpida na pedra, e apenas retirava o supérfluo pacientente para "libertar" a imagem, porque acreditava que a estátua já estava em seu interior.

Foi isso que senti em " da certeza já moldada no barro" e da pergunta " como antecipamos o brilho dos olhares sem vermos os olhos do outro?" ,
O poeta é , ao meu ver, o escultor da palavra, que busca a linguagem de forma peculiar, diferente, e criativa. Que pressente, que intui o que ainda não foi materializado na escrita. Afinal, poesia é a arte de dizer!!

Bravos, bravos, minha admiração, Transversal.

Beijos poéticos!