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Poemas : 

cataratas

 
serei, pois, cordeiro envenenado.
e engulo de novo a bôla azeda
que o avô me deu a provar,
vinha arranhado dos tojos
e os moinhos eram distantes,
fui corcel contra gigantes,
mas agora, pobre despojo,

tenho libido de outono,
asas de cobre, olhos de sono,
um demónio de meia idade
sorvendo taças de lava,
que revê, uma a uma, as pupilas
em que a sua sombra pousou,
a queimar longes e cercanias...

seguir a cegueira dos dias
talvez fosse o nosso fado.
enganar-te (e a mim próprio)
com risos a lápis de cera,
quando as portas se encostavam
e as ventosas de um segredo
protegiam (talvez) das ventanias.

faz-me então mais um favor,
descerra-me essas comportas,
mas não deixes que te empurrem
para o vórtice de clamores
de que um dia talvez regresse:
há uma brisa sobre essas cinzas
que nos engana como uma prece.

 
Autor
boxer
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