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Poemas : 

State of a Dream (From Oracles to Shamans )

 
State of a Dream (From Oracles to Shamans )
 

Serei eu, é a questão e o universo"il faut démonter"



I
State of a Dream

(Vinte de Janeiro de 2017)
Era o sorriso de uma mulher resignada, não expressava alegria mas contentamento, mansa e bela, cruzara as pernas e fumava um cigarro, sabia-os enrolar moderadamente bem, dir-se-iam de argila, não presumíssemos de imediato que fosse tabaco, uma verdadeira ciência, transformar simples papel de arroz numa mortalha iluminada a névoa silenciosa como se fosse uma Xamã.
Tinha um suposto cansaço na pose como quem adormece uma sensação doce de sem-remédio que só os frutos saborosos contêm.
Vestido negro e um decote que os homens têm direito a olharem uma só vez e guardar no íntimo sob pena de excomunhão ou condenação.
Envolvia-a aquela aura de castidade e resignação que algumas mulheres possuem sem darem por isso, como se fosse o desejo algo inútil apesar de útil senão urgente senti-lo!...
Do outro lado do balcão castanho, corrido sentia-se uma sensação cliché comum em filmes, na figura do barman, erecto, limpando copos com um pano velho frente à misteriosa mulher de negro e o olhar deste, fixo num limitado ponto do espaço, como se tentasse ver algo para além do que mais ninguém vira.
O lugar, vazio de clientes, possuía uma solenidade desgastada, assim como o saxofone de Miles Davis tocando “Blue In Green” na juke-box junto à entrada, estranho lugar, mesmo para uma cidade preenchida a bares como New Orleans, pensou ele depois de cruzar a porta, vindo da rua.
Olhou num relógio caro que se distinguia da camisola gasta, Cinco da tarde dum dia quente, ainda que não fosse verão e a hora menos suspeita para dois estranhos se encontrarem num bar, calçava sapatos desportivos, com andar ágil dirigiu-se à mulher sentada ao balcão que não reagiu, embora sentisse que alguém estava ocupando o banco elevado ao lado dela.
Não a cumprimentou imediatamente, antes disso fez um discreto sinal ao empregado do bar apontando com o olhar na direcção de uma garrafa de Bourbon-Whiskey ainda meia, depois fez um sorriso ajustado aos lábios o qual foi correspondido por ela, não se supunha na linguagem corporal ou outra se já havia conhecimento anterior ou seria a primeira vez que se encontravam.
Roça com a mão esquerda, num gesto agradável o ombro desta, como que animando alguma contrariedade e ali ficaram lado a lado durante cerca de uma hora e alguns minutos sem trocarem qualquer palavra ou gesto, suspensos na atmosfera gasta deste bar de new Orleans ao som do Jazz de fundo do saxofone de Miles Davis.
Antes de se deslocar do balcão em direcção à porta da saída, a mulher vira-se devagar para o homem ao seu lado, olha-o com os olhos maduros, negros-azeviche, diz-lhe um nome em voz baixa -“Tália”,ao que ele responde também e em voz ainda mais baixa “Gerome”...
