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Frases e Pensamentos : 

DÓI-ME

 
 
DÓI-ME
 
 
DÓI-ME


Dói-me o cansaço que trago em mim
Dói-me a obrigação de reviver a dor
Dói-me o suícidio nostálgico imposto
Dói-me cada passo que dou sem fé
Dói-me o pesar que me tolhe a voz
Dói-me não amar como desejo amar
Dói-me a ilícita dor que me consome
Dói-me este ópio agarrado à minha pele
Dói-me os sonhos levados pelo vento
Dói-me os castigos que a vida me tem dado
Dói-me este combate desigual todas as noites
Dói-me o luto contra o pior dos inimigos
Dói-me este meu remar contra a maré
Dói-me para me libertar deste eterno mal
Dói-me a insónia até de madrugada
Dói-me o sangue derramado no corpo vazio
Dói-me a secura da boca do vinho azedo
Dói-me ouvir as queixas a quem roubaram a vida
Dói-me as palavras gritadas em versos
Dói-me as lágrimas derramadas em silêncio
Dói-me no fundo a secura das despedidas
Dói-me a palidez dos rostos em saudade
Dói-me ver os amantes da noite em desamores.

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Nasci em Angola - Luanda em 1966.
Sou Portuguesa- Lisboa.
Casada e feliz-1985
Tenho 8 filhos que são o sol da minha vida.
Não me considero poetisa
descobri escrevendo por acaso

 
Autor
IsabelRFonseca
 
Texto
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Enviado por Tópico
Gyl
Publicado: 19/08/2017 23:29  Atualizado: 19/08/2017 23:29
Membro de honra
Usuário desde: 08/08/2009
Localidade: Brasil
Mensagens: 12557
 Re: DÓI-ME
É muita dor num poema só. Mas a dor maior a poetisa deixou no último versos. Nada mais doído que amantes sem amor. Abraços!

Enviado por Tópico
martisns
Publicado: 25/08/2017 13:54  Atualizado: 25/08/2017 13:54
Colaborador
Usuário desde: 13/07/2010
Localidade:
Mensagens: 27426
 Re: DÓI-ME
Sentidos que gritam, vem de tua boca os gemidos de uma dor platonica onde os olhos choram.

lindo poema, beijos

Enviado por Tópico
Jorge-Santos
Publicado: 26/08/2017 11:26  Atualizado: 26/08/2017 11:40
Subscritor
Usuário desde: 24/02/2017
Localidade: Setúbal, Azeitão Portugal
Mensagens: 679
 Dói-me tud'isso
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Tudo isso me dói e odeio…


Jorge Santos



Estoiro-me, estoira-me a cabeça,
Dói-me a fala e a falta de ar,
A pressa, estoiro-me com a breca
Dos cantores de opereta bufa patética,

Estoiro-me com o desprezo de obra
De Otelo, estoira-me pagar eu dinheiro,
Pra editar esta obra em grego,
Estoira-me o destroço e o desdém,

Estoira o réveillon e os desejos,
As balas estoiram em Sarajevo,
Estoira o sangue sem glória, a peça
De Ionesco, o fresco de Pompeia,

Estoiro os miolos, tentando este
Mundo que me leia, antes que seja
Meia-noite e meia e a lenha apague,
Na sacristia de encastrar do cura frade,

Dói-me a fala e a falta de ar,
A placa cai-me quando como,
Sou um gnomo no outono, austeridade
Sem nome do forno do pão no prelo,

Estoiro-me sem qualquer razão,
Abençoado foi apenas Moisés
E o seu cão, estouro-me eu, de vez
Mas é, pois agora mesmo soube

Que o toiro de Noé era castrado
E a vaca estéril da arca civil,
Incrível a primavera e o florir,
O trigo amansado plo suão vento,

Incrível é que seja supérflua,
A nossa criável criatividade,
Criamos as mais bizarras obras,
Quem sabe se inventámos a lua,

Incrível que seja supérflua,
Uma contrariedade, faltam arestas,
Ângulos rectos, dizem os “experts”,
Uns outros comentam, pena seja plana

Ou parecida com um queijo
Branco- estoiremos então a lua
Antes que caia na nossa cabeça dura,
Dói-me a fala e a falta de ar,

Dói-me o Adeus da verdade, do arrojo,
O estoiro da democracia verde e o Arcanjo
Tudo isso me dói e odeio,
Mas amo…

Jorge Santos (01/2015)
Http://namastibetpoems.blogspot.com