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Poemas : 

A memória das árvores

 
Todos os meus dias regresso
ao arvoredo onde guardo as tuas mãos.

O tempo suspende-me os olhos
nos nomes que se esfumam perto
da linha noturna do entorpecimento
dos ossos

quando o sangue quer atravessar
todas as sílabas
de todas as palavras límpidas

e clarear a serenidade das vozes.

E a vastidão deste silêncio azul parece
estender os braços
à força mobilizadora das águas.

Não fora esta lonjura por dentro
das veias
e eu diria que

como se fossem um ínfimo
grão de pó

por entre os dedos me rolariam todas as pedras
atravessadas por sombras e imagens indecifráveis.


maria

 
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Enviado por Tópico
Rogério Beça
Publicado: 19/08/2017 10:50  Atualizado: 19/08/2017 10:51
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Mensagens: 1579
 Re: A memória das árvores
Olá!
A memória das árvores tem muito de céu. De pó. De veios e veias. De sangue e resina.
"A serenidade das vozes..." tem algo de baço, como o fundo dum pântano.
Há nomes que ficam. Tatuagens, cicatrizes fundas, destinados a ressurgir, de vez em quando, ao fim e ao cabo.

Não seremos todos depósitos de recalcamentos?
Pobres dos que não têm uns traumazitos para se arrepender de algum momento. Lugar e tempo.

Inspiraste-me.

Bj


Enviado por Tópico
martisns
Publicado: 25/08/2017 14:35  Atualizado: 25/08/2017 14:35
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Mensagens: 29155
 Re: A memória das árvores
Um silêncio que vem, batendo nas folhoa onde os sentido gritam atravessando os moentos ageis


Enviado por Tópico
Nininha
Publicado: 25/08/2017 23:16  Atualizado: 25/08/2017 23:16
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 Re: A memória das árvores
Todos somos pequenos grãos de pó vogando rumo à sensibilidade. Alguns perdem-se...outros ganham-se...
Novamente o meu parco jeito de me imiscuir nos seus textos
Muito obrigada pela partilha! Adorei ler, como sempre!
Parabéns!