Tália deita a mão delicadamente ao interior da minúscula bolsa, retira dela um papel dobrado em dois que lhe entrega e despede-se de uma forma desprendida e leve como só uma mulher de alta classe social aprende a despedir-se e é como se voasse que alcança a porta, apenas com som dum roçar a setim, sai deixando no ar aquele perfume raro e caro com fragrâncias de açafrão e pimenta verde, dava todavia a sensação doce de odor a mel quando fazia movimentar o ar em redor dos ombros.
Ele apressou-se a sair rápido, parecia furtivo supostamente nervoso enquanto dobrava religiosamente o bilhete que ainda não tinha lido no cinto das calças, tremiam-lhe as mãos ao retirar uma nota de dez dólares para pagar a despesa do bar, Gerome aparentava ser calmo e recatado mas intimamente possuía uma imaginação fértil, ilimitada, sujeito a mudanças de humor e de convivência difícil.
Por isso talvez fosse ele especial e pessoal a explicação que dava a certos pormenores a que chamamos sinais que para outros são simples acontecimentos, normais, triviais até, como se visse algo para lá da visão de todos os outros, como um oraculo, assim como o barman do bar de onde saíra há poucos minutos também ele "via" para além da pele do mundo.
Sentia-se em casa, as ruas faziam lembrar a cidade onde nascera assim como a exuberância de flores, o ambiente antigo e romântico que já não possuíam as cidades francesas actuais, pois embora ainda aparentasse juventude já tinha idade para recordar a beleza das antigas cidades, conhecia-as quase todas na Europa, embora fosse a primeira vez que pisasse o império do Norte como gostava de lhe chamar, quando falava consigo próprio.
Tália não ia ainda muito longe quando de súbito um carro pára e ela é com rudeza puxada para o interior, ainda a ouve gritar por socorro na língua mãe, Italiano e a origem do nome Tália,
Gerome leva instintivamente a mão ao cinto onde guardara o bilhete dobrado e respira de alívio pois tinha sido essa a razão da sua deslocação ao sul da América do Norte, país que detestava visceralmente e acima de tudo; preocupava-o o destino de tão bela mulher, sem dúvida que sim, mas o seu propósito estava salvaguardado em si próprio e o ansiado bilhete ficaria ao alcance dos seus entusiasmados olhos em breve, assim conseguisse chegar a porto salvo, ao quarto de hotel distante um quarteirão ou dois dali, na mais insuspeita rua, que em New Orleans havia.
"State of a Dream" era a lacónica mensagem da missiva, acompanhava um símbolo exótico desenhado à mão, além de uma outra frase curta em formas cuneiformes qual não fazia parte o mutuo convénio entre Gerome e a linguística .
Teria de pedir os espíritos para o ajudarem, proteger e orientar, faltava-lhe um último estagio de alteração de consciência pra se poder considerar Xamã e fizesse todo o sentido aquela mensagem na demanda a que dedicou Gerome quase uma vida inteira de auto descoberta, desde que conhecera a Dra Marcela, mãe de Tália e sua professora favorita de física no liceu, em west Berlin depois de terminada a II guerra, quase uma segunda mãe, sentava-se à mesa da cozinha dela, depois das aulas, durante horas estudando que esquecia onde estava , divagava, navegava entre átomos e fórmulas...

