https://www.poetris.com/
 
Poemas : 

(Durmo tempo demasiado)

 
(Durmo tempo demasiado)
 






Durmo tempo demasiado
Sem consciência ter de ter dormido,
Tento só no sono ter fundo
O sentir, porque acordado

Demais não sonho sinto
Acordado, que durmo
Sono profundo ao pensar,
Durmo tempo a mais ou não durmo

De todo, peço ao dom do sonho
Que retire essa falha do meu
Coração e parta sem deixar a saudade
No lugar onde durmo o tempo todo

Do mundo, sem entender
O tamanho do tempo que leva a sombra
Do crepúsculo à alvorada ou
Quanto tempo do bocal ao poço

Fundo demora a queda de um anjo louro,
Pintamos de cores fortes as
Manhãs e escurecemos as paredes
Dos quartos e o tempo que passamos

Entre muros ambos de nossas almas,
Quanto aos pombos pousados,
Lado a lado olhando-se de soslaio
Esperando o céu lhes responda ou eu,

Durmo tempo demais talvez
Sem consciência ter, tonto de tanto
Embrulhar a realidade em papel branco-
Pardo, culpa dos sentidos

Pois de mim pra mim digo
Que convém ter sonhos,
Mais que lucidez sem eles
Na parede dos quartos forrados a papel

Branco, Durmo tempo demasiado
O tempo todo que leva a sombra
Do crepúsculo à alvorada,
Do bocal poço ao fundo e depois do silêncio …
Ao que nada ouço.





Jorge Santos (02/2017)
http://namastibetpoems.blogspot.com


Jorge Santos, aliás Joel Matos,aliás namastibet

 
Autor
Jorge-Santos
 
Texto
Data
Leituras
457
Favoritos
3
Licença
Esta obra está protegida pela licença Creative Commons
32 pontos
2
3
3
Os comentários são de propriedade de seus respectivos autores. Não somos responsáveis pelo seu conteúdo.

Enviado por Tópico
Jorge-Santos
Publicado: 26/02/2018 12:02  Atualizado: 26/02/2018 12:03
Subscritor
Usuário desde: 24/02/2017
Localidade: Azeitão/Setúbal, Portugal
Mensagens: 1966
 Irei ...(Irão)








(Vou-me Embora pra Pasárgada)

Manuel Bandeira


Vou-me embora pra Pasárgada
Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que eu quero
Na cama que escolherei

Vou-me embora pra Pasárgada

Vou-me embora pra Pasárgada
Aqui eu não sou feliz
Lá a existência é uma aventura
De tal modo inconseqüente

Que Joana a Louca de Espanha
Rainha e falsa demente
Vem a ser contraparente
Da nora que nunca tive


E como farei ginástica
Andarei de bicicleta
Montarei em burro brabo
Subirei no pau-de-sebo
Tomarei banhos de mar,

E quando estiver cansado
Deito na beira do rio
Mando chamar a mãe-d'água
Pra me contar as histórias

Que no tempo de eu menino
Rosa vinha me contar
Vou-me embora pra Pasárgada

Em Pasárgada tem tudo
É outra civilização
Tem um processo seguro
De impedir a concepção
Tem telefone automático
Tem alcalóide à vontade

Tem prostitutas bonitas
Para a gente namorar
E quando eu estiver mais triste
Mas triste de não ter jeito
Quando de noite me der
Vontade de me matar

— Lá sou amigo do rei —
Terei a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada.


Texto extraído do livro "Bandeira a Vida Inteira", Editora Alumbramento – Rio de Janeiro, 1986, pág. 90






Enviado por Tópico
Joel-Matos
Publicado: 02/03/2018 10:52  Atualizado: 02/03/2018 10:52
Subscritor
Usuário desde: 24/02/2017
Localidade: Azeitão/Setúbal, Portugal
Mensagens: 1976
 Manual para um disléxico ...



Poema para o filho Disléxico

O, artigo definido.
Menino, substantivo.
Pequeno, levado, caçula, safado... preguiçoso e sedutor.
Tantos adjetivos... podem ser usados para te definir.
Como odeias a língua pátria!
Não te entendes com: numerais, pronomes, artigos...

Odeias os tempos verbais!
A escola é um fardo, o estudar um tormento.
Tanta coisa, tão mais interessante a fazer/viver.
E insistem contigo diariamente... na escrita, nos trabalhos, nas tarefas, até teu braço doer...
És movimento!!!! Cinestesia pura, prática, contra-cultura.
“Viajas” no desinteresse, desligas-te do mundo real.

Como é chato estudar!!!!
Judô, maravilha! Educação Física, puro suor, alegria...
Bicicleta... Handebol (só no gol)!

Menino-movimento!
O quanto a vida ainda vai te fazer mudar, sofrer, crescer...
antes que sejas vitorioso, como teu nome sugere, pois como todos, odeias perder

De uma mãe (Fernanda M. F. C.)