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Poemas : 

A dor é púrpura ...

 
A dor é púrpura ...
 

(A dor é púrpura, não ...)





A dor é púrpura, e
O que me doi é
A imensidão, sei
"De cór" a tristeza,

Não vejo o fim à
Dor nem à culpa,
Não creias em mim,
A dor nem púrpura é

Nem eu o tal "poeta"
Que possas chorar,
Se nem conheço
O original a preto

E branco ou vermelho
Sangue e o orvalho
Apenas seca
Quando as folhas

Debotam o chão
De amarelo seco
E isso apenas eu
Sei, me dói sê-lo, sabê-lo

Me doi imenso,
A floresta púrpura,
O silencio e o eco
Não sei, nem donde vem,

Mas meu não é,
Nem é o teu,
Mas do medo
Que sempre terei,

De ouvir soprar na porta,
A oscilação do ar
No outono, a dor é pura,
Oscila entre o céu e a dura terra,

Púrpuro será meu coração,
Não sei bem, de nada serve
Saber, não o sinto bater...
-A dor é púrpura, minto ...













Joel Matos (01/2018)
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Joel Matos , aliás namastibet

 
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Joel-Matos
 
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Enviado por Tópico
Joel-Matos
Publicado: 13/01/2018 19:50  Atualizado: 13/01/2018 19:50
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 Re: A dor é púrpura ...
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Enviado por Tópico
Jorge-Santos
Publicado: 13/01/2018 19:56  Atualizado: 13/01/2018 19:56
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 Re: A dor é púrpura ...
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Enviado por Tópico
Jorge-Santos
Publicado: 14/01/2019 11:34  Atualizado: 14/01/2019 11:34
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 Re: A dor é púrpura ...
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Enviado por Tópico
Joel-Matos
Publicado: 14/06/2019 18:44  Atualizado: 14/06/2019 18:44
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 Hoje que tudo me falta, como se fosse o chão,












Álvaro de Campos








Hoje que tudo me falta, como se fosse o chão,
Que me conheço atrozmente, que toda a literatura
Que uso de mim para mim, para ter consciência de mim,
Caiu, como o papel que embrulhou um rebuçado mau —
Hoje tenho uma alma parecida com a morte dos nervos
Necrose da alma,
Apodrecimento dos sentidos.
Tudo quanto tenho feito conheço-o claramente: é nada.
Tudo quanto sonhei, podia tê-lo sonhado o moço de fretes.
Tudo quanto amei, se hoje me lembro que o amei, morreu há muito.
Ó Paraíso Perdido da minha infância burguesa,
Meu Éden agasalhando o chá nocturno,
Minha colcha limpa de menino!
O Destino acabou-me como a um manuscrito interrompido.
Nem altos nem baixos — consciência de nem sequer a ter...
Papelotes da velha solteira — toda a minha vida.
Tenho uma náusea do estômago nos pulmões.
Custa-me a respirar para sustentar a alma.
Tenho uma quantidade de doenças tristes nas juntas da vontade.
Minha grinalda de poeta — eras de flores de papel,
A tua imortalidade presumida era o não teres vida.
Minha coroa de louros de poeta — sonhada petrarquicamente,
Sem capotinho mas com fama,
Sem dados mas com Deus —
Tabuleta [de] vinho falsificado na última taberna da esquina!