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II

“May the force be with you”

Nove de Novembro de 1989, a grande Praça-Vermelha encontrava-se escura, mergulhada em sombras, parecendo ser perfeito aquele pacto com o cinzento frio do céu; assim como quando os espíritos se separam da vida, caminhava Tália impassível para um destino não menos sombrio que Moscovo de madrugada.
Podia identificar-se na expressão do olhar o cansaço por ter voado directamente de florença e vindo até esta grande praça, non-stop e com escala em Varsóvia visto ter comprado o bilhete à última hora, era imperativo encontrar-se com o seu tio, Arcebispo de Moscovo Pavel Pezzi, na catedral metropolitana nesta cidade e na mesma manhã em que chegasse à Rússia, sem demoras tal como ordenara o pai, Gianfranco Bonelli, embaixador de Itália no Vaticano apesar de arqueólogo por formação e compulsivamente afastado do cargo que ocupara durante uma década.
O pai tinha-lhe dito antes de partir para a sua mais recente "obsessão" em Göbekli Tepe no sudeste da Turquia onde este julgava estava situado a ruína do lendário jardim do Eden, ou o portal do conhecimento humano - o click que possibilitou ao homem olhar pra dentro dele próprio e ver o universo ao espelho, ou assim julgava Pappa Franco, como lhe chamava de uma forma carinhosa Tália, a formosa filha deste e fruto do casamento com a Dra Marcela Gleiser, Física, astrónoma e actual responsável pela investigação no "CERN" acerca de uma nova partícula subatómica, designada popularmente por partícula Maldita ou a famosa "partícula de Deus".
Assim como os espíritos, a massa deste estado ínfimo da matéria também a tornava imponderável ou fantasmagórica, como se existisse nesta nossa "realidade" e numa outra ou outras desconhecidas divisões ou salas de multi-universos ilusoriamente empilhados.
A Catedral era imponente por fora e por dentro, como quase todo o recorte histórico que esta grande metrópole possuía, numa entrada lateral semiescondida por abetos e crisântemos via-se a entrada com um caramanchão de uvas brancas, indícios de latinidade e que servia a residência oficial do tio Pavel, onde o pai se refugiava quando queria estar longe dos afazeres ou estudar algum antigo manuscrito, coisa que podia levar semanas de recolhimento e reclusão do mundo real, citadino e puritano.
A Dra Marcela Gleiser, mãe de Tália confiara-lhe um grosso envelope que só poderia ser aberto pelo pai, quando e no caso de o encontrar vivo, não poderia sequer confiar no tio, dissera-lhe esta quando a beijou à despedida no aeroporto aquando da partida para Moscovo, foi uma comovida Dra Marcela que não queria deixar partir a filha tão querida para uma missão que poderia revelar-se suicida ou o mudar o consciente de uma espécie, pela segunda vez na história humana.
Tália sorriu troçando da angústia da mãe e lembrou de quem lhe tinha despertado a imaginação para as histórias de Stanley Kubrick acerca de monólitos e descobertas nas luas de Júpiter e de todas aquelas sequelas de 2001 Odisseia no espaço, disse-lhe que também ela tinha uma imaginação fértil mas iria seguir tudo à risca e prometia ter cuidado apesar de não levar muito sério aquilo dos destinos e evolução da humanidade estarem em jogo e ela, uma simples mulher ser enviada como mensageira por causa duma tola fantasia dos pais como se fosse um género de "Obi-Wan Kenobi" de saias, talvez o pai tivesse perdido o telemóvel ou se encontrasse nalgum lugar da Síria e estivesse privado de comunicações devido à guerra.
Deixa-a com a frase da Guerra das Estrelas “May the force be with you” e o gesto épico de desferir um golpe de espada no vazio do ar, comédia ou ficção pensou Tália indecisa quanto ao género de narrativa que se via forçada a representar e qual a actuação como personagem principal, se drama-falso ou farsa/comédia.
O Arcebispo possuía tanto as qualidades de orador quanto a força e convicção de um concílio pode ter, num só homem a força de uma gigantesca instituição, no rosto uma amabilidade extrema.


III

(Le café des sept colonnes)

22 de junho de 1940 , la Bastilhe


Gianfranco Bonelli Sentia vontade de abraçar, beijar e amar fisicamente todas a mulheres com que se cruzava nas ruas cheias de gente feliz mas procurava apenas por uma, aquela mulher especialmente bela, a bela Marcela.
Os afectos transbordavam nos rostos, mesmo nos pobres, famintos, mendigos e a quem a simples carícia tinha sido negada, apagados deste mundo filhos maridos ou esposas, até mesmo as pegadas descalças se haviam afastado das praias para dar lugar a botas, fardas e a corpos, aço e minas.
Fora finalmente assinado o armistício, as árvores eram mais verdes, agitavam os ramos, agradeciam o dia e a trégua concedida depois de lhes terem espetadas sete vezes no peito sete facas e outras que viriam a caminho, secretas, terminais, finais.
Intelectualmente sentia-se atraído por Marcela mas o grande magnetismo provinha daquele corpo airoso elegante, amava-a não só pela lisura da pele do corpo, dos seios em forma de colina, mas pelo brilho da mente.
Havia sido encarregado pessoalmente por Goebbels, apesar da sua ascendência francesa, de procurar indícios da assumida supremacia ariana entre as montanhas de Tauros e o lago Van, local onde, ao tempo, se convencionava falsamente ser a nascente do rio Tigre.









Joel Matos

 
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Joel-Matos
 
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Enviado por Tópico
Jmattos
Publicado: 15/05/2018 13:03  Atualizado: 15/05/2018 13:03
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 Re: Pretexto para apresentar o meu próximo romance ..
Jorge
Adoro seu estilo! Seus contos são perfeitos!
Parabéns!
Abraço!
Janna


