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Poemas : 

Eu não digo...

 
Eu não digo...
 













O silêncio é para os outros,
Não me calo, prefiro apregoar
Alto o preço a pretender qu'valho
O que não digo entre "comas",

Parêntesis, repito o que disse
À partida como que a recuperar
Forças ou pra produzir algum
Efeito(até aí sou só aparências)

O silêncio é para os gordos,
Eu cerro os dentes mas apenas
Por fachada pois falo de mim
Sem parar e em letra grada,

Alivia-me o ranger das portas
Rolas sussurrando sob um'asa,
Alibi perfeito prá nota falhada,
Sinistro é quem se exprime,

Deduzindo ser a arte um ritual
De sentimento beato, profundo,
Exclusivo pra extrema unção
Dos mortos ou pra uma orgia

De defuntos em semana gorda,
O silêncio é para os mortos,
O falar pra mim é uma grávida
parindo, pelo menos eu sinto

Que palavra tem ser, vida, peso.
O silêncio é para os outros,
Eu não digo, arrepia-me o ranger
Dos dentes nos outros...













Joel Matos (04/2018)
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Joel Matos , aliás namastibet

 
Autor
Joel-Matos
 
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Enviado por Tópico
Gyl
Publicado: 28/04/2018 17:44  Atualizado: 28/04/2018 17:44
Membro de honra
Usuário desde: 08/08/2009
Localidade: Brasil
Mensagens: 15181
 Re: Eu não ...
Muito bom, Jorge. O silêncio é para os mortos ou, talvez, para os sábios. Um forte abraço!



Enviado por Tópico
João Marino Delize
Publicado: 28/04/2018 20:44  Atualizado: 28/04/2018 20:46
Colaborador
Usuário desde: 29/01/2008
Localidade: Maringá-
Mensagens: 2800
 Re: Eu não digo...
Um caso para se pensar, um poema lindo para se narrar

Sds.


Enviado por Tópico
martisns
Publicado: 29/04/2018 10:47  Atualizado: 29/04/2018 10:47
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Localidade:
Mensagens: 29336
 Re: Eu não digo...
O silêncio é um horizonte mudo que se cala dentro de nosso ser, muita vezes em busca de sentidos onde os tons dos gritos são pintados por ecos não ouvidos


Enviado por Tópico
IsabelRFonseca
Publicado: 08/05/2018 10:15  Atualizado: 08/05/2018 10:15
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Localidade: Algures em Portugal
Mensagens: 2751
 Re: Eu não digo...
Madrugada

Dos que morreram sem saber porquê
Dos que teimaram em silêncio e frio
Da força nascida do medo
Da raiva à solta manhã cedo
Fazem-se as margens do meu rio.

Das cicatrizes do meu chão antigo
E da memória do meu sangue em fogo
Da escuridão a abrir em cor
De braço dado e a arma flor
Fazem-se as margens do meu povo

Canta-se a gente que a si mesma se descobre
E acordem luzes arraias
Canta-se a terra que a si mesma se devolve
Que o canto assim nunca é demais

Em cada veia o sangue espera a vez
Em cada fala se persegue o dia
E assim se aprendem as marés
Assim se cresce e ganha pé
Rompe a canção que não havia

Acordem luzes nos umbrais que a tarde cega
Acordem vozes, arraiais
Cantam despertos na manhã que a noite entrega
Que o canto assim nunca é demais

Cantem marés por essas praias de sargaços
Acordem vozes, arraiais
Corram descalços rente ao cais, abram abraços
Que o canto assim nunca é demais
O canto assim nunca é demais

José Luís Tinoco

Um abraço Joel-Matos

Enviado por Tópico
Upanhaca
Publicado: 08/05/2018 10:34  Atualizado: 08/05/2018 10:34
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Usuário desde: 21/01/2015
Localidade: Sol Poente
Mensagens: 6543
 Re: Eu não digo o que tu dizes
Eu não digo o que tu dizes,
E quando dizeres
O desdizer do outro,
Eu digo o que dizes
À sombra da verdade
De quem diz o que diz,
Dando valor às reticências,
Que têm tudo pra dizer
Sobre o que alguém deixou
De dizer por razões óbvias

(Cont...)


Enviado por Tópico
Namas-tibet
Publicado: 23/10/2018 22:49  Atualizado: 30/10/2018 11:19
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Localidade: Azeitão/Setúbal, Portugal
Mensagens: 1021
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