Enviado por Tópico
Joel-Matos
Publicado: 15/05/2018 16:11  Atualizado: 18/05/2018 16:59
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 State of a Dream (From Orleans To Shamanism)
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Enviado por Tópico
Volena
Publicado: 15/05/2018 16:35  Atualizado: 15/05/2018 16:35
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 Re: Pretexto para apresentar o meu próximo romance ..(ofe.. .P Joel-Matos
Um pretexto prestimoso, romântico e atraente, fico em espera persuadida de que vai ser muito bom, parabéns!
Abraço de estima Vó

Enviado por Tópico
Joel-Matos
Publicado: 16/05/2018 00:10  Atualizado: 16/05/2018 00:32
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 Re: State of a Dream (From oracles and shamans)
Dream States: A Peek into Consciousness

Although we rarely remember our nighttime reveries, they may hold the key to consciousness

By Christof Koch on November 1, 2010

IF YOU HAVE SEEN the recent Hollywood blockbuster Inception, a movie that does to dreaming what The Matrix did for virtual reality, you may have been holding your breath as Ariadne, an architecture student, folded the streets of Paris over herself like a blanket. This stunning sequence, an homage to M. C. Escher, is testimony to the bizarre nature of dreams. Watching it made the neuroscientist in me reflect on what dreams are and how they relate to the brain.

The first question is easy to answer. Dreams are vivid, sensorimotor hallucinations with a narrative structure. We experience them consciously—seeing, hearing and touching within environments that appear completely real (though curiously, we do not smell in our dreams). Nor are we mere passive observers: we speak, fight, love and run.

Dream consciousness is not the same as wakeful consciousness. We are for the most part unable to introspect—to wonder about our uncanny ability to fly or to meet somebody long dead. Only rarely do we control our dreams; rather things happen, and we go along for the ride.
Everyone dreams, including dogs, cats and other mammals. But sleep lab data reveal that people consistently underreport how often and how much. The reason is that dreams are ephemeral. Memory for dreams is very limited and largely restricted to the period before awakening. The only way to remember a dream is to immediately recall it on waking and then write it down or describe it to another person. Only then does its content become encoded in memory.

Although we often have trouble remembering dreams, our dreaming selves have full access to our pasts. In dreams we recall earlier episodes from our lives, and we often experience intense feelings of sadness, fear, anxiety or joy. Perhaps it was this heightened emotionality that led Sigmund Freud to speculate that dreams serve as wish fulfillment. Regardless, the answer to my second question—how and why does the brain manufacture dreams?—remains a fundamental mystery. But psychologists and brain scientists have recently renewed their interest in this everyday surreal activity.

Perchance to Dream
In 1953 Nathaniel Kleitman of the University of Chicago and his graduate student Eugene Aserinsky discovered that slumber, which had been considered a single continuous period of downtime, contains recurring periods in which the sleeper’s eyes move about, heartbeat and breathing become irregular, most voluntary muscles are paralyzed and brain activity (as measured by electroencephalography) is heightened. These fast, low-voltage brain waves resemble the ones that occur during wakefulness. This state became known as rapid eye movement (REM) sleep, to distinguish it from deep sleep.

When people are woken from REM sleep, they usually report vivid dreams. Such reports do not occur when people are roused from non-REM sleep. Thus arose the close association between REM sleep and the oneiric state. For many years experts associated dream consciousness with the distinct physiology of the brain during REM sleep.

But in the past several decades that understanding has begun to slowly shift. When people who are woken from deep sleep are asked “What was passing through your mind just before you woke up?” rather than the more biased “Have you been dreaming?” a more nuanced picture emerges.

In the early phases of deep sleep, and during short daytime naps, which consist of pure non-REM sleep, people report vivid hallucinations that are shorter, more static and more thoughtlike than the dreams that occur during REM sleep. These visions are typically more like snapshots than narratives and do not include a self. Yet a minority of non-REM dream reports are indistinguishable from REM dreams. It is also notable that sleepwalking and nightmares occur in deep, not REM, sleep. Thus, scientists have had to revise the belief that the REM state is an external manifestation of the subjective dream state.

Further evidence comes from the study of brain-damaged patients by neuropsychoanalyst Mark Solms of the University of Cape Town in South Africa. When a part of the brain stem known as the pons is destroyed, people no longer experience REM sleep. But only one in 26 of such patients reports a loss of dreaming, and nobody has ever reported loss of dreaming from limited pons damage.

The regions critical for dreaming are not in the pons. They include the visual and audiovisual regions in and near the temporoparietal-occipital junction in the neocortex. Destruction of small portions of these areas leads to the loss of specific dreaming dimensions. For example, a stroke, tumor or other calamity in the cortical region necessary for color or motion perception will leach hue or movement from dreams.

Moreover, medications that manipulate dopamine levels strongly affect dreaming while leaving the REM sleep cycle unaffected. L-dopa, the most popular medication for Parkinson’s disease, increases the frequency and vividness of dreams, whereas antipsychotic drugs that block dopamine reduce dreaming.

The dissociation of dreaming from REM sleep serves as a conceptual clearing of the deck for neuroscientists such as myself. Now we can focus on the neuronal causes of conscious mental activity, whether in a dreaming or wakeful state, without being confused by extraneous factors such as REM or non-REM sleep that, it turns out, do not pertain to subjective experience per se.
The Mind-Body Problem
Why am I so confident I experience anything while dreaming? Maybe I am unconscious while slumbering and confabulate my dreams when I awaken.

This is unlikely for many reasons. The bizarreness and vividness of dreams are distinct from normal experience and therefore unlikely to be “retrofitted.” Indeed, people with memory deficits do not report fewer dreams. Additionally, the length of dream reports correlates well with time elapsed in REM dreams.

More evidence comes from people with REM sleep behavior disorder, who lack the muscle paralysis, known as atonia, typical of REM sleep. They act out their dreams, sometimes even harming themselves or bed partners, and their actions match their dream reports. They might, for instance, move their legs while asleep and later report that they dreamed of walking.

Dreams are of great interest to the student of the mind-body problem, because they bear witness that the brain alone is sufficient to generate consciousness. We dream with eyes shut in the dark, disconnected from the outside world. The brain regions responsible for basic sensory perception are deactivated. Nor is behavior necessary, as we are motionless except for our breathing and eye movements. Thus, dreaming supports the old philosophical brain-in-the-vat idea that saw its modern renaissance in The Matrix.

Cognitive neuroscientists have recently learned to decode some simple mental states—in essence, a primitive form of mind reading. When scientists ask people to view one of two images—a portrait or a photograph of a house—or to imagine either a face or a house, they can tell from brain analyses which of the two the person is seeing or imagining.

Once such techniques become more sophisticated, they could be put to use in dream work, so that in addition to studying the physiology of the dreaming brain, investigators will be able to read out the content of the dream itself. Then neuroscience will be in a much better position to answer the age-old questions that have fascinated everyone from oracles and shamans to Freud and, more recently, science-fiction enthusiasts: Why do we dream, and what do dreams mean?

This article was originally published with the title "Consciousness Redux: Dream States"

Enviado por Tópico
Maryjun
Publicado: 16/05/2018 18:43  Atualizado: 16/05/2018 18:43
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 Re: State of a Dream (From Oracles to Shamans)
Boa tarde, Joel,

Um conto maravilhoso
eu amei, magistral. Parabéns!

Um abraço
Mary Jun


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Enviado por Tópico
Joel-Matos
Publicado: 17/05/2018 23:59  Atualizado: 17/05/2018 23:59
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 Re: State of a Dream (Garden of Eden)
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Enviado por Tópico
Joel-Matos
Publicado: 18/05/2018 00:51  Atualizado: 18/05/2018 12:46
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 Re: State of a Dream (From Oracles to Shamans )
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Enviado por Tópico
Joel-Matos
Publicado: 18/05/2018 18:48  Atualizado: 18/05/2018 18:59
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 Arcebispo de Moscovo - Pavel Pezzi
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Enviado por Tópico
Gyl
Publicado: 18/05/2018 19:55  Atualizado: 18/05/2018 19:55
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 Re: State of a Dream (From Oracles to Shamans )
Impressionante a riqueza de detalhes, os caracteres das personagens, o estilo original, os vocábulos rebuscados e a trama instigante que prende o leitor ao texto. Gostei muito da forma como aborda o " tempo" de uma forma não linear. Parabéns, meu amigo, pelo belo esboço do romance. Como está narrando em terceira pessoa, acho que deveria nos apresentar melhor os personagens. Por exemplo: Qual a idade de Tália? De qual parte da Itália ela é? O que se passa por dentro dos teus personagens? Talvez eu esteja antecipando. Mas como é uma novela, aguardemos aos próximos capítulos. Abraços, exímio escritor!






Enviado por Tópico
Jorge-Santos
Publicado: 20/05/2018 23:49  Atualizado: 20/05/2018 23:49
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 A State of Mind.
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Enviado por Tópico
Joel-Matos
Publicado: 22/05/2018 10:55  Atualizado: 22/05/2018 11:17
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 Re: State of a Dream (From Oracles to Shamans )





















Lista de Deficiências :

Três coisas tem o homem superior que ensinar-se a esquecer para que possa gozar no perfeito silêncio a sua superioridade - o ridículo, o trabalho e a dedicação.



O Maior Triunfo do Homem
O maior triunfo do homem é quando se convence de que o ridículo é uma coisa sua que existe só para os outros, e, mesmo, sempre que outros queiram. Ele então deixa de importar-se com o ridículo, que, como não está em si, ele não pode matar.

Três coisas tem o homem superior que ensinar-se a esquecer para que possa gozar no perfeito silêncio a sua superioridade - o ridículo, o trabalho e a dedicação.
Como não se dedica a ninguém, também nada exige da dedicação alheia. Sóbrio, casto, frugal, tocando o menos possível na vida, tanto para não se incomodar como para não aproximar as coisas de mais, a ponto de destruir nelas a capacidade de serem sonhadas, ele isola-se por conveniência do orgulho e da desilusão. Aprende a sentir tudo sem o sentir directamente; porque sentir directamente é submeter-se - submeter-se à acção da coisa sentida.

Vive nas dores e nas alegrias alheias, Whitman olímpico, Proteu da compreensão, sem partilhar de vivê-las realmente. Pode, a seu talante, embarcar ou ficar nas partidas de navios e pode ficar e embarcar ao mesmo tempo, porque não embarca nem fica. Esteve com todos em todas as sensações de todas as horas da sua vida. Assistiu, olhando pelos olhos e pelos corações dos protagonistas, a todas as tragédias da terra. Com os que renunciaram renunciou. Caiu em todas as batalhas, ficando vencedor de elas.
Venceu a sua alegria e a sua dor vencendo toda a alegria e toda a dor do mundo.

Ele lembra-se da sua própria voz ter gritado, de entre o povo judeu que se aglomerara: «Nós queremos antes Barrabás». E no momento em que pensou como o tinha sido, o nome de Barrabás lembrava-lhe já que Barrabás era ele, e Cristo também, que o povo não pedira. Quando voltou a querer lembrar-se que homem do povo havia sido, viu que tinha sido todos eles. Se olhava ligeiramente para cima sentia em sonho na sua fronte de mulher os cabelos negros de Maria. Sentia seios. Como eles desviaram a idea para o instinto sexual, ele chorou de repente e sabia que era a Madalena. Estendia as mãos mas lembrou-se de quando Pilatos as lavara da responsabilidade, e o seu vulto aprumava-se, governador romano, na sonhada toga que lhe roçava de leve a sensação ideal da própria pele.
Cerrava os olhos, os próprios olhos do sonho, com o cansaço múltiplo d'aquilo tudo, e num último reflexo, antes da apatia, os estandartes do fim d'aquilo tudo, passam, com águias no cimo, num crepúsculo com montes verdes ao fundo.

O cansaço de tanta sensação dispersa trazia-lhe uma depressão; e a depressão trazia-lhe os sentimentos depressivos - e entre eles, no limite do cansaço, o da piedade mole e chorosa pelos outros - canto de ama, cantando à noite, quando o pobre que não tinha ninguém encontra Nossa Senhora na estrada vestida de pastora, que o leva pela mão para o céu.
A infância lembrada abriu a porta a Cristo que entra pela sua sensação de todas as lágrimas a chorar.

Fernando Pessoa,




















Enviado por Tópico
Jorge-Santos
Publicado: 22/05/2018 12:00  Atualizado: 22/05/2018 12:00
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 Re: State of a Dream
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